O preço recorde do ouro está impulsionando o avanço do garimpo ilegal na Amazônia. Em 2026, a cotação do metal precioso subiu cerca de 60% no último ano, atraindo novas quadrilhas para áreas antes pouco exploradas.
O aumento de 60% no valor do ouro tem efeito direto na expansão das atividades ilícitas. Segundo o Ibama, a alta nos preços eleva o lucro esperado por tonelada extraída, tornando o risco de operação ilegal mais atrativo.
Acampamentos de garimpeiros surgem como "cidades temporárias" nas terras indígenas. Em Sararé (MT), dezenas de barracas foram identificadas, equipadas com escavadeiras, geradores e freezers.
Em três anos, a fiscalização já desmantelou cerca de 1 mil acampamentos ilegais. Dados do Ibama apontam:
- R$ 700 milhões em equipamentos destruídos;
- Mais de 500 escavadeiras apreendidas;
- 4.200 ha de vegetação nativa devastada na Terra Indígena Sararé.
Como o garimpo afeta as comunidades indígenas?
Terras tradicionais estão sendo invadidas e degradadas. As áreas Yanomami, Raposa Serra do Sol, Munduruku e Kayapó já registraram incursões de garimpeiros.
O crime organizado utiliza redes logísticas para apoiar as operações. Empresários locais fornecem combustível, peças de reposição e transporte, dificultando a ação das autoridades.
Autoridades federais já prenderam 67 pessoas na última operação. A ação contou com agentes do Ibama, Polícia Federal e Forças Armadas, mas a rotatividade das quadrilhas permanece um desafio.
Quais são as novas frentes de atuação?
Garimpeiros migraram para o sul do Amazonas e a fronteira Amapá‑Pará. A busca por ouro levou grupos a áreas ainda menos monitoradas, ampliando o risco de conflitos.
A falta de presença permanente de fiscalização favorece a expansão. As unidades móveis do Ibama têm cobertura limitada, permitindo que as quadrilhas se reinstalem rapidamente.
Especialistas recomendam integração entre órgãos públicos e ONGs. O procurador André Porreca defende um plano de ação conjunto, incluindo monitoramento por satélite e apoio às comunidades locais.
Quais são os impactos ambientais e de saúde?
O uso de mercúrio na extração contamina rios e solos. Estudos da Fiocruz apontam níveis de mercúrio 15 vezes acima do permitido em áreas próximas a acampamentos.
Desmatamento acelerado agrava a perda de biodiversidade. O avanço de garimpeiros contribui para a queimada de florestas, liberando carbono e afetando o clima regional.
Populações ribeirinhas enfrentam riscos de intoxicação e escassez de recursos. A contaminação da água compromete a pesca, principal fonte de alimento e renda.
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