El Niño 2026 pode se tornar o evento mais intenso registrado desde 1950, colocando em risco a produção agropecuária nacional e mundial. As projeções da NOAA apontam para anomalias térmicas superiores a +2,5 °C no Pacífico equatorial, o que pode mudar drasticamente o padrão de chuvas no Brasil nos meses críticos para a safra 2026/27.

Imagem de um mapa climático com áreas em destaque, indicando a influência do El Niño no agronegócio.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br | Reprodução

Entendendo o fenômeno e seu histórico recente

El Niño é a fase quente do ciclo ENSO, caracterizada por águas superficiais anormalmente quentes no Pacífico central e oriental. Desde o início das medições sistemáticas em 1950, apenas quatro episódios ultrapassaram o índice de 2,5 °C, sendo 1982‑83, 1997‑98, 2015‑16 e agora o de 2026.

Como o El Niño afeta o regime de chuvas no Brasil

O padrão típico associa aumento de precipitação no Centro‑Sul e déficit no Norte e Nordeste. Em 2026, modelos do CPTEC preveem até 150 mm a mais de chuva no Rio Grande do Sul, enquanto o Maranhão pode registrar até 80 mm a menos, ampliando o risco de enchentes e secas simultâneas.

Impactos nas principais culturas

Soja, milho de segunda safra e algodão são as culturas mais vulneráveis ao atraso ou irregularidade das chuvas. O período de plantio (jul‑set) pode ser comprimido, forçando replantio em até 2,9 milhões de hectares, como ocorreu em 2024.

Riscos para a pecuária e a cadeia de alimentos

Ondas de calor em Mato Grosso podem reduzir o ganho de peso de bovinos e elevar o custo da ração. A elevação dos preços de soja e milho repercute diretamente no custo de produção de carnes, leite e aves.

Repercussão nos mercados globais de commodities

Com a produção mundial de soja equilibrando consumo e oferta, qualquer queda brasileira pressiona os preços internacionais. O Itaú BBA alerta que a safra 2026/27 pode ser a primeira a enfrentar déficits relevantes desde 2020.

Projeções de institutos e analistas

NOAA, Itaú BBA e Rabobank convergem na avaliação de risco climático elevado para 2026/27. Enquanto a NOAA destaca a força térmica do oceano, o Itaú BBA enfatiza a heterogeneidade regional e o Rabobank aponta vulnerabilidades na produção de açúcar na Ásia.

Mapa de vulnerabilidade regional

RegiãoDesvio de precipitação (mm)Nível de risco
Centro‑Sul+120 a +150Alto (enchentes, doenças fúngicas)
Norte-70 a -90Alto (seca, queimadas)
Nordeste-50 a -70Médio (redução de produção de mandioca e cacau)
Sudeste±30Médio (irregularidade e calor excessivo)
Sul+130 a +180Alto (inundações, aumento de pragas)

Setores mais sensíveis ao fenômeno

  • Soja – risco de replantio e redução da área produtiva no Cerrado.
  • Milho de segunda safra – janela de plantio encurtada, maior exposição à seca final.
  • Café – atraso na florada pode comprometer a safra de 2027/28.
  • Leite – produção pode cair nos estados do Sul devido ao excesso de água.
  • Cacau e açaí – secas no Norte ameaçam a qualidade e o volume da colheita.

Perspectivas para o comércio internacional

A volatilidade climática eleva a importância dos contratos futuros e das opções de hedge. Exportadores brasileiros de soja e milho devem reforçar estratégias de mitigação de risco, enquanto compradores globais monitoram o spread de preços entre Brasil e Argentina.

A Visão do Especialista

"O El Niño 2026 representa um ponto de inflexão para a resiliência do agronegócio brasileiro." O especialista em climatologia agrícola, Dr. Mariana Silva (Universidade de São Paulo), recomenda investimento em sistemas de irrigação de precisão, monitoramento satelital de umidade do solo e diversificação de cultivos nas áreas de maior vulnerabilidade. "A adaptação tecnológica será decisiva para evitar perdas significativas e manter a competitividade nos mercados globais."

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