O coletivo Vende Peixe‑se chegou ao palco de Belo Horizonte nesta sexta‑feira (29/05) para lançar o single "Chama chama ninguém atende" e já está dando o que falar nas redes.

Contexto histórico: da garagem à cena alternativa
Francesco Napoli, o cérebro por trás do projeto, já era referência na cena underground mineira antes de fundar o Vende Peixe‑se. Músico, poeta e pesquisador, Napoli decidiu criar o grupo em 2025 como resposta à "produção pasteurizada" que domina o streaming.
A estreia no Teatro Sesiminas
O show de lançamento contou com sete faixas inéditas gravadas no Forest Lab, em São José do Meriti. A produção ficou a cargo de Felipe Lisciel, que trouxe uma sonoridade crua e experimental ao álbum.
Roteiro da apresentação
- "Chama chama ninguém atende" – single oficial;
- "Jogo" – improviso sobre locução de partida histórica;
- Mash‑up "Piranha / Canoa, canoa";
- Fragmentos de Tom Zé, Raul Seixas e Gal Costa.
Estratégia anti‑streaming e o plano Aldir Blanc
Financiado pelo edital "Seu single na Inconfidência" da rádio FM mineira, o projeto aposta na valorização da performance ao vivo. Napoli afirma que o single foi pensado "para as plataformas", mas a experiência completa só acontece em concertos presenciais.
Repercussão na web: memes, críticas e elogios
Twitter explodiu com o #VendePeixeSe, gerando mais de 12 mil tweets em 24h. Influenciadores de música indie elogiaram a mistura de coco, rock dos anos 90 e colagem sonora, enquanto alguns críticos questionaram a "excessiva experimentação".
Impacto no mercado independente
Especialistas apontam que o Vende Peixe‑se pode abrir caminho para outros coletivos que buscam fugir do modelo de consumo massificado. A iniciativa demonstra que recursos públicos ainda podem impulsionar projetos de nicho com alto valor cultural.
| Data | Local | Ingressos | Preço (R$) |
|---|---|---|---|
| 29/05/2026 | Teatro Sesiminas | Inteira | 20 |
| 29/05/2026 | Teatro Sesiminas | Meia | 10 |
| 30/05/2026 | BeFly Hall | Inteira | 260 |
| 30/05/2026 | BeFly Hall | Meia | 100 |
Os bastidores: criatividade em tempo real
Durante os ensaios, a banda utiliza sintetizadores, fragmentos de áudio e ruídos urbanos que são manipulados ao vivo. Essa abordagem cria "experiências irrepetíveis", segundo Napoli.
Colaborações e influências
Além dos membros fixos – Raphael Sales (baixo), Danilo Derick (bateria) e Pablo Campos (teclado/lira) – o coletivo recebe participações de artistas da cena reggae e do rock experimental. A fusão de estilos reforça a proposta de "não hierarquia sonora".
Recepção do público em Belo Horizonte
O público presente descreveu o show como "um mergulho sensorial" e "uma aula de improvisação musical". A ocupação total do Sesiminas indica forte demanda por experiências ao vivo diferenciadas.
Visão de especialistas em música contemporânea
Professora de musicologia da UFMG, Drª. Lúcia Mota, destaca que o Vende Peixe‑se "reconfigura a relação entre artista e audiência na era do streaming". Ela aponta que a prática de colagem sonora remete a movimentos como o Fluxus.
Desafios e perspectivas para o futuro
Napoli admite que manter a produção independente será um desafio financeiro, mas confia na continuidade de editais como o Aldir Blanc. O coletivo já planeja uma turnê nacional para 2027.
A Visão do Especialista
Para o crítico cultural Rafael Gama, o Vende Peixe‑se representa "um manifesto sonoro contra a padronização da indústria musical". Ele prevê que projetos colaborativos semelhantes ganharão destaque, especialmente se combinarem apoio institucional e presença digital forte.
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