A nova configuração partidária na Bahia foi oficialmente definida após o encerramento da janela partidária, um período crucial para o redesenho das forças políticas no estado. A última mudança ocorreu em 15 de abril de 2026, com a transferência do deputado estadual Cafu Barreto, do PSD para o União Brasil, marcando sua entrada na oposição ao governo do atual governador Jerônimo Rodrigues (PT). Este movimento consolidou o cenário político na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), com implicações importantes para a governabilidade e as eleições de 2026.

O impacto da janela partidária na Assembleia Legislativa da Bahia
Com a reconfiguração partidária, o Avante emergiu como o maior destaque, ao saltar de um para sete deputados estaduais, registrando um surpreendente crescimento de 600%. Esse movimento reposiciona o partido como um ator relevante dentro da base governista e um possível protagonista nas estratégias eleitorais futuras.
O PT e o PSD seguem liderando a composição da Alba, com cada partido mantendo 10 deputados em suas bancadas. Enquanto o PT não perdeu nenhum representante e se fortaleceu com a chegada de Angelo Almeida, o PSD compensou as baixas de Angelo Coronel Filho e Cafu Barreto com três novas filiações: Ludmilla Fiscina, Niltinho e Raimundinho da JR.
Por outro lado, algumas legendas sofreram perdas significativas. O PP, por exemplo, viu sua bancada cair de seis para quatro deputados, enquanto partidos menores, como Solidariedade, PRD e Podemos, perderam toda a sua representação na Alba. Esses resultados destacam o enfraquecimento dos partidos nanicos no cenário político estadual.
Composição final da Assembleia Legislativa
Abaixo está a nova configuração dos partidos na Alba após o período da janela partidária:
| Partido | Bancada Anterior | Bancada Atual | Variação |
|---|---|---|---|
| Avante | 1 | 7 | +600% |
| PT | 9 | 10 | +11% |
| PSD | 9 | 10 | +11% |
| PP | 6 | 4 | -33% |
| Solidariedade | 1 | 0 | -100% |
| PRD | 1 | 0 | -100% |
| Podemos | 1 | 0 | -100% |
Como ficou a Câmara dos Deputados
No âmbito federal, a bancada baiana na Câmara dos Deputados apresentou mudanças menos expressivas. Das 39 cadeiras, apenas quatro sofreram alterações durante o período da janela partidária. O Republicanos foi o partido mais beneficiado, aumentando sua representação de três para cinco parlamentares, com as adesões de Diego Coronel e Leo Prates.
O PT manteve sua liderança com sete deputados, seguido pelo PSD, que agora possui seis cadeiras. O União Brasil, por sua vez, permanece com seis deputados, consolidando-se como uma força relevante na oposição, enquanto o PL mantém três representantes.
Composição da bancada baiana na Câmara dos Deputados
| Partido | Bancada Atual | Variação |
|---|---|---|
| Republicanos | 5 | +2 |
| PT | 7 | 0 |
| PSD | 6 | -1 |
| União Brasil | 6 | 0 |
| PL | 3 | 0 |
O que as mudanças representam para o futuro político
Com a nova composição, a base do governo estadual mantém uma ampla maioria na Alba, com 40 dos 63 parlamentares. Isso deverá facilitar a aprovação de projetos do governador Jerônimo Rodrigues até o final de sua gestão. Entretanto, a oposição, que agora conta com 22 deputados, continua relevante, especialmente com o reforço do União Brasil e do PL.
De acordo com o estrategista político Yuri Almeida, o fortalecimento do Avante, do PT e do PSD demonstra uma estratégia bem-sucedida das bases governistas em consolidar sua posição de liderança. Por outro lado, a oposição não conseguiu converter a insatisfação popular em ganhos significativos de novos quadros, o que pode dificultar sua articulação para as eleições de 2026.
A visão do especialista
A reconfiguração partidária na Bahia reflete um cenário de continuidade política para a base governista, que mantém uma maioria sólida na Assembleia Legislativa. O crescimento do Avante é um indicativo de como partidos emergentes podem se consolidar como forças políticas relevantes em um cenário estadual marcado pela polarização entre governo e oposição.
Para o professor Yuri Almeida, o fortalecimento dos grandes partidos da base governista é um passo estratégico para as próximas eleições, enquanto a oposição enfrenta o desafio de superar sua estagnação e construir uma narrativa capaz de atrair novos quadros e eleitores. Com a correlação de forças definida, o cenário político baiano aponta para uma disputa intensa em 2026.
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