Djamila Ribeiro chega a Belo Horizonte para lançar a edição ampliada de "Lugar de fala". O evento acontece nesta segunda‑feira, 13 de julho de 2026, às 19h, no Auditório do Tribunal de Contas do Estado, com entrada franca e programação que inclui a apresentação da filósofa portuguesa Grada Kilomba e o prefácio da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie.

Contexto histórico do livro original
Publicada em 2017, "Lugar de fala" rapidamente se tornou referência no debate sobre racismo, representatividade e democracia no Brasil. O ensaio filosófico rompeu o círculo acadêmico ao se tornar best‑seller, influenciando movimentos sociais, cursos universitários e políticas públicas nos últimos dez anos.
Novidades da edição ampliada
Quatro capítulos inéditos ampliam a obra, trazendo análises atualizadas sobre mídia, marketing e direitos trans. O prefácio de Chimamanda Adichie, já autor da edição inglesa de 2024, reforça a conexão internacional da obra, enquanto Grada Kilomba conduz a apresentação, destacando a intersecção entre feminismo negro e estudos culturais.
Marketing de influência
Um dos novos capítulos denuncia a proliferação de "influenciadores‑especialistas" que diluem o conceito de lugar de fala. Djamila argumenta que a popularização do termo trouxe simplificações que ameaçam a profundidade teórica, transformando o ensaio em conteúdo superficial nas redes.
Jornalismo contra‑hegemônico
Inspirado nas ideias de Osmar Teixeira Gaspar, o capítulo sobre mídia revela como grandes conglomerados ainda monopolizam vozes dissidentes. A análise evidencia práticas de censura velada e a necessidade de plataformas alternativas para garantir pluralidade de discurso.
Ampliação de temas trans e feminicídio
Na segunda parte, Djamila inclui discussões sobre mulheres trans e feminicídio, citando pensadoras argentinas e mexicanas. Essa inserção reflete a evolução dos debates feministas nos últimos dez anos e amplia o escopo da obra para além das fronteiras brasileiras.
Influência da experiência internacional
Ao lecionar nos Estados Unidos e viajar pela África, a autora entrou em contato com autoras latino‑americanas e africanas pouco conhecidas no Brasil. Essa vivência ampliou seu repertório, permitindo a incorporação de referências que antes eram ausentes nos currículos nacionais.
Impacto no mercado editorial brasileiro
Os números demonstram mudanças significativas desde a primeira edição. A tabela abaixo resume a evolução da representatividade racial no setor editorial entre 2014 e 2025.
| Ano | % de livros por autores brancos | % de livros por autores negros | % de livros por mulheres |
|---|---|---|---|
| 2014 | 90 % | 10 % | 30 % |
| 2020 | 78 % | 22 % | 45 % |
| 2025 | 65 % | 35 % | 55 % |
"Feminismos plurais" e o selo Sueli Carneiro
Desde 2017, a coleção "Feminismos plurais" já publicou 14 títulos, ampliando o espaço para autoras negras. O selo Sueli Carneiro, da editora Jandaia, também ganhou força, lançando obras que transformaram injúria racial em crime de racismo.
Reações e retrocessos no cenário cultural
Embora haja avanços, Djamila aponta resistência de parte do mercado editorial que considera o tema "esgotado". Comentários como o de Gilberto Gil, que afirma que o mundo "melhora e piora ao mesmo tempo", ilustram a tensão entre inovação e conservadorismo.
Inserção nas instituições de ensino
"Lugar de fala" agora integra currículos de escolas e universidades, preenchendo lacunas históricas na formação filosófica. Djamila relembra que, em sua própria graduação, não havia presença de autores negros ou filosofia africana, o que mudou com a adoção da obra nas disciplinas.
Próximos projetos de Djamila Ribeiro
Além da edição ampliada, a filósofa anuncia o curso online "Pensamento red pill", previsto para lançamento em outubro de 2026. Parcerias com editoras francesas e italianas também estão em andamento, ampliando a difusão internacional de obras feministas negras.
Análise de especialistas
O professor de Sociologia da UFOP, Carlos Medeiros, destaca que a nova edição "rearticula o discurso de lugar de fala como ferramenta de resistência contemporânea". Segundo ele, a inclusão de capítulos sobre marketing e jornalismo reflete a necessidade de adaptar teorias críticas às dinâmicas digitais atuais.
A Visão do Especialista
Para o futuro, a ampliação de "Lugar de fala" sinaliza um ponto de inflexão na consolidação de narrativas negras no Brasil. A obra não só reforça a importância da representatividade, como também oferece um mapa estratégico para enfrentar a desinformação e a monopolização midiática, indicando que o debate público continuará a evoluir à medida que novas gerações de leitores e produtores de conteúdo se apropriem desses conceitos.
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