Donald Trump chegou a 62% de desaprovação, o maior índice já registrado em seus dois mandatos, segundo pesquisa conjunta do Washington Post, ABC News e Ipsos divulgada em 3 de maio de 2026.

Contexto histórico da popularidade de Trump

Desde que assumiu a presidência em 2017, Trump tem alternado entre picos de aprovação ligados à economia e quedas abruptas após crises internacionais. Em 2020, sua aprovação chegou a 45% antes da pandemia, mas recuou para 38% ao final do mandato, refletindo a volatilidade de seu apoio.

A guerra com o Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz

O conflito, iniciado em 28 de fevereiro de 2026, intensificou-se com o bloqueio do Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do consumo mundial de petróleo. O Irã anunciou a interrupção do tráfego marítimo, desencadeando uma corrida por rotas alternativas e pressionando os preços globais.

Impactos econômicos imediatos nos EUA

Os preços da gasolina dispararam cerca de 40% desde o início da guerra, enquanto a inflação mensal subiu 0,9% em março, atingindo 3,3% no acumulado de 12 meses. O aumento dos custos de energia, alimentos e moradia tem sido apontado como principal causa do descontentamento popular.

Dados da pesquisa de aprovação

IndicadorAprovaçãoDesaprovação
Geral37%62%
Guerra com Irã33%66%
Economia34%66%
Inflação27%68%
Custo de vida23%76%

Os números revelam uma queda de sete pontos na aprovação econômica e um aumento de 10 pontos na desaprovação do custo de vida. A pesquisa entrevistou 2.560 adultos entre 24 e 28 de abril, por amostragem online.

Comparativo com eleições anteriores

  • 2018 (meio de mandato): aprovação 44%, desaprovação 45%.
  • 2022 (meio de mandato): aprovação 41%, desaprovação 48%.
  • 2026 (atual): aprovação 37%, desaprovação 62%.

O salto de 14 pontos na desaprovação em apenas quatro anos indica um desgaste acumulado que pode redefinir o cenário eleitoral.

Repercussão nos mercados financeiros

O índice S&P 500 recuou 3,2% nas duas semanas que se seguiram ao anúncio da guerra, enquanto o preço do barril Brent alcançou US$ 120 antes de fechar a US$ 108,17. Investidores temem que a instabilidade no Oriente Médio prolongue a volatilidade nos preços de energia.

Reação dos partidos políticos

Democratas acusam Trump de "escalar a crise" e de usar a retórica belicista para desviar a atenção da crise inflacionária. Já alguns republicanos defendem a postura firme, alegando que a firmeza é necessária para proteger os interesses americanos.

Análise de especialistas em política externa

Segundo o professor de relações internacionais da Georgetown University, Michael Oren, o bloqueio do Estreito de Ormuz "representa um ponto de inflexão" que pode levar a uma nova corrida armamentista no Golfo. Ele alerta que a falta de diplomacia pode prolongar a guerra e aprofundar o isolamento dos EUA.

Perspectiva dos economistas

O economista-chefe da Federal Reserve, Lisa Monroe, destacou que "a combinação de guerra e alta de energia cria um círculo vicioso de inflação que ameaça a recuperação pós‑pandemia". Monroe recomenda políticas de alívio de energia como medida de curto prazo.

Implicações para as eleições de meio de mandato

Com as primárias a seis meses, o alto índice de desaprovação coloca em risco a estratégia de Trump de capitalizar a "economia em alta" para 2024. Analistas preveem que candidatos moderados dentro do Partido Republicano podem ganhar terreno.

Estrategia de Trump para 2024

Em evento da Turning Point USA em 17 de abril, Trump prometeu "guiarem navios presos" no Estreito de Ormuz, tentando projetar liderança militar. Contudo, a falta de detalhes sobre as nações beneficiadas gera dúvidas sobre a efetividade da medida.

Possíveis cenários futuros

Se o bloqueio persistir, os preços da gasolina podem ultrapassar US$ 5,50 por galão, pressionando ainda mais a classe média. Alternativamente, um acordo diplomático rápido poderia estabilizar os mercados e melhorar a imagem de Trump.

A Visão do Especialista

O analista político da Brookings Institution, Carla Mendes, conclui que "a desaprovação recorde de Trump é sintoma de um governo que falhou em equilibrar segurança nacional e bem‑estar econômico". Ela recomenda que o presidente adote uma política de "segurança energética" combinada a medidas de controle inflacionário para reconquistar eleitores antes das primárias.

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