Alisson Becker, natural de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul, é hoje sinônimo de segurança e regularidade no gol da Seleção Brasileira. Aos 33 anos, o goleiro do Liverpool se prepara para sua terceira Copa do Mundo, desta vez sob o comando de Carlo Ancelotti. Desde sua estreia como titular na Rússia, em 2018, até o Catar, em 2022, Alisson consolidou-se como uma peça-chave no esquema tático do Brasil, com 76 partidas pela seleção e o peso de um título da Copa América em 2019. Mas o que torna o 'paredão gaúcho' tão especial?

A ascensão meteórica no Internacional

Revelado nas categorias de base do Internacional, Alisson começou a ganhar destaque em 2014, quando assumiu a titularidade do clube. Suas atuações consistentes, marcadas por reflexos rápidos e excelente leitura de jogo, logo chamaram atenção do mercado europeu. Em fevereiro de 2016, foi negociado com a Roma, onde viveu um crescimento técnico exponencial.

Na Itália, Alisson foi aclamado pela sua capacidade de distribuir o jogo com os pés, algo que o tornaria uma peça essencial no estilo de jogo moderno. Sob o comando de Eusebio Di Francesco, destacou-se na campanha que levou a Roma à semifinal da Liga dos Campeões em 2018, colocando-se definitivamente no radar dos gigantes europeus.

A consagração no Liverpool

A transferência para o Liverpool por €62,5 milhões em 2018 marcou um divisor de águas na carreira de Alisson — e na história do clube inglês. Sob a batuta de Jürgen Klopp, ele se tornou a solução para um problema crônico do time: a instabilidade no gol. Logo em sua primeira temporada, conquistou a Liga dos Campeões, sendo peça fundamental na trajetória dos Reds.

As conquistas não pararam por aí. Alisson adicionou ao seu currículo o título da Premier League 2019/20, quebrando um jejum de 30 anos para o Liverpool, além de conquistas como a Copa da Inglaterra, a Copa da Liga Inglesa, a Supercopa da UEFA e o Mundial de Clubes. Seus números são impressionantes: em 202 jogos pela equipe inglesa, manteve o gol zerado em 93 ocasiões, uma taxa de clean sheets de 46%.

Impacto tático: o goleiro-líbero

O que diferencia Alisson de outros goleiros de elite é sua habilidade de atuar como um verdadeiro goleiro-líbero. Sua precisão nos passes longos, combinada com uma visão periférica apurada, permite ao Liverpool explorar transições rápidas e quebrar linhas adversárias. Além disso, sua capacidade de manter a calma em situações de alta pressão é um dos motivos pelos quais Klopp o considera indispensável.

Na Seleção Brasileira, essa característica é ainda mais evidenciada. Sob o comando de Tite e agora de Carlo Ancelotti, Alisson se tornou o ponto de partida para muitas jogadas ofensivas, algo crucial para um time que preza pela posse de bola e pela construção desde a defesa.

Altos e baixos na Seleção Brasileira

Apesar de seu sucesso no futebol europeu, Alisson enfrentou críticas de parte da torcida brasileira, especialmente nas eliminações nas Copas de 2018 e 2022. A ausência de defesas milagrosas em momentos cruciais gerou questionamentos, mas especialistas apontam que o sistema defensivo como um todo foi mais responsável por esses resultados do que o desempenho individual do goleiro.

Vale ressaltar que, em 76 jogos pela Seleção, Alisson sofreu apenas 49 gols, uma média inferior a 0,65 gol por partida. Esses números reafirmam sua consistência e importância para a equipe.

Preparação para a Copa de 2026

Na reta final para o Mundial de 2026, Alisson enfrentou um desafio delicado: uma lesão muscular. Apesar disso, Carlo Ancelotti garantiu que o goleiro estará 100% apto para defender a meta brasileira nos Estados Unidos, Canadá e México. A confiança do técnico italiano reflete a unanimidade que Alisson representa na seleção, mesmo em um ciclo marcado por críticas e mudanças.

Além disso, a experiência acumulada em duas Copas do Mundo e em competições de alto nível na Europa será crucial para liderar uma equipe em renovação, com jovens talentos como Endrick e Vitor Roque despontando no ataque.

Comparativo com outros goleiros brasileiros

Quando se fala em goleiros históricos da Seleção Brasileira, nomes como Taffarel, Dida e Júlio César vêm à mente. Como Alisson se compara a esses ícones? Em termos de títulos e estatísticas, ele já se aproxima dos maiores. No entanto, o tão sonhado título mundial ainda é o diferencial que o separa do panteão dos gigantes.

Goleiro Jogos pela Seleção Gols Sofridos Títulos pela Seleção
Alisson Becker 76 49 Copa América (2019)
Taffarel 101 76 Copa do Mundo (1994)
Dida 91 69 Copa América (1999)

A Visão do Especialista

Alisson Becker não é apenas um goleiro; ele é um símbolo da evolução da posição no futebol moderno. Sua capacidade de unir reflexos apurados, habilidade com os pés e liderança em campo o tornam indispensável tanto para o Liverpool quanto para a Seleção Brasileira.

O Mundial de 2026 será uma oportunidade para Alisson consolidar seu legado. Caso consiga ajudar o Brasil a conquistar o hexacampeonato, ele definitivamente entrará para o seleto grupo dos maiores goleiros da história do futebol mundial. Até lá, sua trajetória continua sendo uma inspiração para uma nova geração de arqueiros que vê em Alisson um modelo a ser seguido.

Compartilhe essa reportagem com seus amigos e ajude a divulgar a história de um dos grandes ícones da Seleção Brasileira!