A seleção argentina garantiu sua vaga na final da Copa do Mundo de 2026 ao vencer a Inglaterra por 2 a 1, em uma virada histórica que destacou a resiliência e coragem da equipe comandada por Lionel Scaloni. Sob a liderança de Lionel Messi, decisivo mais uma vez, os argentinos souberam suportar a intensidade inicial dos ingleses e aproveitaram o recuo estratégico da equipe de Thomas Tuchel, um movimento que acabou sendo fatal para os europeus. A análise dos colunistas do GLOBO destaca o impacto tático das decisões de ambos os treinadores e a capacidade da Argentina de se superar em momentos críticos.

Jornalistas do GLOBO analisam a virada argentina sobre a Inglaterra em meio ao jogo emocionante da Copa do Mundo.
Fonte: oglobo.globo.com | Reprodução

Primeiro tempo: equilíbrio e intensidade máxima

A partida começou com um equilíbrio evidente. Conforme analisou Carlos Eduardo Mansur, "os sistemas de marcação se sobrepuseram". A Inglaterra buscava impor sua superioridade física, enquanto a Argentina tentava sair da pressão com combinações rápidas pelo centro do campo. O resultado foi um jogo de tensão palpável e poucas oportunidades claras de gol, como destacou Gustavo Poli, que classificou o início como "talvez o jogo mais intenso da Copa".

O gol inglês veio aos 28 minutos, em uma construção que começou com Harry Kane recuando para participar do jogo. Após o lançamento de Pickford e a continuidade da jogada, Gordon apareceu como elemento surpresa para abrir o placar. A movimentação de Kane e a precisão de Gordon foram cruciais para o lance, que parecia indicar controle dos ingleses.

Tomada de controle pela Argentina

No entanto, a vantagem inglesa teve um efeito colateral: o time recuou excessivamente, formando um bloco baixo que quase abdica do ataque. "Foi uma estratégia perigosíssima", apontou Gustavo Poli, referindo-se à entrega da posse de bola para a Argentina. Messi, posicionado no lado direito, passou a ditar o ritmo do jogo, explorando os espaços deixados pela defesa inglesa.

Para Marcelo Barreto, o recuo exagerado da Inglaterra foi um erro tático grave. "Cada bola rebatida voltava para os argentinos, que reiniciavam o ataque imediatamente. Era apenas uma questão de tempo para o empate", analisou. Esse panorama foi amplificado pelas alterações feitas por Tuchel, que optou por reforçar a defesa em detrimento do ataque.

A virada: coragem e genialidade

Enquanto a Inglaterra se fechava, Lionel Scaloni adotou uma postura oposta, colocando mais atacantes em campo para buscar o resultado. Essa ousadia foi recompensada quando Messi, em uma de suas arrancadas pela direita, atraiu três marcadores e encontrou Enzo Fernández, que empatou a partida. Poucos minutos depois, Messi cruzou com precisão para Lautaro Martínez marcar o gol da vitória, consolidando a classificação.

Para Ana Thaís Matos, a atuação de Messi foi emblemática. "Aos 39 anos, ele administra sua energia para os momentos decisivos. Não é apenas um jogador; é um estrategista em campo." O craque argentino foi decisivo nas duas jogadas que garantiram a virada, reafirmando sua condição de líder técnico e emocional da equipe.

Decisões técnicas: Tuchel em xeque

A atuação do técnico Thomas Tuchel gerou muitas críticas. Após o gol inicial, o alemão optou por proteger o resultado, mas suas escolhas acabaram expondo a Inglaterra. "Tuchel pediu para tomar o empate", afirmou Gustavo Poli. As trocas realizadas, que envolveram a entrada de zagueiros e uma postura ainda mais defensiva, deixaram a equipe vulnerável e sem capacidade de reação.

Por outro lado, as substituições de Scaloni mostraram coragem e visão tática. O técnico argentino, ciente do risco de abrir espaços, decidiu "empilhar atacantes", como descreveu Marcelo Barreto. Essa estratégia foi decisiva para a virada, evidenciando a mentalidade focada na vitória que caracteriza essa geração argentina.

Histórico e estatísticas: uma campanha de resiliência

Com a classificação, a Argentina chega à sua terceira final de Copa do Mundo em quatro torneios, igualando o feito do Brasil de Pelé entre 1958 e 1970. A equipe de Scaloni tem se destacado por sua combinação de talento individual e resistência coletiva. Em toda a competição, a seleção sofreu apenas três gols e marcou 12, com Messi diretamente envolvido em oito desses tentos.

Estatística Argentina Inglaterra
Posse de bola (%) 62 38
Finalizações 15 7
Passes certos 540 290
Cartões Amarelos 4 3

A Visão do Especialista

A vitória da Argentina sobre a Inglaterra é mais do que um triunfo tático; é um exemplo de como coragem e resiliência podem mudar o rumo de uma partida. A postura proativa de Scaloni, somada à genialidade de Messi e ao espírito de luta do elenco, foi fundamental para superar uma seleção inglesa que, apesar de talentosa, sucumbiu à sua estratégia excessivamente conservadora.

Com a final garantida, a Argentina agora se prepara para enfrentar uma nova adversária. A confiança gerada por essa virada pode ser o combustível necessário para conquistar mais um título mundial. Como bem resumiu Ana Thaís Matos, "esta seleção argentina deixa tudo em campo pelo resultado". Resta saber se essa coragem será suficiente para encerrar a campanha com o tão sonhado troféu.

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