As ações do Nubank encerraram o pregão de terça-feira (16/05/2026) com uma queda expressiva de 6,03%, cotadas a US$ 12,15 na bolsa de Nova York (Nyse). O movimento de baixa foi impulsionado pela divulgação do resultado financeiro do primeiro trimestre, que revelou um aumento significativo de 33% nas provisões para devedores duvidosos (PDD), totalizando US$ 1,79 bilhão. Esse crescimento foi muito superior à expansão da carteira de crédito no mesmo período, que avançou apenas 7%, atingindo US$ 37,2 bilhões.

Entenda o impacto no mercado

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O aumento das PDDs, embora esperado em um ambiente de maior risco de inadimplência, gerou preocupação entre os investidores. O mercado reagiu negativamente à percepção de que o banco digital está adotando uma postura mais cautelosa frente a um cenário econômico desafiador, especialmente no Brasil, onde a inadimplência tem aumentado.

Além disso, o lucro líquido de US$ 871,4 milhões, uma queda de 5% em relação ao último trimestre de 2025, ficou abaixo das expectativas do mercado, que projetavam um aumento entre 6% e 8%. Essa combinação de fatores lançou dúvidas sobre o crescimento sustentável da instituição, afetando diretamente o preço das ações.

Ações do Nubank caem em NY após aumento de provisões para devedores duvidosos.
Fonte: valor.globo.com | Reprodução

Por que as provisões aumentaram mais do que a carteira de crédito?

O crescimento das PDDs acima da expansão da carteira de crédito pode ser atribuído a um aumento na percepção de risco por parte do banco. De acordo com o Itaú BBA, o Nubank provisionou 154% da formação de créditos não performados (NPL), o que elevou o índice de cobertura em 30 pontos percentuais. Essa estratégia tem como objetivo proteger o balanço do banco em um cenário de incertezas econômicas e taxas de inadimplência crescentes.

Por outro lado, os analistas apontam que a migração de créditos do estágio 2 para o estágio 1 foi interpretada como um movimento de ajuste, indicando que a instituição está ciente e preparada para lidar com os desafios do mercado.

Desempenho da carteira de crédito e mudanças no mix

A carteira de crédito do Nubank apresentou um crescimento significativo em categorias específicas. Destaque para os cartões de crédito, que registraram um aumento de 36% em 12 meses, atingindo US$ 24,3 bilhões. Os empréstimos sem garantia também tiveram alta de 27%, alcançando US$ 9,9 bilhões. Já o crédito consignado e imobiliário, apesar de representarem apenas 8% do portfólio total, tiveram um crescimento expressivo de 38% no último ano.

Essa mudança no mix de crédito, com maior foco em produtos mais arriscados, como o cartão de crédito, ajuda a explicar o aumento das provisões. Apesar disso, o banco conseguiu expandir a receita líquida de juros e sua margem líquida, demonstrando uma estratégia de monetização eficaz.

Perspectiva dos analistas sobre o futuro

Apesar da queda expressiva no preço das ações, bancos de investimento como o Itaú BBA e o BTG Pactual mantêm recomendações de compra para os papéis do Nubank. O Itaú BBA estima um preço-alvo de US$ 20,00 até o final de 2026, o que representaria uma valorização de 66% em relação ao preço atual. Já o BTG Pactual projeta um preço-justo de US$ 22,00 em 12 meses.

Os analistas destacam que, embora o mercado esteja preocupado com a qualidade dos ativos e o aumento das provisões, o Nubank está bem posicionado para enfrentar um ciclo de crédito mais desafiador no Brasil. O banco também registrou avanços significativos em eficiência operacional, com despesas estáveis, que contribuíram para que o lucro antes dos impostos superasse as expectativas em 10%.

O que os investidores devem observar?

  • Qualidade dos ativos: O aumento das PDDs reflete a cautela do banco, mas também levanta preocupações sobre a qualidade dos créditos concedidos.
  • Expansão internacional: O crescimento no México, com mais de 15 milhões de clientes, é um ponto positivo que pode sustentar o desempenho futuro.
  • Margem líquida de juros: O aumento na monetização dos clientes ativos no Brasil, com receita média de US$ 15,9 por cliente, é um indicador de resiliência.
  • Desempenho das ações: Com múltiplos atrativos — 13 vezes o preço/lucro estimado para 2026 — o Nubank pode ser visto como uma oportunidade de longo prazo para investidores com maior apetite ao risco.

Comparativo: Evolução dos principais indicadores financeiros

Indicador 1º Trimestre 2025 1º Trimestre 2026 Variação
Lucro Líquido US$ 918,3 milhões US$ 871,4 milhões -5%
Provisões para Devedores Duvidosos (PDD) US$ 1,35 bilhão US$ 1,79 bilhão +33%
Carteira de Crédito US$ 34,8 bilhões US$ 37,2 bilhões +7%
Receita Média por Cliente US$ 12,9 US$ 15,9 +23%

A Visão do Especialista

O aumento das provisões para devedores duvidosos é, sem dúvida, um sinal de alerta, mas não necessariamente um indicativo de que o Nubank enfrenta uma crise iminente. Pelo contrário, a estratégia de provisionar para além do necessário demonstra que a instituição está se preparando para um ambiente macroeconômico mais desafiador, com potenciais aumentos de inadimplência.

Do ponto de vista do investidor, a atual desvalorização das ações pode ser uma oportunidade de compra, considerando os múltiplos baixos e as projeções otimistas de crescimento de longo prazo feitas por analistas renomados. No entanto, é crucial ponderar os riscos, especialmente em um cenário de desaceleração econômica no Brasil e incertezas regulatórias.

Para o consumidor, os resultados do Nubank indicam uma empresa que está buscando equilibrar crescimento com sustentabilidade financeira. No entanto, os clientes devem estar atentos a possíveis ajustes nas condições de crédito, como aumento de taxas de juros ou maior seletividade na concessão de empréstimos.

Em resumo, o cenário é de cautela para o mercado, mas de potencial para investidores com visão de longo prazo. O Nubank continua a demonstrar força em sua estratégia de expansão, mas precisará lidar com a pressão de um ambiente econômico desafiador para manter sua trajetória de crescimento e rentabilidade.

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