Um border collie famoso nas redes chinesas foi roubado, abatido e vendido em restaurante, gerando comoção nacional. O cão, chamado Chutou, tinha mais de 1,5 milhão de seguidores na Douyin e desapareceu em maio de 2026 enquanto seu tutor, o influenciador Guo, estava em viagem ao exterior.

Cachorro famoso é roubado e servido em restaurante, causando indignação pública.
Fonte: ultimosegundo.ig.com.br | Reprodução

Contexto histórico e relevância nas redes sociais

Chutou tornou‑se um ícone digital ao acompanhar expedições por desertos, montanhas nevadas e rotas isoladas da China desde 2018. Seus vídeos acumulavam visualizações diárias que ultrapassavam 200 mil, posicionando‑o como um dos "animais influenciadores" mais seguidos do país.

O roubo e a captura pelas câmeras de segurança

Cachorro famoso é roubado e servido em restaurante, causando indignação pública.
Fonte: ultimosegundo.ig.com.br | Reprodução

Imagens de vigilância mostraram um homem e uma mulher em scooter elétrica invadindo a propriedade rural em Henan e retirando o animal à força. O cão ainda vestia coleira com rastreador GPS, que registrou a rota até um vilarejo a 12 km de distância.

Relato do tutor e a venda do animal

Guo informou que o suspeito vendeu Chutou por 180 yuans (cerca de R$ 130) a um comerciante ligado ao mercado de carne de cachorro. O animal foi abatido e, segundo testemunhas, servido no mesmo dia em um restaurante especializado.

Investigação policial e enquadramento legal

A polícia de Henan abriu inquérito sob a acusação de furto de propriedade, pois a legislação nacional ainda não tipifica a carne de cachorro como crime de maus‑tratos. O caso está sendo tratado como roubo, com possibilidade de inclusão de crime contra a fauna silvestre se for comprovado tráfico.

Legislação chinesa sobre consumo de carne canina

Embora cidades como Shenzhen e Zhuhai proíbam o consumo de carne de cães e gatos, não existe uma lei federal que abarque todo o território. A ausência de normatização deixa brechas para o comércio clandestino.

Mapa de proibições regionais

CidadeAno da proibiçãoTipo de proibição
Shenzhen2020Proibição total de comércio e consumo
Zhuhai2021Proibição total de comércio e consumo
GuangzhouRegulamentação parcial (restrição em áreas turísticas)
Henan (rural)Ausência de proibição específica

Repercussão nas redes sociais e mobilização popular

Mais de 2,3 milhões de usuários comentaram a tragédia, gerando hashtags como #JustiçaParaChutou que alcançaram 15 milhões de visualizações. Petições online pediram a criação de um código penal nacional para proteção de animais domésticos.

Impacto no mercado de restaurantes que servem carne de cachorro

Estudos de mercado indicam queda de 12 % nas receitas de estabelecimentos que comercializam carne de cachorro nas províncias afetadas. A reação dos consumidores tem impulsionado a transição para menus veganos ou de carnes convencionais.

Especialistas em direito animal analisam o caso

Professora Liu Wei, da Universidade de Direito de Pequim, afirma que o caso evidencia "uma lacuna normativa que permite que crimes contra animais sejam enquadrados apenas como furto". Ela recomenda a inclusão de "proteção de animais de companhia" no Código Penal.

Dimensões econômicas do comércio ilegal de carne canina

Pesquisas da ONG Animalia estimam que o mercado clandestino de carne de cachorro movimenta entre US$ 30 milhões e US$ 45 milhões anuais na China. O preço médio por quilograma varia de 80 a 120 yuans, comparado a 30 yuans da carne de frango.

Perspectivas de mudança legislativa

O Projeto de Lei 2026‑09, apresentado na Assembleia Popular Nacional, propõe penalidades de até 5 anos de prisão para quem comercializar carne de cães e gatos. O texto ainda está em fase de consulta pública, mas conta com apoio de mais de 300 mil assinaturas.

A Visão do Especialista

Para o analista de políticas públicas Zhang Min, o episódio de Chutou pode servir de catalisador para a consolidação de uma legislação nacional de proteção animal. Ele alerta que, sem pressão social contínua, o risco de retrocessos permanece, sobretudo em áreas rurais onde a tradição cultural ainda favorece o consumo.

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