Cuiabá inicia a repressão ao comércio ambulante irregular nas imediações de unidades de saúde como parte do programa "Ambulantes em Ordem", visando garantir a segurança sanitária e o fluxo livre de pacientes nas áreas hospitalares.

Contexto Histórico do Comércio Ambulante em Cuiabá

Desde a década de 1990, o comércio informal tem sido presença marcante nas vias centrais da capital mato‑grossense, alimentando milhares de famílias e preenchendo lacunas de oferta alimentar.

Entretanto, a falta de regulamentação gerou conflitos com a ordem pública e a saúde municipal. Episódios de contaminação e obstrução de acessos a hospitais motivaram intervenções pontuais ao longo dos últimos vinte anos.

O Programa "Ambulantes em Ordem"

Instituído em 2024, o programa reúne a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Sorp), a Vigilância Sanitária e a Segurança Pública para criar um marco regulatório abrangente.

O objetivo central é transformar a informalidade em atividade legalizada, sem comprometer a saúde pública. A estratégia inclui orientação, emissão de Termos de Permissão de Uso (TPU) e fiscalização coordenada.

Legislação e Distâncias Obrigatórias

O decreto municipal vigente proíbe a instalação de qualquer equipamento a menos de 50 metros das entradas de hospitais, UPA, prontos‑socorros e ambulatórios.

Essa medida assegura o acesso desimpedido a serviços de emergência e reduz o risco de contaminação por alimentos manipulados em condições inadequadas.

Fiscalização e Estratégias Operacionais

A primeira fase de ação será na UPA Morada do Ouro, onde fiscais da Sorp e da Vigilância Sanitária realizarão notificações, orientações e, se necessário, apreensões.

As equipes contarão com apoio da Polícia Militar para garantir a segurança dos agentes e dos comerciantes durante as intervenções.

  • 01/05/2026 – Início da fiscalização na UPA Morada do Ouro;
  • 15/05/2026 – Expansão para a UPA do Centro;
  • 30/05/2026 – Avaliação de resultados e ajustes de rotas de fiscalização.

Impactos no Mercado e na Saúde Pública

Ao restringir a presença de vendedores próximos às unidades de saúde, espera‑se melhorar a qualidade do ar e reduzir a incidência de doenças gastrointestinais associadas a alimentos de procedência duvidosa.

Para o comércio informal, a medida representa um desafio, mas também abre portas para a regularização e acesso a microcrédito.

Reações da Comunidade de Vendedores

Associações de ambulantes manifestaram preocupação com a perda de renda, porém reconhecem a necessidade de condições mais seguras para a população.

Juliana Palhares, secretária da Sorp, enfatiza que o programa inclui apoio técnico para adequação dos pontos de venda.

Desafios e Oportunidades de Regularização

O principal obstáculo é a burocracia para obtenção do TPU, que exige laudos de higiene, plano de descarte de resíduos e comprovação de endereço.

Iniciativas de simplificação de processos e capacitação de vendedores podem transformar o comércio ambulante em um setor formalizado e fiscalmente responsável.

Comparativo de Penalidades

As sanções variam conforme a gravidade da infração, indo de advertência até multa pesada e apreensão de mercadorias.

InfraçãoMulta (R$)Consequência
Instalação dentro de 50 m sem TPU500Notificação e retirada do ponto
Venda de alimentos em condições insalubres2.000Apreensão de mercadorias
Reincidência dentro de 30 dias5.000Suspensão do TPU por 90 dias

Perspectivas Futuras

Com a consolidação do "Ambulantes em Ordem", a prefeitura de Cuiabá pretende criar corredores de venda regulamentados, integrando a economia informal ao planejamento urbano.

Esses corredores deverão ser equipados com infraestrutura de água potável, coleta de resíduos e sinalização de segurança.

A Visão do Especialista

Especialistas em saúde pública e ordenamento urbano concordam que a medida, embora impopular entre alguns vendedores, é essencial para proteger pacientes e melhorar a imagem da cidade.

O sucesso dependerá da capacidade do poder público de conciliar fiscalização rigorosa com suporte efetivo à regularização dos ambulantes. Uma política que combine controle sanitário, apoio financeiro e educação pode transformar o comércio informal em um aliado da saúde coletiva.

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