O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026 revelou dados preocupantes sobre a violência no Brasil, destacando os estados e municípios com as maiores taxas de mortes violentas. O levantamento, realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), apontou que, mesmo com uma redução geral de 8% nos homicídios no país, algumas regiões continuam liderando os índices de criminalidade. Enquanto o Nordeste concentra os municípios mais violentos, Santa Catarina superou São Paulo como o estado com a menor taxa de mortes violentas.
Maranguape (CE) no topo do ranking: o município mais violento do Brasil
O município de Maranguape, no Ceará, liderou pelo segundo ano consecutivo o ranking de cidades mais violentas do Brasil. Em 2025, a cidade registrou uma taxa de 100,3 mortes violentas por 100 mil habitantes, um aumento significativo em relação aos 80 por 100 mil registrados no ano anterior. Esse índice é mais que o dobro da média nacional, que ficou em 19,1 mortes por 100 mil habitantes.
Entre as dez cidades mais violentas, cinco estão na Bahia, três no Ceará, uma em Pernambuco e uma na Paraíba. Além de Maranguape, outros destaques negativos incluem Eunápolis (BA), com 85,1 mortes por 100 mil habitantes, e Porto Seguro (BA), com 71,2. Esses números reforçam a concentração da violência em municípios do Nordeste brasileiro.
Amapá: o estado mais violento pelo segundo ano consecutivo
A nível estadual, o Amapá se manteve como o mais violento do país, com uma taxa de 42,5 mortes violentas por 100 mil habitantes. Embora tenha apresentado uma redução de 6% em relação a 2024, o estado continua enfrentando desafios significativos para conter a criminalidade. Bahia e Ceará completam o pódio das unidades federativas mais violentas.
Em contrapartida, Santa Catarina registrou a menor taxa de violência, com 7,6 mortes por 100 mil habitantes, desbancando São Paulo, que ocupava essa posição desde 2014. Essa mudança reflete o impacto de políticas públicas de segurança mais efetivas no estado do Sul.
Redução de mortes violentas no Brasil: um cenário de avanços e desafios
O número total de mortes violentas no Brasil em 2025 foi de 40.775, representando uma queda de 8% em relação ao ano anterior. Apesar desse avanço, o país registrou um recorde de feminicídios, além de um aumento nas mortes causadas por policiais. Isso demonstra a complexidade do cenário da segurança pública, que exige atenção a múltiplos fatores e dinâmicas.
Entre os estados, 19, além do Distrito Federal, apresentaram redução nas taxas de homicídios, enquanto outros sete registraram alta. Essa discrepância regional reflete as diferenças nas condições socioeconômicas e na eficácia das políticas de segurança pública ao longo do território nacional.
Os fatores por trás da violência no Nordeste
O Nordeste tem sido historicamente o epicentro da violência no Brasil, com taxas alarmantes que muitas vezes superam a média nacional. Especialistas apontam que fatores como desigualdade social, falta de oportunidades econômicas e fragilidades nas forças de segurança local contribuem para esses índices elevados. A alta concentração de homicídios dolosos, latrocínios e feminicídios é reflexo direto dessas condições adversas.
Adicionalmente, disputas territoriais entre facções criminosas pelo controle de tráfico de drogas e outras atividades ilícitas intensificam a violência urbana em diversas cidades da região.
Os estados menos violentos: o exemplo de Santa Catarina
Santa Catarina, com sua infraestrutura de segurança bem organizada e investimentos em monitoramento e inteligência policial, tornou-se um modelo para outras regiões do país. A substituição de São Paulo no posto de estado menos violento marca um momento histórico, já que o estado paulista manteve essa posição por mais de uma década. Especialistas acreditam que a descentralização de recursos e o fortalecimento das polícias municipais foram fatores decisivos para essa conquista.
Além disso, a atuação integrada entre as diversas esferas do governo e a sociedade civil têm contribuído para a redução de crimes violentos, incluindo homicídios e feminicídios.
Mudanças no perfil da violência: o aumento do feminicídio
Enquanto a taxa geral de homicídios caiu, o Brasil registrou um aumento preocupante no número de feminicídios, crimes que expõem a face mais cruel da violência de gênero. Segundo o FBSP, a intensificação desse tipo de crime reflete a necessidade de políticas específicas para proteger mulheres em situações de risco. A falta de abrigos, medidas protetivas eficazes e campanhas de conscientização são apontadas como lacunas críticas nessa área.
Dados comparativos: taxas de mortes violentas por estado
| Estado | Taxa de Mortes Violentas (2025) |
|---|---|
| Amapá | 42,5 |
| Bahia | 39,7 |
| Santa Catarina | 7,6 |
| São Paulo | 7,8 |
A Visão do Especialista
De acordo com especialistas em segurança pública, os dados do Anuário reforçam a necessidade de políticas públicas integradas, que combinem repressão ao crime com ações preventivas voltadas para educação, emprego e redução das desigualdades sociais. A queda geral nos homicídios mostra que avanços são possíveis, mas a persistência de altos índices em algumas regiões evidencia que ainda há muito a ser feito.
Para os próximos anos, será fundamental monitorar os impactos das políticas estaduais e municipais, bem como promover maior cooperação entre as forças de segurança em todo o país. Enquanto os números mostram avanços em algumas áreas, o aumento de feminicídios e a violência policial indicam que a segurança pública deve ser tratada como uma prioridade nacional.
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