O Senado Federal rejeitou o pedido de Romário (PL‑RJ) e Zequinha Marinho (Podemos‑PA) para retirar o apoio à PEC alternativa que cria a contratação por hora trabalhada. A decisão, tomada em sessão plenária no dia 8 de junho de 2026, mantém a proposta em vigor, impedindo qualquer alteração posterior.

Entendendo a escala 6x1 e a PEC alternativa

A escala 6x1 estabelece seis dias de trabalho seguidos por um dia de folga, modelo defendido por setores da oposição como forma de flexibilização. Em resposta, a PEC 16/2026, conhecida como "PEC da Liberdade", propõe a contratação por hora, permitindo que empregadores ajustem jornadas sem alterar a CLT.

Cronologia dos principais acontecimentos

DataEventoResultado
02/06/2026Senadores Romário e Zequinha assinam a PEC alternativa.Apoio inicial de 42 senadores.
04/06/2026Romário e Zequinha anunciam retirada de apoio em entrevistas.Solicitação formal ao Plenário.
08/06/2026Regimento do Senado recusa a retirada de assinaturas.PEC permanece com apoio total.
08/06/2026Rogério Marinho aciona a AGU contra ministros e parlamentares.Processo administrativo aberto.

Regimento do Senado: impossibilidade de remoção de apoio

O Regimento Interno estabelece que a retirada de assinatura só é permitida antes da publicação oficial da proposta. Como a PEC já foi publicada no Diário Oficial em 5 de junho, os pedidos de Romário, Zequinha e Cleitinho foram formalmente rejeitados.

Repercussão política e judicial

A decisão gerou forte reação nas redes sociais, com acusações de "fake news" e tentativas de deslegitimar a proposta. Parlamentares de esquerda, como Rogério Correia (PT‑MG) e Lindbergh Farias (PT‑RJ), foram citados no ofício enviado à AGU como supostos disseminadores de informações falsas.

Impactos econômicos e no mercado de trabalho

Especialistas apontam que a PEC alternativa pode ampliar a flexibilidade de contratação, reduzindo custos para empresas de pequeno porte. Contudo, sindicatos alertam para risco de precarização, já que a jornada por hora pode dificultar a garantia de direitos trabalhistas consolidados.

Posicionamento dos partidos e dos parlamentares

O PL, Podemos e Republicanos mantêm a defesa da PEC como estratégia de negociação política. Enquanto isso, PT, PSOL e MDB manifestam oposição, alegando que a medida "ameaça a CLT e o salário‑mínimo".

Reação da AGU e das autoridades

A AGU recebeu o ofício de Rogério Marinho solicitando providências contra o ministro Guilherme Boulos e cinco parlamentares. O pedido argumenta que a divulgação de supostas "escalas 7x0" constitui desinformação que pode influenciar o voto dos senadores.

Análise de especialistas em direito constitucional

Constitucionalistas destacam que a PEC 16/2026 não viola a Constituição, pois não altera princípios fundamentais da ordem econômica. Entretanto, o debate sobre a compatibilidade com a CLT exige avaliação do Tribunal Superior do Trabalho, que ainda não se pronunciou.

A Visão do Especialista

Para o professor de Direito Constitucional da USP, Maria Helena de Souza, a manutenção da PEC no Senado indica que o legislativo está priorizando a estabilidade jurídica sobre pressões midiáticas. Ela recomenda que o Congresso abra audiências públicas para esclarecer dúvidas dos trabalhadores antes da votação final.

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