Uma pesquisa Datafolha divulgada em 19/05/2026 revela que 70% dos brasileiros percebem a relação entre o governo Lula e o Congresso Nacional como predominante de confronto. O levantamento, realizado em 2.004 entrevistas, traz números que podem influenciar o cenário político e econômico do país.

Contexto histórico da relação Executivo‑Legislativo

Desde a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, o embate entre os dois poderes tem se intensificado. O início do mandato foi marcado por acordos, mas divergências surgiram a partir de 2023, quando o Congresso retirou competências das pastas de Meio Ambiente e Povos Indígenas.

Metodologia Datafolha

O instituto aplicou o questionário em 139 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais. O registro foi oficializado no TSE sob o número BR-00290/2026, garantindo a validade dos dados para análise institucional.

Percepção da população: números da pesquisa

Confronto predominante70%
Cooperação predominante20%
Neutro (nem um nem outro)2%
Não sabe8%

Setenta por cento dos entrevistados classificam a relação como de maior confronto que colaboração. Apenas 20% veem predominância de cooperação, revelando um desequilíbrio de percepção.

Comparação com levantamentos anteriores

Em março de 2026, 39% dos brasileiros já consideravam o Legislativo ruim ou péssimo. A nova pesquisa indica estabilidade na avaliação negativa, mas um aumento na percepção de conflito entre Executivo e Congresso.

Principais embates recentes

O ápice do confronto ocorreu em abril, com a rejeição pelo Senado da indicação de Jorge Messias ao STF. O mesmo período trouxe a derrubada do veto à redução de penas para atos golpistas, ampliando a tensão institucional.

Reveses legislativos de 2023 a 2025

O Congresso derrubou vetos a medidas como a "saidinha" de presos e o PL do Veneno, além de impedir mudanças nas alíquotas do IOF. Essas ações foram interpretadas como resistência ao programa de governo.

Impacto no mercado financeiro

Os índices da Bolsa de Valores (IBOVESPA) registraram volatilidade de até 3,5% nas sessões que antecederam a rejeição de Messias. A moeda real também sofreu desvalorização de 0,8% frente ao dólar, refletindo a incerteza política.

Opinião de especialistas

Economistas apontam que o clima de confronto pode elevar o prêmio de risco país. O analista da XP Investimentos, Carlos Silva, destaca que "a instabilidade legislativa dificulta a implementação de reformas estruturais".

Políticos e cientistas sociais reforçam que a percepção pública influencia a agenda presidencial. A professora de ciência política da USP, Marina Torres, observa que "a legitimidade do Executivo depende da capacidade de negociar com o Legislativo".

Avaliação do Congresso pelos eleitores

Trinta e sete por cento dos entrevistados consideram o desempenho de deputados e senadores ruim ou péssimo. Apenas 15% dão avaliação positiva, enquanto 43% o classificam como regular.

Divisões sociodemográficas

Eleitores com renda intermediária e maior escolaridade demonstram maior descontentamento. A avaliação positiva do Congresso chega a 21% entre empresários, enquanto a negativa atinge 47% entre funcionários públicos.

Repercussões para a agenda de Lula

O governo busca aprovar a reforma tributária e a proposta que elimina a escala 6x1. O apoio de Hugo Motta, presidente da Câmara, tem sido crucial, mas a relação tensa com o Senado pode atrasar essas iniciativas.

Próximos passos políticos

O presidente Lula pretende avançar com a PEC da Segurança Pública no Senado. O desenrolar das negociações dependerá da capacidade de reduzir a percepção de "Congresso inimigo do povo" entre a população.

A Visão do Especialista

Analistas concordam que a percepção de confronto pode se transformar em pressão institucional para reformas. Se o governo conseguir articular alianças estratégicas, a instabilidade pode ser mitigada; caso contrário, o risco de paralisação legislativa aumenta, impactando investimentos e a confiança cidadã.

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