O advogado Daniel Lopes Monteiro foi preso na quinta‑feira (16) pela Polícia Federal e, apesar da detenção, recebeu o título de Cidadão Baiano na Assembleia Legislativa da Bahia (AL‑BA) em sessão especial no dia 6 de dezembro de 2024.

Advogado preso pela PF é homenageado com título de Cidadão Baiano.
Fonte: www.bahianoticias.com.br | Reprodução

Honra concedida na Assembleia Legislativa

A homenagem foi proposta pelo líder do governo na Casa, deputado Rosemberg Pinto (PT), e oficializada em plenário com a presença de autoridades como o secretário de Meio Ambiente Eduardo Sodré e o então deputado federal Otto Alencar Filho.

Contexto da cerimônia

Durante a entrega, Rosemberg destacou a atuação de Monteiro na aquisição da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), responsável pela rede Cesta do Povo, operação que culminou no programa CredCesta.

Operação Compliance Zero e a prisão

A prisão ocorreu no âmbito da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal para investigar esquemas de corrupção envolvendo instituições financeiras e agentes públicos.

Acusações de pagamento de propina

Monteiro é suspeito de coordenar um esquema de pagamento de propina ao ex‑presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e de atuar como "laranja" nas transações do Grupo Master e Reag.

Participação do Banco Master no BRB

Investigações apontam que Master e Reag detêm 25 % das ações do BRB, usando intermediários como Monteiro para influenciar decisões estratégicas do banco estatal.

Operação de compra e venda de ações

O advogado teria adquirido ações do BRB e as repassado aos fundos Delta e Borneo, totalizando R$ 84 milhões, recursos supostamente obtidos por empréstimo junto à Cartos.

ItemValor/Percentual
Participação Master & Reag no BRB25 %
Valor total das ações negociadasR$ 84 milhões
Data da homenagem06/12/2024

Repercussão no mercado financeiro

A revelação do esquema provocou queda nas ações do BRB e gerou alerta de órgãos reguladores sobre a necessidade de reforçar mecanismos de compliance nas instituições bancárias.

Reação da comunidade jurídica

Advogados e juristas criticaram a decisão de homenagear Monteiro, argumentando que a premiação fere princípios éticos e pode comprometer a credibilidade da AL‑BA.

Impacto político e institucional

O caso reforça o debate sobre a influência de grupos empresariais na política baiana, intensificando a pressão sobre o governo estadual para adotar medidas de transparência.

Análise das implicações legais

Do ponto de vista penal, a prisão de Monteiro pode resultar em processos por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e formação de quadrilha, com penas previstas na Lei de Improbidade Administrativa.

A Visão do Especialista

Especialistas em direito penal e compliance concluem que o episódio evidencia lacunas no controle interno de bancos públicos e destaca a necessidade de reformas legislativas que ampliem a responsabilização de intermediários financeiros. A expectativa é que a Justiça Federal conduza investigações aprofundadas, enquanto o legislativo estadual revisará normas de concessão de títulos honoríficos para evitar novos conflitos de interesse.

Compartilhe essa reportagem com seus amigos.