O presidente eleito do Peru enfrentará um Congresso que, nos últimos dez anos, destituiu quatro de seus nove mandatários. O resultado do segundo turno, confirmado em 7 de junho de 2026, coloca Keiko Fujimori ou Roberto Sánchez à frente de um Legislativo bicameral que voltou a funcionar após mais de três décadas.

Contexto histórico da instabilidade institucional

Desde 2016, o Congresso peruano tem sido o principal agente de interrupções presidenciais. Nenhum presidente completou seu mandato integral, refletindo um padrão de confrontação que lembra o parlamentarismo, embora o país mantenha um regime presidencialista.

Fundamentação legal das destituições

A Constituição de 1993 permite a destituição por voto de censura e processo de vacância. Os artigos 113 a 115 estabelecem que o Congresso pode declarar a perda de moralidade ou incapacidade política, exigindo maioria simples ou qualificada, conforme o caso.

Cronologia das destituições recentes

  • 2016 – Presidente Pedro Pablo Kuczynski (votação de vacância por "incapacidade moral").
  • 2018 – Presidente Martín Vizcarra (impeachment por suposto recebimento de suborno).
  • 2020 – Presidente Manuel Merino (renúncia após protestos e perda de apoio legislativo).
  • 2022 – Presidente Dina Boluarte (destituída em processo de vacância por "corrupção").

Composição do novo Congresso bicameral

CasaTotal de cadeirasForça PopularJuntos por PeruOutros
Câmara dos Deputados130413257
Senado60221424

O retorno da Câmara Alta altera a dinâmica de aprovação de leis e de controle ao Executivo. O Senado permanecerá ativo mesmo que o presidente dissolva a Câmara, conforme previsto no artigo 134 da Constituição.

Força Popular: da hegemonia à maioria relativa

O partido de Keiko Fujimori ampliou sua bancada, mas ainda está longe da maioria absoluta. Em 2021, a sigla conquistou 37 cadeiras; em 2026, ocupa 41 na Câmara e 22 no Senado, representando 31,5 % do Legislativo total.

Juntos por Peru: a principal oposição

Roberto Sánchez lidera a segunda maior bancada, com 32 cadeiras na Câmara e 14 no Senado. Essa força política pode ser decisiva nas negociações de coalizão e na aprovação de reformas estruturais.

Repercussão no mercado financeiro

Agências de rating reduziram a nota soberana do Peru de AA‑ to A+ entre 2023 e 2025. A instabilidade legislativa tem elevado o risco‑prêmio dos títulos peruanos, refletindo a cautela dos investidores estrangeiros.

Especialistas dividem prognósticos

Analistas da Banca Central apontam risco de bloqueio de reformas fiscais. Já economistas da Universidad del Pacífico argumentam que o bicameralismo pode impor maior rigor nas decisões, favorecendo a estabilidade a longo prazo.

Agenda de governança do presidente‑eleito

Keiko Fujimori promete um governo tecnocrático, enquanto Sánchez propõe uma Constituinte. Ambos deverão negociar com um Legislativo que controla a aprovação de ministros e do orçamento.

Opinião pública sobre o Congresso

Pesquisa do Instituto de Estudos Peruanos (maio 2025) indica 93 % de desaprovação ao Legislativo. A margem de erro de 2,8 pontos confirma um descontentamento histórico que ultrapassa 90 % desde março 2023.

Possíveis cenários institucionais

O presidente pode dissolver a Câmara, mas o Senado continuará atuante, limitando o alcance da medida. Essa opção foi utilizada em 2020, quando a dissolução gerou protestos massivos e pressão internacional.

Reação da comunidade internacional

Organizações como a OEA e a União Europeia pedem respeito ao Estado de Direito e ao processo democrático. Em declarações recentes, alertaram para a necessidade de evitar "crises institucionais recorrentes".

A Visão do Especialista

O professor de ciência política da Pontifícia Universidad Católica del Perú conclui que a sobrevivência do governo dependerá da capacidade de construir alianças multipartidárias. Sem um acordo sólido entre Força Popular e Juntos por Peru, a agenda de reformas pode ficar estagnada, perpetuando a volatilidade que tem afastado investimentos e minado a confiança popular.

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