Dos 12 pré-candidatos à Presidência da República em 2026, 10 já manifestaram críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF). Esse levantamento, realizado pelo Poder360, destaca um padrão de oposição à Corte, que se tornou um ponto central de debate político. Entre os críticos estão nomes como Romeu Zema, Flávio Bolsonaro e Cabo Daciolo, enquanto apenas Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Edmilson Costa (PCB) expressaram apoio à instituição.

Pré-candidatos à Presidência se manifestam contra decisões do STF em reunião de imprensa.
Fonte: www.poder360.com.br | Reprodução

Contexto histórico: O papel do STF na política brasileira

O STF, como órgão máximo do Judiciário, desempenha um papel decisivo na interpretação da Constituição e na tomada de decisões sobre questões fundamentais para o país. Desde os desdobramentos dos atos de 8 de janeiro de 2023, a Corte tem assumido um protagonismo ampliado, que gerou críticas de diversos setores políticos. Esse cenário reflete tensões entre os poderes e a percepção de parte da população sobre o sistema político.

Os principais pontos de crítica ao STF

Os pré-candidatos que se posicionaram contra o STF apontam diferentes questões como motivo de insatisfação. Entre elas, destacam-se:

  • Ativismo judicial: Alguns postulantes, como Aldo Rebelo (DC), criticam o que consideram interferências excessivas do STF em temas econômicos e sociais.
  • Mandatos vitalícios: Augusto Cury (Avante) propõe limitar o mandato dos ministros para evitar a concentração de poder.
  • Indicações políticas: Cabo Daciolo (Mobiliza) questiona a falta de juízes de carreira no STF, defendendo uma reforma nos critérios de escolha.
  • Concentração de poder: Rui Costa Pimenta (PCO) critica o protagonismo ampliado do STF após os atos de 8 de janeiro, alegando que medidas tomadas extrapolaram os limites da Corte.

Declarações dos pré-candidatos

As críticas ao STF foram expressas por diversos canais, como entrevistas, publicações em redes sociais e manifestações públicas. Abaixo, destacamos as principais declarações:

  • Romeu Zema (Novo): Classificou ministros como "intocáveis" e satirizou figuras como Gilmar Mendes e Dias Toffoli em publicações.
  • Flávio Bolsonaro (PL): Acusou Alexandre de Moraes de tentar influenciar as eleições de 2026 e criticou o que considera "ativismo judicial".
  • Renan Santos (Missão): Defendeu o impeachment de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, alegando envolvimento em escândalos de corrupção.
  • Samara Martins (UP): Propôs eleições diretas para o Judiciário e o fim dos cargos vitalícios como forma de democratizar o sistema.

Impacto nas pesquisas e opinião pública

A pesquisa PoderData, divulgada em março de 2026, revelou que 52% dos eleitores consideram o desempenho do STF como "ruim" ou "péssimo". Esse dado reflete uma percepção negativa generalizada, que tem sido explorada pelos pré-candidatos como estratégia para angariar apoio popular.

Repercussões políticas e institucionais

As críticas ao STF têm gerado um impacto significativo na dinâmica política do país. De um lado, há uma tentativa de limitar o poder da Corte, enquanto de outro, setores como o PT e PCB defendem sua atuação como essencial para a democracia, especialmente diante das crises recentes.

Propostas de reforma

Vários pré-candidatos sugeriram mudanças estruturais no STF:

  • Aldo Rebelo propõe um "encontro de contas" com a Corte e a possibilidade de reequilibrar o número de ministros indicados por diferentes governos.
  • Augusto Cury defende o fim dos mandatos vitalícios, com limites de 8 a 10 anos.
  • Ronaldo Caiado sugere critérios mais rigorosos para escolha de ministros, como idade mínima de 60 anos e exigência de um currículo jurídico consagrado.

As críticas e o caso Banco Master

Um dos elementos que intensificaram as críticas ao STF foi o escândalo envolvendo o Banco Master, que revelou fraudes bilionárias e implicações em todos os três poderes. Políticos como Hertz Dias (PSTU) e Renan Santos (Missão) pedem investigações sobre o caso e punição dos envolvidos.

A defesa do STF por Lula e Edmilson Costa

Em contraste, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Edmilson Costa (PCB) defenderam a Corte. Lula destacou o papel do STF como fiador da democracia após os ataques de 8 de janeiro, enquanto Costa reconheceu a importância da instituição na preservação das liberdades democráticas, apesar de críticas pontuais.

O futuro do STF: cenários possíveis

Com um número significativo de pré-candidatos defendendo mudanças na estrutura e nas funções do STF, o futuro da Corte pode incluir reformas substanciais. Entre as ideias mais debatidas estão a limitação do mandato dos ministros, a modificação no processo de indicação e até uma reconfiguração do papel do Judiciário na política brasileira.

A visão do especialista

O embate entre os pré-candidatos e o STF reflete não apenas discordâncias políticas, mas também as tensões institucionais que permeiam o cenário brasileiro. As críticas à Corte, muitas vezes calcadas na percepção de excesso de poder, podem indicar uma insatisfação mais ampla com o sistema político e a estrutura de governança no país.

Especialistas alertam que, embora reformas no STF possam ser necessárias, é fundamental que qualquer mudança leve em consideração o equilíbrio entre os Poderes e a preservação das garantias democráticas. O Judiciário, como pilar da democracia, deve continuar desempenhando seu papel de forma independente, sem ser deslegitimado como um todo.

Com a proximidade das eleições, a relação entre os pré-candidatos e o STF será, sem dúvida, um tema central na disputa política. O resultado desse embate poderá moldar o futuro institucional do país e determinar os limites da atuação da Corte nos próximos anos.

Compartilhe essa reportagem com seus amigos e ajude a disseminar informações de qualidade sobre o cenário político brasileiro.