O Banco de Brasília (BRB) assumiu um empréstimo de R$ 152,9 milhões realizado pelo Banco Master para a 3D Minerals, empresa que detém direitos sobre a maior área de exploração de minerais críticos no Brasil. A transação, inicialmente realizada em novembro de 2024, foi transferida ao BRB em julho de 2025, no contexto de um amplo processo de substituição de ativos identificados como problemáticos no balanço do Banco Master.

O que são minerais críticos e por que são estratégicos?

Minerais críticos são recursos essenciais para tecnologias avançadas, como baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas e painéis solares. Elementos como lítio, cobalto, níquel e terras raras estão entre os mais cobiçados. A crescente demanda global, impulsionada pela transição energética e pela digitalização, colocou esses minerais no centro de disputas geopolíticas.

O Brasil, com sua vasta riqueza mineral, desponta como um dos principais players potenciais nesse mercado estratégico. A 3D Minerals, em particular, obteve direitos de exploração em 263 áreas espalhadas pelo país, cobrindo 35 tipos de minerais, incluindo 116 áreas de pesquisa de minerais críticos, em um leilão da Agência Nacional de Mineração (ANM) realizado em 2024.

Entenda a transação entre Master e BRB

O empréstimo de R$ 152,9 milhões foi concedido pelo Banco Master à 3D Minerals poucos meses após a empresa ser criada, em agosto de 2024, com um capital social de apenas R$ 5 mil. O financiamento foi garantido por 50% das ações da empresa. De acordo com a ANM, a 3D Minerals utilizou parte do valor para honrar os pagamentos relacionados às áreas arrematadas no leilão.

Quando o Banco Central identificou ativos fraudulentos no balanço do Banco Master em 2025, o BRB herdou o empréstimo como parte de um processo de substituição de créditos. O saldo devedor do financiamento já havia subido para R$ 175,1 milhões na época da transferência, indicando que a dívida não foi amortizada de forma significativa.

Por que o caso chama atenção?

A cessão do crédito ao BRB ocorreu com um deságio de 36%, reduzindo seu valor para R$ 112 milhões. Isso levanta questões sobre a viabilidade econômica do empréstimo e a gestão de riscos no setor financeiro. Além disso, as garantias oferecidas — metade das ações da 3D Minerals — dependem do sucesso da exploração mineral, um setor com elevados níveis de incerteza e volatilidade.

Especialistas apontam que a combinação de ativos duvidosos, parcerias empresariais opacas e a dependência de um mercado volátil tornam o caso emblemático dos desafios enfrentados pelo sistema financeiro brasileiro.

A ligação entre 3D Minerals e os grupos Vorcaro e Wanderley

Os vínculos financeiros entre os fundadores da 3D Minerals, Eduardo e Daniel Wanderley, e a família Vorcaro, que controlava o Banco Master, são objeto de intensa investigação. Documentos judiciais sugerem que o banco foi usado como instrumento para desviar recursos em benefício dos Vorcaro, em operações que incluíram cédulas de crédito bancário e investimentos.

Além disso, os dois grupos empresariais possuem uma relação estreita em outros negócios, desde mineração até a sociedade em bens de luxo como aeronaves executivas. Essas conexões reforçam as suspeitas sobre o uso indevido de recursos e a falta de transparência na operação.

Impacto no mercado de minerais críticos

A 3D Minerals está bem posicionada para explorar minerais estratégicos, mas sua capacidade de execução é incerta. O setor de mineração exige altos investimentos em tecnologia, infraestrutura e conformidade regulatória. Especialistas destacam que a falta de clareza sobre os detalhes financeiros e operacionais da empresa pode prejudicar sua competitividade.

Além disso, o Brasil enfrenta desafios no desenvolvimento de uma política robusta para minerais críticos, necessária para atrair investidores e garantir a exploração sustentável desses recursos.

Repercussão no sistema financeiro

A transferência de ativos problemáticos do Banco Master para o BRB levanta preocupações sobre a saúde financeira das instituições envolvidas. O caso ilustra os riscos de práticas inadequadas de concessão de crédito e a necessidade de maior fiscalização do sistema bancário.

Embora o BRB tenha declarado que está adotando medidas de governança e gestão de riscos, a falta de informações detalhadas sobre a operação dificulta uma avaliação precisa de sua exposição financeira.

Perspectivas futuras para o setor

O sucesso da 3D Minerals pode impulsionar o Brasil como líder global no mercado de minerais críticos, mas isso depende de uma série de fatores. Entre eles, estão a capacidade da empresa de atrair investimentos, superar desafios logísticos e atender às exigências ambientais.

No contexto financeiro, o caso ressalta a importância de maior transparência e regulação nas operações bancárias relacionadas a projetos de alto risco.

A visão do especialista

O caso do empréstimo do BRB para a 3D Minerals é um microcosmo dos desafios e oportunidades enfrentados pelo Brasil na exploração de minerais críticos. Embora o país tenha um enorme potencial nesse segmento, a falta de transparência e os problemas de governança podem comprometer a confiança dos investidores e o desenvolvimento sustentável do setor.

Para especialistas, é essencial que o governo e as instituições financeiras aprimorem os mecanismos de fiscalização e criem políticas públicas que incentivem uma exploração responsável. Somente assim o Brasil poderá aproveitar plenamente seus recursos minerais estratégicos e consolidar sua posição no mercado global.

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