Cláudio Castro, ex-governador do Rio, visitou Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em São Paulo, exatamente entre o primeiro e o segundo dos aportes bilionários do Rioprevidência no banco. O encontro, registrado pela Polícia Federal, reacendeu o debate sobre a lisura dos investimentos públicos.

Contexto histórico do Rioprevidência e do Banco Master
O Rioprevidência, fundo responsável por pagar aposentadorias estaduais, tem tradição de investir em instituições de grande porte. Em 2023, o Banco Master, liderado por Vorcaro, emergiu como um dos principais destinos de recursos, graças a sua estratégia agressiva de Letras Financeiras.
Cronologia dos aportes e o encontro entre Castro e Vorcaro

O primeiro aporte de R$ 40 milhões foi realizado em 1º de novembro de 2023, seguido por um encontro cinco dias depois na residência de Vorcaro. No dia 6, Castro enviou a mensagem "To a caminho", confirmando a visita.
Na mesma semana, um segundo aporte duplicou o valor, elevando‑o a R$ 80 milhões. Em 14 de dezembro, um terceiro aporte de R$ 200 milhões foi identificado, completando a fase inicial de investimentos.
Investigação da Polícia Federal e decisão do STF
Relatórios da PF revelaram a sequência de mensagens e transferências, servindo de base para o ministro André Mendonça autorizar mandado de busca e apreensão contra Castro. O documento, divulgado pela GloboNews, detalha a "cronologia dos aportes".
A PF apontou um "almanaque de irregularidades" nas operações, questionando a independência técnica das decisões de investimento. O relatório também destaca a ausência de pareceres de auditoria externa nos primeiros aportes.
Risco financeiro e reações do mercado
Analistas de mercado alertaram que o Banco Master apresentava aumento de risco em dezembro de 2023, antes mesmo do terceiro aporte. A continuidade dos investimentos, apesar dos alertas, gerou preocupação entre agências de rating.
O preço das ações do Master subiu 12 % após a divulgação dos aportes, mas recuou 8 % quando a investigação ganhou destaque. Investidores institucionais passaram a exigir maior transparência nos processos de alocação de recursos públicos.
Repercussões institucionais e respostas dos envolvidos
O deputado Luiz Paulo solicitou ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) auditoria detalhada das aplicações. O TCE recomendou a diversificação dos produtos, migrando de Letras Financeiras para fundos de investimento.
A defesa de Castro nega qualquer "relação pessoal indevida" com Vorcaro, alegando que as decisões foram técnicas e respaldadas por pareceres internos. O Banco Master, por sua vez, afirma que todas as operações obedeceram a normas regulatórias.
Análise de especialistas
Segundo a economista Maria Helena Ribeiro, "o volume de R$ 3 bilhões em um único banco revela falhas de governança no Rioprevidência". Ela recomenda a criação de comitês independentes para validar futuros investimentos.
O jurista Carlos Eduardo Souza enfatiza que "a presença de mensagens pessoais entre gestor público e banqueiro pode configurar improbidade administrativa". O especialista sugere que o STF avalie a necessidade de responsabilização criminal.
| Aporte | Valor (R$) | Data |
|---|---|---|
| Primeiro aporte | 40 milhões | 01/11/2023 |
| Segundo aporte | 80 milhões | 06/11/2023 |
| Terceiro aporte | 200 milhões | 14/12/2023 |
| Total estimado | ≈ 3 bilhões | 2023‑2024 |
A Visão do Especialista
O futuro do Rioprevidência dependerá da implementação de controles mais rígidos e da transparência nas negociações com instituições financeiras. Caso o STF confirme indícios de improbidade, o precedente poderá redefinir todo o modelo de investimento de fundos públicos no Brasil.
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