O apresentador Ratinho, do SBT, tornou‑se réu após declarações ofensivas contra a deputada federal Natália Bonavides, em um caso que reacendeu o debate sobre violência política contra a mulher no Brasil.

Contexto histórico da violência política de gênero
Desde a promulgação da Lei nº 13.188/2015, que tipifica a violência política contra a mulher, o país tem registrado um aumento de processos envolvendo figuras públicas que menosprezam parlamentares femininas. Essa legislação surgiu como resposta ao crescimento de ataques verbais e simbólicos durante campanhas eleitorais.
A denúncia e o processo judicial

Em 15 de dezembro de 2021, Ratinho, ao comentar na Rádio Massa FM o projeto de lei da deputada Natália Bonavides, usou expressões como "vá lavar roupa" e "costure a calça do teu marido". O Ministério Público Eleitoral considerou tais frases como tentativa de constranger e humilhar a parlamentar.
Procedimentos judiciais
O juiz Tiago Ducatti Lino Machado, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, recebeu a denúncia e, em 16/04/2026, decidiu abrir ação penal por violência política contra a mulher. Ele destacou que as gravações confirmam o caráter intimidatório das declarações.
| Data | Evento |
|---|---|
| 15/12/2021 | Ratinho faz declarações na Rádio Massa FM |
| 08/03/2025 | MP solicita fechamento da investigação |
| 20/10/2024 | TRE-SP reabre o caso |
| 16/04/2026 | Juiz Ducatti abre ação penal contra Ratinho |
Repercussão política e midiática
Os veículos de comunicação nacional amplificaram o caso, gerando debates sobre a responsabilidade de apresentadores de TV ao abordar temas legislativos. Especialistas apontam que a busca por audiência não pode se sobrepor ao respeito constitucional.
Impacto na carreira de Ratinho
Desde a abertura da ação, o SBT enfrentou pressão de anunciantes e de grupos de direitos humanos, que solicitaram a suspensão de programas com o apresentador. A queda nos índices de audiência nas manhãs do SBT indica um efeito direto da controvérsia.
Análise dos especialistas em direito eleitoral
Profissionais do Direito Eleitoral ressaltam que o caso exemplifica a aplicação prática da Lei da Violência Política, ainda pouco testada nos tribunais. Para eles, a condenação pode estabelecer precedente importante para futuras denúncias.
O papel da violência política contra a mulher
O conceito engloba atos de intimidação, difamação e humilhação que visam desqualificar a atuação de mulheres no espaço público. Estudos recentes mostram que tais práticas reduzem a participação feminina nas eleições.
Desdobramentos no Legislativo
O projeto de Natália Bonavides, que propõe substituir "marido e mulher" por termos neutros no Código Civil, ganhou novo impulso após o escândalo. Parlamentares de diferentes siglas passaram a apoiar a iniciativa como forma de combater o discurso de ódio.
Comparativo de casos semelhantes
Outros apresentadores já enfrentaram processos por declarações discriminatórias, como o caso de José Luiz Datena (2022) e de Luciano Huck (2023). Em ambos, as decisões judiciais foram menos rigorosas, gerando críticas sobre a consistência da aplicação da lei.
A Visão do Especialista
De acordo com a professora de Direito Constitucional da USP, Dra. Marina Silva, "a responsabilização de Ratinho sinaliza que a Justiça Eleitoral está disposta a proteger a dignidade das mulheres no debate público". Ela alerta que, se o processo resultar em condenação, haverá um efeito dissuasor para outros comunicadores.
Compartilhe essa reportagem com seus amigos.
Discussão