O Lide: Mudanças climáticas e tarifas impulsionam a pecuária chinesa
As alterações climáticas combinadas com políticas tarifárias elevam a produção de gado na China. Desde 2018, o rebanho nacional cresceu um terço, chegando a quase 90 milhões de cabeças, com cerca de 4 milhões concentrados em Tongliao, antes um deserto do Gobi.
Contexto histórico da região de Tongliao
Há três décadas, Tongliao era quase inteiramente areia e cascalho. O governo da Mongólia Interior iniciou um programa de reflorestamento e irrigação que, em 1990, cobria apenas 12 % da área com pastagens ou florestas, transformando gradualmente o cenário árido.
Como o clima está remodelando o norte da China
O aumento da precipitação anual desde a década de 1990 tem sido decisivo. Dados do Centro Nacional do Clima mostram que a região recebeu, em média, 15 % a mais de chuva nas últimas duas décadas, permitindo o desenvolvimento de forragem de qualidade.
Políticas tarifárias e cotas de importação
Tarifas de 55 % sobre carne bovina importada são ativadas ao atingir cotas anuais. Austrália já sofreu a aplicação da taxa em junho de 2026; o Brasil está próximo de alcançar o limite, o que protege produtores internos e incentiva a expansão do gado doméstico.
Impacto no mercado global de carne bovina
O consumo interno chinês pode redefinir a cadeia de suprimentos mundial. Com um mercado de US$ 500 bi, a China reduz a demanda por importações, pressionando exportadores como Argentina, Austrália, Brasil e EUA a buscar novos destinos.
Transformação da paisagem: de deserto a pastagem
Mais da metade da região agora sustenta agricultura e pecuária. O avanço de plantações e pastagens chegou a 64 % da área total, reduzindo o deserto para 36 %.
| Ano | % de Área Cultivada | % de Área Desértica |
|---|---|---|
| 1990 | 12 % | 88 % |
| 2026 | 64 % | 36 % |
Estratégias agrícolas e energéticas
Plantações de árvores, milho e painéis solares estabilizam o solo. O governo instalou mais de 2 milhões de hectares de culturas de milho e criou usinas solares que alimentam turbinas eólicas locais, integrando produção de energia limpa à pecuária.
Expansão do rebanho e tecnologia de inseminação
A China lidera importações de sêmen bovino, rivalizando com a UE. Segundo o Banco Mundial, o país compra mais de 1,2 bilhão de doses de sêmen por ano, elevando a produtividade e o tamanho médio dos animais.
Dinâmica de preços e consumo interno
Em 2024, o preço da carne bovina no atacado caiu 21 %. A combinação de maior oferta doméstica e queda nas importações devido às tarifas reduziu o custo para consumidores, embora tenha gerado revolta entre pequenos criadores que investiram em gado.
Fiscalização e manejo sustentável
Rede de sensores de movimento controla o pastoreio em áreas restauradas. Autoridades multam proprietários que violam a proibição de pastoreio em zonas de recuperação, evitando degradação do solo recém‑revegetado.
Desafios e perspectivas para a autossuficiência
Mesmo com avanços, a China ainda depende de importações para atender à demanda. A meta de autossuficiência total é distante; fatores como qualidade do solo, volatilidade climática e necessidade de tecnologia avançada permanecem como obstáculos.
A Visão do Especialista
O cenário indica que mudanças climáticas e políticas tarifárias são pilares da nova pecuária chinesa. A tendência de expansão continuará, mas requer investimentos em manejo de recursos hídricos, diversificação de rações e monitoramento ambiental para evitar retrocessos ecológicos.
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