Autoridades brasileiras estão em alerta máximo diante da iminente chegada do "Super El Niño", fenômeno climático que promete alterar drasticamente os padrões meteorológicos em diferentes regiões do país. Com chuvas intensas previstas para o Sul e secas severas projetadas para o Norte e Centro-Oeste, governos estaduais e federal já iniciaram uma série de medidas para mitigar os impactos dessa ocorrência climática.

Autoridades em ação para preparar o país para o super El Niño.
Fonte: oglobo.globo.com | Reprodução

O que é o El Niño e por que ele preocupa?

O El Niño é um fenômeno natural associado ao aquecimento anormal das águas na faixa equatorial do Oceano Pacífico. Esse aquecimento influencia os ventos e regimes de chuvas em diversas partes do mundo. No Brasil, os efeitos são marcantes e podem variar de temporais a estiagens extremas, dependendo da região.

De acordo com agências internacionais como NOAA (EUA) e BOM (Austrália), há uma probabilidade de 96% de o El Niño atingir seu pico entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027. As projeções indicam que o fenômeno pode ser o mais intenso das últimas décadas, sendo classificado como "Super El Niño".

Impactos regionais: quem será mais afetado?

Chuvas intensas no Sul

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) alerta para a possibilidade de desastres hidrogeológicos no Sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Entre os riscos estão enchentes, deslizamentos de terra e alagamentos.

Em 2024, eventos extremos no Sul resultaram em 180 mortes e perdas econômicas significativas. Para evitar novas tragédias, o estado gaúcho aprovou o Plano Rio Grande, com investimentos de R$ 4,2 bilhões em infraestrutura, como a instalação de 130 estações de monitoramento e a compra de um super radar meteorológico.

Secas severas no Norte e Centro-Oeste

No Norte e Centro-Oeste, o El Niño pode agravar a seca, prejudicando a navegabilidade dos rios e o abastecimento de comunidades ribeirinhas. Estados como Amazonas e Mato Grosso do Sul já iniciaram ações preventivas, como monitoramento fluvial e queimas prescritas para evitar incêndios florestais.

Em 2023 e 2024, a seca no Amazonas isolou comunidades e comprometeu o fornecimento de alimentos e combustível. Para 2026, o governo estadual intensificou a integração entre órgãos e o monitoramento contínuo dos níveis dos rios.

As ações do governo federal

O governo federal também está mobilizado para enfrentar o impacto do El Niño. O número de brigadistas foi ampliado para 4.410 profissionais, sendo mais da metade composta por indígenas. Além disso, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) está conduzindo queimas prescritas em áreas públicas de risco e emitindo alertas climáticos para propriedades no Pantanal.

O Ministério das Cidades está investindo R$ 33,5 bilhões em obras de drenagem e contenção de encostas, além de R$ 25 bilhões para garantir o abastecimento de água, especialmente no Norte do país.

Contexto histórico: lições de eventos anteriores

O El Niño da temporada 2023/2024 foi marcado pela maior seca em 70 anos no Brasil. Mais de 80% dos municípios enfrentaram algum nível de estiagem, com 1.349 cidades em situação severa ou extrema. Esses eventos deixaram um legado de aprendizado, motivando governos a adotarem medidas preventivas mais robustas.

Desde então, estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina têm reforçado seus protocolos de combate a desastres, enquanto o governo federal intensificou o monitoramento climático.

Projeções para o futuro

Conforme o meteorologista Leydson Dantas, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), há uma chance de 37% de o próximo El Niño ser muito forte, 30% de intensidade forte e 30% moderado. Isso significa que há uma chance real de o Brasil enfrentar um "Super El Niño".

Gilvan Sampaio, especialista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), reforça que os impactos no Brasil ocorrerão em momentos distintos. Enquanto o Sul enfrentará chuvas intensas na primavera, o Norte sofrerá com secas severas no início de 2027.

Medidas de mitigação: o que está sendo feito?

  • Santa Catarina: Decreto de alerta climático por 180 dias para liberar recursos emergenciais.
  • Rio Grande do Sul: Implementação do Plano Rio Grande, com investimentos em infraestrutura e monitoramento.
  • Amazonas: Monitoramento contínuo dos níveis dos rios e integração com órgãos locais.
  • Mato Grosso do Sul: Queimas prescritas para reduzir o risco de incêndios durante a seca.
  • Governo Federal: Ampliação do número de brigadistas e investimentos em obras de infraestrutura.

O desafio do aquecimento global

Embora o El Niño seja um fenômeno cíclico, especialistas alertam que ele está inserido em um contexto mais amplo de aquecimento global. Eventos climáticos extremos, como chuvas torrenciais e ondas de calor, estão se tornando mais frequentes e intensos.

Projeções sugerem que o planeta pode entrar em um cenário de "El Niño semipermanente" até o fim do século, aumentando ainda mais os desafios climáticos para países tropicais como o Brasil.

A Visão do Especialista

Diante da iminência do "Super El Niño", é essencial que governos, empresas e cidadãos se preparem para os impactos climáticos previstos. Investimentos em infraestrutura, monitoramento contínuo e ações preventivas são fundamentais para minimizar os danos.

Como destaca o meteorologista Gilvan Sampaio, "os episódios recentes de desastres climáticos no Brasil devem servir como alerta para a necessidade de adaptação e resiliência". Ele reforça que, embora o El Niño seja um fenômeno de curto prazo, o aquecimento global é uma questão estrutural que exige atenção imediata.

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