O Brasil permanece fora do Mapa da Fome pelo segundo ano consecutivo, de acordo com o relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira, 21 de julho de 2026. O documento aponta que o país atingiu o menor nível já registrado de pessoas em situação de insegurança alimentar severa, com uma taxa de apenas 0,6% da população.
O que é o Mapa da Fome?
O Mapa da Fome é produzido pela FAO, agência especializada da ONU em Alimentação e Agricultura, que analisa o acesso da população mundial à alimentação suficiente para uma vida ativa e saudável. Para que um país esteja fora do Mapa, menos de 2,5% da sua população deve estar em estado de subalimentação, ou seja, consumindo menos calorias do que o necessário de forma habitual.
Os avanços do Brasil em segurança alimentar
Segundo o relatório, 16,7 milhões de brasileiros deixaram a condição de insegurança alimentar severa no triênio de 2023 a 2025. Esse resultado reflete políticas públicas e esforços conjuntos de organizações internacionais e nacionais para reduzir a fome.
A proporção de pessoas que não conseguem pagar por uma alimentação saudável também caiu, ficando em 21,1% no triênio encerrado em 2025. Além disso, o custo médio de uma dieta saudável no Brasil foi de US$ 4,89 por pessoa ao dia, abaixo da média da América Latina e Caribe (US$ 4,91).
Contexto histórico: saída e retorno ao Mapa da Fome
O Brasil saiu do Mapa da Fome pela primeira vez em 2014, após uma série de políticas de inclusão social e programas de combate à pobreza. No entanto, entre 2018 e 2020, o país voltou à lista devido ao aumento da insegurança alimentar causado por crises econômicas e sociais.
Desde então, os números vêm melhorando gradualmente. Em 2025, menos de 2,5% da população brasileira estava em risco de subalimentação, consolidando a posição do país fora do Mapa.
O panorama global
Embora o Brasil tenha apresentado avanços, o cenário mundial ainda preocupa. Segundo o relatório da ONU, 645 milhões de pessoas enfrentaram fome no triênio encerrado em 2025. Apesar disso, houve uma leve redução em relação aos triênios anteriores: 659 milhões em 2024 e 673 milhões em 2023.
A taxa global de fome caiu para 7,8% em 2025, um progresso em relação aos 8,1% registrados em 2024. No entanto, a ONU alerta que bilhões de pessoas ainda têm dificuldade para acessar uma alimentação saudável.
Como são calculados os indicadores da FAO?
A FAO utiliza uma metodologia que combina dados demográficos e macroeconômicos, como tamanho da população, perfil de renda e custo médio de uma cesta de alimentos saudável. Esses fatores ajudam a determinar o nível de insegurança alimentar em cada país.
Além disso, a FAO considera o impacto de variáveis globais, como crises climáticas, conflitos armados e mudanças no mercado de alimentos, que influenciam diretamente os níveis de fome.
Impactos no mercado e na sociedade
O avanço nos indicadores de segurança alimentar no Brasil reflete diretamente na economia e na saúde pública. Com mais pessoas tendo acesso a alimentos adequados, há uma redução nos gastos com saúde relacionados a doenças causadas pela má nutrição.
Além disso, o aumento do consumo interno de alimentos saudáveis impulsiona setores como agricultura e varejo, gerando empregos e estimulando o crescimento econômico.
Desafios e próximos passos
Apesar dos avanços, o Brasil ainda enfrenta desafios significativos. A desigualdade de renda e o acesso limitado a alimentos saudáveis em algumas regiões continuam sendo barreiras para a erradicação completa da fome.
A ONU recomenda que o país invista em políticas de longo prazo, como segurança alimentar sustentável, educação nutricional e programas de combate à pobreza, para consolidar os resultados obtidos.
A Visão do Especialista
Especialistas em segurança alimentar avaliam que o Brasil está em um momento crucial para transformar os avanços recentes em conquistas permanentes. Para isso, é necessário manter a vigilância sobre os indicadores e investir em estratégias que promovam inclusão social e acesso universal à alimentação saudável.
Com os dados apresentados, o Brasil tem a oportunidade de servir como modelo para outros países em desenvolvimento, mostrando que é possível reverter cenários de insegurança alimentar severa com políticas públicas eficazes e colaboração internacional.
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