Daniella Marques, coordenadora do núcleo de economia da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), voltou a ganhar destaque ao afirmar que "mulheres não são vítimas da sociedade". A declaração, feita em uma transmissão ao vivo no canal do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) em 20 de julho de 2026, reforça o tom da proposta "Brasil por Elas", que busca ampliar a autonomia feminina por meio de políticas econômicas e sociais.

O contexto da declaração

Durante a live, Daniella Marques destacou que o programa "Brasil por Elas" foi desenvolvido com base em indicadores do IBGE e outros estudos sobre a realidade socioeconômica das mulheres brasileiras. Segundo ela, a proposta visa promover a qualificação profissional, a inclusão digital e a entrada no mercado de trabalho, reconhecendo o papel central das mulheres como chefes de família em mais da metade dos lares brasileiros.

Em suas palavras, "as mulheres são fortes. Quem tem força para parir um filho tem força para qualquer coisa". A ex-presidente da Caixa Econômica Federal também criticou o que classificou como um "discurso de vitimização", defendendo que a pauta feminina deve priorizar a liberdade econômica e o empreendedorismo.

Indicadores sociais e econômicos das mulheres brasileiras

Dados oficiais do IBGE mostram que 51% dos lares brasileiros são chefiados por mulheres. Além disso, elas dedicam, em média, 10 horas semanais a mais do que os homens aos cuidados domésticos e familiares, o que impacta diretamente em suas oportunidades de qualificação e empregabilidade. Daniella Marques chamou essa sobrecarga de "economia do cuidado", um trabalho não remunerado que, segundo ela, representa cerca de 8,5% do PIB do país.

Indicador Mulheres Homens
Chefes de família 51% 49%
Horas semanais dedicadas a afazeres domésticos 20,9 horas 10,9 horas
Participação na força de trabalho 45,6% 64,3%

A proposta "Brasil por Elas"

O programa "Brasil por Elas" foi desenhado para abordar os desafios enfrentados pelas mulheres no Brasil, integrando medidas de inclusão tecnológica, qualificação profissional e combate à violência doméstica. Segundo Daniella, essas ações buscam criar condições para que as mulheres tenham maior autonomia financeira e acesso a oportunidades econômicas.

Entre as medidas propostas estão:

  • Plataformas digitais para qualificação e capacitação profissional;
  • Incentivos para o empreendedorismo feminino;
  • Apoio à inclusão de mulheres em setores tecnológicos e de alta demanda;
  • Políticas públicas voltadas a reduzir a carga de trabalho doméstico não remunerado.

Críticas à abordagem da oposição

Além de apresentar a proposta, Daniella Marques apontou críticas à narrativa defendida pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Ela afirmou que o PT construiu um discurso de proteção às mulheres que, segundo ela, busca monopolizar a pauta feminina e rotular mulheres identificadas com a direita como submissas.

Em suas palavras, "o PT utiliza a narrativa de que só a esquerda defende as mulheres, criando divisões políticas e estereótipos que não refletem a realidade". Daniella defendeu que as mulheres devem ser vistas como protagonistas e não como vítimas, independentemente de sua posição política.

Repercussão política e social

A declaração de Daniella Marques gerou reações diversas na esfera pública. Enquanto apoiadores elogiaram a proposta como um avanço pragmático para a inclusão feminina, críticos apontaram que a retórica de "não vitimização" pode minimizar as dificuldades enfrentadas por mulheres em situações de vulnerabilidade.

Especialistas em políticas públicas destacaram que a inclusão econômica é um passo essencial, mas alertaram que medidas complementares, como a ampliação de creches e políticas de combate à violência doméstica, são igualmente imprescindíveis para garantir autonomia feminina.

A pauta feminina na pré-campanha de Flávio Bolsonaro

A estratégia de incluir a pauta feminina como um dos eixos centrais na pré-campanha de Flávio Bolsonaro reflete uma tentativa de atrair o eleitorado feminino, que tem se mostrado cada vez mais relevante nas disputas eleitorais no Brasil. Dados das últimas eleições mostram que as mulheres representam 52% do eleitorado nacional.

A equipe de campanha de Flávio Bolsonaro vê em Daniella Marques uma figura-chave para estabelecer um diálogo com esse público. Sua experiência como ex-presidente da Caixa e sua atuação no setor financeiro são destacadas como diferenciais na formulação de políticas voltadas à autonomia econômica feminina.

A Visão do Especialista

A inclusão da pauta feminina na pré-campanha de Flávio Bolsonaro pode representar um movimento estratégico em um cenário político cada vez mais polarizado. Especialistas apontam que, ao defender a autonomia econômica das mulheres e criticar o discurso de vitimização, Daniella Marques busca alinhar-se a uma base conservadora enquanto tenta ampliar o alcance da campanha para um público mais amplo.

No entanto, o sucesso dessas propostas dependerá de como serão implementadas e da capacidade do programa "Brasil por Elas" de responder aos desafios concretos enfrentados pelas mulheres no Brasil. A integração de políticas econômicas com iniciativas sociais, como o acesso a creches e a garantia de segurança, será fundamental para transformar essas ideias em resultados práticos.

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