Os deputados federais mais votados em Minas Gerais nas eleições de 2022 têm se destacado não apenas nas urnas, mas também no ambiente digital. Um levantamento realizado pela Opus Consultoria & Pesquisa revelou que, no período entre 1º de janeiro e 20 de maio de 2023, os parlamentares que obtiveram as maiores votações no estado também lideraram o ranking de engajamento orgânico no Instagram. O estudo considerou mais de 8,2 mil publicações feitas por deputados mineiros na plataforma, registrando um total de 188,9 milhões de interações, sem o uso de impulsionamento pago.

Deputados federais mais votados em 2022 discutem temas políticos em reunião.
Fonte: www.em.com.br | Reprodução

O protagonismo de Nikolas Ferreira

Nikolas Ferreira (PL), deputado federal mais votado em Minas Gerais em 2022, com impressionantes 1,4 milhão de votos, liderou o ranking de engajamento com folga. O parlamentar, que acumula 22,1 milhões de seguidores no Instagram, registrou 156,4 milhões de interações durante o período analisado. Este número representa 83% de todo o engajamento orgânico entre os deputados federais do estado.

Com uma média de 1,5 milhão de interações por postagem em suas 104 publicações, Nikolas Ferreira mantém uma linha editorial voltada para críticas ao governo federal, defesa de pautas conservadoras e temas que ressoam amplamente com sua base de apoiadores. Segundo Matheus Dias, diretor da Opus Consultoria & Pesquisa, "Nikolas é um ponto fora da curva, com uma performance digital que ultrapassa as fronteiras de Minas Gerais e o posiciona como uma das principais vozes do campo conservador no Brasil".

Outros destaques no ranking

A segunda posição no ranking foi ocupada por Duda Salabert (Psol), terceira mais votada no estado com mais de 200 mil votos. Com 735,8 mil seguidores no Instagram, Duda acumulou 6,8 milhões de interações em 352 publicações, resultando em uma média de 19,3 mil interações por postagem. Suas publicações focam em pautas progressistas, como direitos humanos, sustentabilidade e oposição ao bolsonarismo. Especialistas destacam sua capacidade de mobilizar fortemente sua base de seguidores, mesmo com números absolutos menores em comparação com outros parlamentares.

Em terceiro lugar, Maurício do Vôlei (PL), que também adota uma linha conservadora e de apoio ao bolsonarismo, registrou 6,4 milhões de interações em suas 217 publicações. Com 2,3 milhões de seguidores, ele alcançou uma média de 29,3 mil interações por postagem.

André Janones (Avante), segundo deputado mais votado em Minas Gerais com 238 mil votos, aparece na quarta posição, com 5,9 milhões de interações. Apesar de ter publicado apenas 98 vezes no período analisado, Janones obteve a maior média de interações por postagem entre os parlamentares, com 60,4 mil. Sua estratégia digital é focada em apoiar as ações do governo federal e no embate direto com adversários políticos, o que contribui para um alto engajamento em sua base de 2,5 milhões de seguidores.

O papel do algoritmo no engajamento

O estudo destacou que a frequência de publicações não é um fator determinante para o engajamento nas redes sociais. Um exemplo é o deputado Rogério Correia (PT), que liderou em número de postagens com 643 publicações no período, mas ficou apenas na quinta posição do ranking, com 2,3 milhões de interações e uma média de 3,6 mil por postagem. Segundo Matheus Dias, "o algoritmo do Instagram privilegia conteúdos que geram maior reação emocional, seja positiva ou negativa, distribuindo-os de forma mais ampla".

Engajamento orgânico versus impulsionamento pago

Outro ponto ressaltado pelo estudo é que os dados analisados consideraram apenas as interações orgânicas, excluindo publicações que utilizaram estratégias de impulsionamento pago. Isso permite uma avaliação mais precisa do alcance e da capacidade de engajamento dos parlamentares de forma autêntica, sem a interferência de investimentos financeiros.

Impacto político do engajamento digital

O alto engajamento digital dos parlamentares mais votados de Minas Gerais reflete uma tendência de crescente influência das redes sociais na política brasileira. Plataformas como Instagram, Twitter e TikTok têm se consolidado como ferramentas indispensáveis para candidatos e políticos eleitos alcançarem seus eleitores, mobilizarem suas bases e influenciarem o debate público. Essa tendência foi especialmente evidente durante as eleições de 2022, que marcaram um novo patamar de digitalização na política nacional.

Desafios e limitações

No entanto, especialistas alertam que o engajamento digital não deve ser interpretado como um reflexo direto da popularidade ou da capacidade legislativa de um parlamentar. De acordo com Matheus Dias, "há deputados que possuem um perfil mais voltado para a articulação local e para o trabalho de base, que não necessariamente se traduz em números expressivos nas redes sociais". Além disso, o alcance digital não substitui a necessidade de um trabalho legislativo consistente e alinhado às demandas da população.

A Visão do Especialista

A análise dos dados de engajamento dos deputados federais mais votados em Minas Gerais nas eleições de 2022 ilustra como as redes sociais têm se tornado um campo de batalha central na política brasileira. As plataformas digitais permitem uma conexão direta e imediata com os eleitores, mas também ressaltam a importância de uma estratégia bem planejada e ajustada ao público-alvo.

O caso de Nikolas Ferreira demonstra como uma presença digital robusta pode amplificar a mensagem de um político além das fronteiras geográficas. Por outro lado, parlamentares como Duda Salabert e André Janones provam que engajamento não depende apenas do número de seguidores, mas também de uma comunicação autêntica e alinhada com os interesses de sua base.

No futuro, especialistas preveem que o papel das redes sociais na política continuará a crescer, mas alertam para a necessidade de transparência nas práticas de comunicação digital, especialmente no que diz respeito ao uso de impulsionamento pago e a disseminação de desinformação. Para os eleitores, cabe a tarefa de avaliar não apenas a presença digital, mas também o desempenho parlamentar e o impacto real das ações dos políticos no exercício de seus mandatos.

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