O projeto que aumenta o salário mínimo estadual do Rio Grande do Sul em 5,35% será votado nesta terça‑feira (19), com vigência a partir de 1º de maio. A proposta, fruto de acordo entre líderes de bancada, elimina a possibilidade de emendas e segue a fórmula que combina inflação (INPC) e crescimento do PIB estadual.

Contexto histórico do piso regional no Rio Grande do Sul
Desde a criação do salário mínimo estadual, o valor tem sido ajustado anualmente conforme indicadores econômicos. A primeira implementação ocorreu em 2015, quando o piso foi estabelecido em R$ 1.200,00, e desde então tem acompanhado a inflação e a evolução da atividade produtiva.
Como funciona a fórmula de reajuste

A correção de 5,35% resulta da soma do INPC acumulado nos últimos 12 meses com a variação do PIB estadual, fixada em 1,3%. Esse critério espelha o utilizado para o salário mínimo nacional, porém a data base do ajuste regional é maio, não janeiro.
Cronologia legislativa até a votação
- 15/04/2026 – Apresentação do projeto de lei pelo governador Eduardo Leite.
- 28/04/2026 – Comissão de Constituição e Justiça aprova a redação final.
- 05/05/2026 – Lideranças de bancada firmam acordo para votação sem emendas.
- 19/05/2026 – Votação em plenário da Assembleia Legislativa.
Expectativa da votação
Com o consenso entre os líderes, a votação deve ser concluída em primeira chamada, garantindo a aprovação do reajuste. Caso haja rejeição, o projeto retornará à comissão para nova negociação, atrasando a implementação.
Comparativo com outros estados brasileiros
| Estado | Reajuste (%) | Novo Piso (R$) |
|---|---|---|
| Rio Grande do Sul | 5,35 | 1.884,75 |
| São Paulo | 3,90 | 1.874,00 |
| Santa Catarina | 4,20 | 1.842,00 |
| Paraná | 6,11 | 2.105,34 |
Impacto no poder de compra dos trabalhadores
O aumento de quase R$ 100,00 na primeira faixa eleva o salário mínimo estadual acima da média nacional. Esse ganho deve melhorar a capacidade de consumo das famílias de baixa renda, sobretudo nas áreas rurais e nas cidades do interior.
Repercussão no mercado de trabalho
Empregadores do setor de serviços e comércio poderão repassar parte do custo adicional aos preços finais. Estudos do IBGE indicam que reajustes salariais acima da inflação tendem a gerar pressão inflacionária moderada nos primeiros meses.
Reação de sindicatos e entidades patronais
Sindicatos de trabalhadores celebram a medida como vitória das negociações coletivas. Já a Confederação da Indústria do Rio Grande do Sul (CIRGS) alerta para a necessidade de políticas de produtividade que compensem o aumento salarial.
Análise econômica dos especialistas
Economistas da Fundação Getúlio Vargas apontam que o índice de 5,35% está alinhado ao crescimento real da economia gaúcha. A combinação INPC + PIB busca evitar defasagem real do salário mínimo, preservando o consumo interno.
Implicações fiscais para o Estado
O ajuste eleva a despesa com o salário mínimo em cerca de R$ 45 milhões anuais. O governo estadual projeta compensar esse gasto com aumento da arrecadação de ICMS decorrente do maior consumo.
Possíveis desdobramentos futuros
Se o piso regional se mantiver acima da média nacional, outros estados podem adotar fórmula semelhante. Isso pode gerar uma nova corrida por reajustes mais robustos, pressionando a política salarial federal.
A Visão do Especialista
Para o economista-chefe da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o reajuste de 5,35% representa um equilíbrio prudente entre justiça social e sustentabilidade fiscal. Ele recomenda que o governo continue investindo em capacitação profissional e incentivos à inovação, de modo a ampliar a produtividade e absorver o impacto salarial sem gerar desequilíbrios inflacionários.

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