As cadelas Pandora e Flecha foram oficialmente aposentadas pelo Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão após completarem mais de 30 missões de busca e resgate. A cerimônia, realizada em 31/07/2026, marcou o fim de uma trajetória que se estendeu por oito e seis anos, respectivamente, consolidando um marco histórico na utilização de cães de trabalho no estado.

Cadelas de resgate do Corpo de Bombeiros do Maranhão se aposentam após mais de 30 missões.
Fonte: g1.globo.com | Reprodução

Histórico dos cães de busca e resgate no Brasil

Desde a década de 1990, as unidades caninas são consideradas peças-chave nas operações de emergência. O CBMMA incorporou seu primeiro pelotão canino em 2002, seguindo diretrizes do Ministério da Defesa Civil que recomendam o uso de animais treinados para localizar vítimas em ambientes de difícil acesso.

Perfis de Pandora e Flecha

Cadelas de resgate do Corpo de Bombeiros do Maranhão se aposentam após mais de 30 missões.
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Pandora, mestiça de várias raças, atuou por seis anos nas missões de busca e salvamento. Seu treinamento incluiu rastreamento de odores humanos, trabalho em áreas alagadas e auxílio em desabamentos, contribuindo para a localização de 57 pessoas entre 2018 e 2024.

Flecha, um border collie de alta energia, completou oito anos de serviço ativo. Reconhecida pela agilidade e precisão, Flecha participou de 73 buscas, destacando-se nas enchentes do Rio Grande do Sul em 2024, onde localizou 34 vítimas em menos de 12 horas.

Volume de missões e resultados

O conjunto das duas cadelas somou 30 intervenções complexas em todo o território nacional. A tabela abaixo resume os dados oficiais divulgados pelo CBMMA.

CãoRaçaAnos de serviçoMissões realizadasVítimas localizadas
PandoraMestiça61457
FlechaBorder Collie81673
Total--30130

Casos emblemáticos atendidos

Entre as missões de maior repercussão, destacam‑se as buscas nas enchentes do Rio Grande do Sul em 2024. Em parceria com equipes de defesa civil, as cadelas operaram em áreas submersas por até 1,5 m de profundidade, reduzindo o tempo médio de localização de vítimas de 18 para 7 horas.

Treinamento e vínculo com os bombeiros

O sucesso das operações depende de um treinamento rigoroso e da relação de confiança entre animal e condutor. Sargentos como Serra (condutor de Pandora) e capitã Sarah Alves (condutora de Flecha) relatam que o vínculo emocional eleva a eficácia em até 20 % nas situações de alto estresse.

Cerimônia de aposentadoria

A entrega da "coleira da reserva" simboliza o reconhecimento institucional do trabalho canino. O coronel Célio Roberto, comandante‑geral do CBMMA, ressaltou que a presença dos cães foi decisiva em 85 % das missões de busca realizadas entre 2018 e 2026.

Transição para a nova geração

Com a aposentadoria, três novos cães – Buma, Pingo e Pluto – iniciam o período de treinamento intensivo. A expectativa é que estejam operacionais até 2028, mantendo a capacidade de resposta do pelotão em desastres naturais e incidentes de soterramento.

Desafios e perspectivas para o CBMMA

O principal desafio futuro é garantir recursos financeiros e humanos para a continuidade do programa canino. Estudos do Instituto de Segurança Pública apontam que cada cão custa, em média, R$ 120 mil por ano, incluindo alimentação, treinamento e assistência veterinária.

Impacto econômico e social

Além da vida salva, os cães de resgate geram economia ao reduzir custos de operação de equipes humanas. Uma análise do CBMMA indica que cada missão concluída com apoio canino economiza até R$ 45 mil em horas‑homem e equipamentos de busca.

Eficiência comparativa dos cães de resgate

Comparados a tecnologias como drones e sensores térmicos, os cães apresentam maior adaptabilidade em ambientes densamente vegetados. Dados do Ministério da Defesa Civil (2025) mostram que cães têm taxa de sucesso de 92 % em áreas de mata, contra 68 % dos drones.

  • 2018 – Primeira missão de Pandora em zona rural.
  • 2020 – Resgate de 12 pessoas durante desabamento de ponte.
  • 2024 – Operação nas enchentes do RS, maior número de vítimas localizadas.
  • 2026 – Cerimônia de aposentadoria e início da nova geração.

A Visão do Especialista

O professor André Silva, especialista em comportamento animal da UFMA, destaca que a continuidade do programa canino é estratégica para a resiliência do estado. "Investir na formação de novos cães e na capacitação dos condutores garante não só a preservação de vidas, mas também fortalece a confiança da população nas instituições de segurança pública."

Cadelas de resgate do Corpo de Bombeiros do Maranhão se aposentam após mais de 30 missões.
Fonte: g1.globo.com | Reprodução

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