"A democracia não morreu e ninguém precisa ter vergonha de ser de esquerda." Com essas palavras, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu seu discurso em Barcelona, durante o evento Mobilização Progressista, realizado em 18 de abril de 2026. O encontro reuniu líderes e militantes internacionais em defesa da democracia, justiça social e multilateralismo, em meio ao crescente avanço da extrema direita global.

Lula fala em Barcelona, defendendo a democracia e a esquerda.
Fonte: www.brasil247.com | Reprodução

O contexto do evento em Barcelona

O evento foi organizado pelo presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, que recebeu elogios de Lula pela iniciativa. Segundo o presidente brasileiro, o encontro não deveria ser visto como um ato isolado, mas como o início de um movimento permanente para preservar os valores democráticos. Lula afirmou: "O que nós estamos fazendo aqui é o começo de um movimento que tem que agir todo santo dia, durante todo o ano."

Críticas ao neoliberalismo e à extrema direita

Durante sua fala, Lula criticou duramente o modelo neoliberal, que, segundo ele, "prometeu prosperidade e entregou fome, desigualdade e insegurança". Ele também apontou que o fracasso desse sistema econômico permitiu que a extrema direita se apresentasse como uma força antissistema, manipulando frustrações sociais com discursos de ódio e desinformação.

O presidente destacou que misoginia, racismo e discurso de ódio tornaram-se instrumentos centrais das forças reacionárias, enquanto as forças progressistas devem manter a coerência e trabalhar para transformar os ideais de igualdade e justiça social em realidade.

O papel das forças progressistas

Para Lula, o campo progressista deve se posicionar claramente contra as desigualdades sociais e econômicas. Ele defendeu que "a desigualdade não é um fato, é uma escolha política" e que é essencial desmascarar as elites econômicas que acumulam privilégios e exploram os trabalhadores.

O presidente também fez uma autocrítica ao campo progressista, ressaltando que governos de esquerda não podem reproduzir políticas de austeridade e renunciar às promessas feitas ao povo durante as campanhas eleitorais.

A busca por um multilateralismo reformado

Em sua análise do cenário internacional, Lula criticou o gasto excessivo com armamentos e os conflitos que penalizam os países do Sul Global. Ele defendeu um novo modelo de multilateralismo que promova a igualdade entre nações e fortaleça instituições internacionais, como a ONU, o Banco Mundial e o FMI.

Segundo Lula, ser progressista no contexto global significa lutar pela paz, combater a fome, proteger o meio ambiente e promover a justiça econômica. Ele destacou que os países em desenvolvimento precisam ser tratados com mais equidade, deixando de ser vistos apenas como fornecedores de matérias-primas.

O impacto das redes digitais

Outro ponto abordado pelo presidente foi o papel das redes digitais na disputa política contemporânea. Para Lula, "a internet se tornou um campo de batalha", mas a luta pela democracia não pode se restringir ao ambiente virtual. Ele defendeu que as forças progressistas ampliem sua atuação para espaços físicos, como universidades, igrejas e associações comunitárias.

Repercussões do discurso

O discurso de Lula gerou ampla repercussão, tanto no Brasil quanto internacionalmente. Especialistas apontam que sua fala em Barcelona reforça o esforço de criar uma frente global contra o avanço da extrema direita. Além disso, sua crítica ao neoliberalismo e sua defesa de um multilateralismo reformado foram bem recebidas por setores progressistas.

Comparativo entre posições políticas

Posição Prioridades Críticas
Progressistas Igualdade, justiça social, multilateralismo Neoliberalismo, desigualdade, extremismo
Conservadores Manutenção do status quo, liberdade econômica Intervenção estatal, políticas afirmativas

A visão do especialista

Para especialistas em política internacional, o discurso de Lula marca um esforço renovado do Brasil para se posicionar como líder no cenário global em defesa de valores democráticos e progressistas. Sua insistência na construção de um movimento permanente reflete a urgência de combater as ameaças da extrema direita e de propor alternativas ao modelo econômico vigente.

Analistas destacam que, com a ascensão de governos populistas e autoritários em diversas partes do mundo, a mobilização de forças progressistas é essencial para preservar os valores democráticos. A proposta de Lula de reformar o multilateralismo também é vista como uma tentativa de reequilibrar as relações internacionais e ampliar a voz dos países em desenvolvimento.

Como desfecho, a frase de Lula resume o cerne de seu discurso: "A democracia não é um destino, é uma construção cotidiana." Esse chamado à ação contínua é, segundo especialistas, um dos pontos mais relevantes para orientar as forças progressistas nos próximos anos.

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