Uma investigação recente revelou que a empresa Copenhagen, para a qual o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) emitiu R$ 1 milhão em notas fiscais posteriormente canceladas, não funciona no endereço registrado na Receita Federal. A sede declarada, localizada em um centro comercial em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, é ocupada por outra empresa, a Contábil Corrêa, de propriedade do mesmo empresário ligado à Copenhagen.

O Contexto da Emissão de Notas e as Suspeitas
O caso ganhou notoriedade após a emissão de notas fiscais pelo escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro. Segundo apuração, as notas fiscais, que somam um total de R$ 1 milhão, foram emitidas para a Copenhagen, mas logo depois canceladas. A justificativa oficial para o cancelamento não foi fornecida.
Além disso, documentos apontam que o escritório de Flávio também emitiu notas no valor de R$ 500 mil para a Contábil Corrêa, empresa que de fato opera no endereço informado como sede da Copenhagen. Ambas as empresas têm como figura central o empresário Rogério Lourenço Novo.
A Situação no Local: O Que Foi Encontrado?
Uma visita ao local, realizada por jornalistas do Estadão em 24 de julho de 2026, constatou que não há sinais de operação da Copenhagen na sala 47 do edifício onde deveria estar registrada. No local, apenas a Contábil Corrêa está oficialmente identificada, com placas e logotipo na entrada.
Funcionários da Contábil Corrêa informaram que Rogério Lourenço Novo, sócio-administrador da Copenhagen, estaria de férias, mas não confirmaram a presença de atividades relacionadas à Copenhagen no endereço.
O Envolvimento da Copenhagen no Caso Master
A Copenhagen é alvo de investigações da Polícia Federal no âmbito do Caso Master, que apura suspeitas de ocultação de patrimônio. Dados levantados indicam que a empresa recebeu R$ 58 milhões de uma instituição financeira controlada pelo empresário Daniel Vorcaro. Deste montante, R$ 11,2 milhões foram transferidos poucos dias após a abertura da empresa, em novembro de 2024.
Essas transações levantaram suspeitas sobre a real atividade da Copenhagen e seu possível envolvimento em esquemas de lavagem de dinheiro.
Declarações Públicas e Repercussões
Flávio Bolsonaro, ao ser questionado sobre o caso, afirmou que os serviços prestados às empresas Copenhagen e Contábil Corrêa foram "legais, lícitos e privados". No entanto, o senador não forneceu detalhes sobre a natureza específica dos serviços realizados ou as razões para o cancelamento das notas fiscais envolvendo a Copenhagen.
Até o momento, nem a Copenhagen, nem a Contábil Corrêa responderam oficialmente às solicitações de esclarecimento feitas por veículos de imprensa. A administradora Trustee, que afirmou ser gestora do fundo de investimentos da Copenhagen, declarou não ter envolvimento na gestão ou na definição da sede da empresa.
Implicações Legais e Investigação em Curso
O caso chamou atenção da Receita Federal e da Polícia Federal devido a possíveis irregularidades fiscais e à suspeita de ocultação de patrimônio. A ausência de operações físicas da Copenhagen no endereço declarado é um dos elementos que reforçam as investigações em curso.
Especialistas em direito tributário apontam que a prática de emissão de notas fiscais para empresas inexistentes no endereço declarado pode configurar crime de falsidade ideológica e sonegação fiscal, dependendo das circunstâncias apuradas.
Impactos Políticos e Econômicos
A controvérsia ocorre em um momento delicado, com Flávio Bolsonaro sendo apontado como possível candidato em 2026. As questões envolvendo sua atuação como advogado e as transações relacionadas à Copenhagen levantam dúvidas sobre sua transparência e podem impactar sua imagem pública.
No âmbito econômico, casos como este reforçam a necessidade de maior fiscalização sobre empresas de fachada e práticas que envolvem ocultação de patrimônio, práticas que afetam a arrecadação tributária e a confiança no sistema financeiro brasileiro.
Cronologia dos Principais Eventos
- Novembro de 2024: Abertura da Copenhagen e transferência de R$ 11,2 milhões poucos dias depois.
- 2025: Início das investigações do Caso Master pela Polícia Federal.
- Julho de 2026: Revelação sobre as notas fiscais emitidas e canceladas pelo escritório de Flávio Bolsonaro.
- 24 de julho de 2026: Visita ao endereço da Copenhagen confirma ausência de operações no local.
A Visão do Especialista
Para especialistas em direito e governança, o caso da Copenhagen ilustra desafios recorrentes no combate à lavagem de dinheiro e à utilização de empresas de fachada para fins ilícitos. A ausência de transparência nos negócios realizados por figuras públicas, como no caso de Flávio Bolsonaro, levanta questões éticas e legais que podem ter desdobramentos significativos tanto na esfera judicial quanto política.
Embora as investigações ainda estejam em curso, a necessidade de maior rigor na fiscalização tributária e na identificação de empresas fictícias é um ponto crucial para evitar práticas que prejudicam a economia e a confiança pública. Os próximos passos das autoridades serão fundamentais para esclarecer os fatos e determinar responsabilidades.
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