O mercado de construção civil no Brasil enfrenta um novo desafio logístico: os elevadores. Com a crescente verticalização das cidades e o aumento no número de empreendimentos imobiliários, o equipamento, essencial para qualquer edifício de múltiplos andares, tornou-se um dos principais gargalos nas obras. Incorporadoras estão sendo obrigadas a antecipar a encomenda de elevadores em até 18 meses para evitar atrasos na entrega dos empreendimentos. Este cenário reflete não apenas a complexidade técnica envolvida, mas também a falta de mão de obra qualificada e os desafios logísticos da cadeia de suprimentos.
O impacto da verticalização nas encomendas de elevadores
Nas últimas décadas, a verticalização das cidades brasileiras transformou o mercado imobiliário. Edifícios mais altos, com maior número de unidades e especificações técnicas avançadas, aumentaram significativamente a demanda por elevadores. Segundo dados da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), as incorporadoras agora priorizam a contratação de fornecedores de elevadores logo no início do planejamento da obra, um movimento que não era comum há alguns anos.
Antes, os elevadores eram encomendados apenas nas fases finais das obras. Hoje, com prazos de produção e instalação que podem ultrapassar um ano, as empresas não podem se dar ao luxo de esperar. Isso tem levado algumas incorporadoras a assinarem contratos com fornecedores de elevadores antes mesmo do início da construção do edifício.
Por que os prazos estão mais longos?
A ampliação dos prazos de fornecimento e instalação de elevadores é um reflexo de múltiplos fatores. Em primeiro lugar, a pandemia de 2020-2022 impactou significativamente as cadeias globais de suprimentos, atrasando a produção e a entrega de componentes essenciais. Além disso, a guerra no Irã e outros fatores geopolíticos recentes também contribuíram para a escassez de materiais e aumento dos custos.
Outro fator determinante é a falta de mão de obra qualificada. A instalação e manutenção de elevadores exige técnicos especializados, com formação específica e treinamento contínuo. No entanto, o mercado não consegue formar profissionais na mesma velocidade que a demanda cresce. De acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), essa carência não é exclusiva do setor de elevadores, mas também afeta outras áreas da construção civil.
Os desafios para edifícios antigos
Enquanto novos empreendimentos impulsionam a demanda por elevadores, os edifícios antigos enfrentam seus próprios desafios. Muitos equipamentos instalados há décadas precisam de modernização para atender às normas de segurança atuais ou para substituir componentes que não são mais fabricados. Em alguns casos, a troca de uma peça pode levar semanas, transformando a rotina dos moradores em um verdadeiro teste de paciência.
Uma situação comum é a de prédios que possuem apenas dois elevadores. Quando um quebra, o outro precisa suportar toda a carga, aumentando o desgaste e o risco de falha. Em casos extremos, moradores são obrigados a deixar temporariamente seus apartamentos por falta de acessibilidade, como ocorreu em um edifício de 25 andares em São Paulo, onde os dois elevadores ficaram inoperantes simultaneamente.
A resposta das fabricantes
Empresas como TK Elevator e Atlas Schindler têm investido em estratégias para mitigar esses problemas. A TK Elevator, por exemplo, firmou parcerias com o Senai para a formação de novos técnicos e implementou sistemas de manutenção baseados em inteligência artificial, capazes de prever falhas antes que elas ocorram. Já a Atlas Schindler criou programas específicos de capacitação e adaptou seus prazos de entrega, que atualmente variam entre 7 e 14 meses, dependendo do projeto.
No entanto, mesmo com esses esforços, a expansão do número de profissionais qualificados ainda está aquém do necessário. Especialistas do setor defendem a industrialização da construção civil como alternativa para reduzir a dependência de mão de obra e tornar os processos mais eficientes.
Comparativo de prazos de entrega e instalação
| Fabricante | Prazo Médio de Entrega | Prazo Médio de Instalação |
|---|---|---|
| Atlas Schindler | 7 a 14 meses | 3 a 5 meses |
| TK Elevator | 10 a 12 meses | 4 a 6 meses |
O que esperar do futuro?
As perspectivas para o mercado de elevadores no Brasil são desafiadoras. Especialistas acreditam que, com o ritmo acelerado de lançamentos imobiliários, a demanda por elevadores continuará crescendo nos próximos anos. Para atender a esse mercado aquecido, será necessário investir em inovação, capacitação de mão de obra e na modernização dos processos de fabricação e instalação.
Além disso, a manutenção de equipamentos antigos deverá ganhar atenção especial, uma vez que o número de edifícios com mais de 20 anos de operação continua aumentando. Isso exigirá soluções inovadoras por parte das fabricantes, como o desenvolvimento de peças sob medida e a automação dos processos de manutenção.
A Visão do Especialista
O cenário atual revela a necessidade de um equilíbrio entre oferta e demanda no setor de elevadores. Para o advogado Vander Ferreira, presidente da ANSíndicos, é essencial que o mercado adote uma abordagem proativa, investindo em tecnologia e qualificação profissional. "A modernização da construção civil e o uso de tecnologias avançadas, como inteligência artificial, podem ser a chave para solucionar os gargalos e melhorar a eficiência do setor", afirma.
Enquanto isso, para os consumidores, o conselho é claro: ao adquirir um imóvel, informe-se sobre os prazos de entrega e certifique-se de que a incorporadora está tomando medidas para evitar atrasos relacionados aos elevadores. Afinal, o sucesso de um empreendimento depende tanto da sua estrutura quanto da funcionalidade de seus componentes essenciais.
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