Saab avalia transformar o Brasil no principal hub latino-americano de produção do caça Gripen, impulsionada pelo contrato de 17 aeronaves com a Colômbia e pela parceria estratégica com a Embraer.

Representantes da empresa sueca em reunião com executivos brasileiros em um escritório de negócios.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br | Reprodução

Contexto histórico da cooperação sueco‑brasileira

Desde 2013, a Saab mantém acordo de transferência tecnológica com a Embraer, permitindo a montagem de caças Gripen no solo brasileiro. O programa avançou com a entrega do primeiro Gripen E totalmente produzido em Gavião Peixoto em março de 2026.

Detalhes do contrato colombiano

Representantes da empresa sueca em reunião com executivos brasileiros em um escritório de negócios.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br | Reprodução

O acordo, firmado em 2024, prevê a entrega de 17 caças Gripen entre 2026 e 2032, totalizando 3,1 bilhões de euros. Serão 15 unidades monoposto (Gripen E) e 2 biposto (Gripen F), acompanhados de armamentos, treinamento e suporte logístico.

ItemQuantidadeValor (€/bilhões)
Gripen E (monoposto)152,5
Gripen F (biposto)20,6
Equipamentos e serviços0,0
Total173,1

Expansão da capacidade produtiva no Brasil

A planta da Embraer em Gavião Peixoto terá sua capacidade ampliada para atender integralmente ao contrato colombiano. O CEO da Saab, Micael Johansson, afirmou que a produção local reduz custos logísticos e fortalece a cadeia de suprimentos regional.

Transferência de tecnologia e participação de fornecedores nacionais

Centenas de engenheiros, técnicos e operadores brasileiros passaram por treinamento intensivo na Suécia e na própria Embraer. Empresas como AEL Sistemas e Atech já fornecem aviônicos, estruturas de fibra‑carbono e componentes críticos.

Impacto no mercado de defesa da América Latina

O hub brasileiro pode atender não só a Colômbia, mas também potenciais compradores como Chile, Peru e México. A presença de um centro de produção regional eleva a competitividade da região frente a fabricantes europeus e americanos.

Relações bilaterais e acordos de cooperação

O acordo reforça a aliança estratégica entre Brasil e Suécia, alinhada ao Plano de Defesa Nacional 2030. Ambos os países assinaram memorandos de entendimento que garantem a proteção de propriedade intelectual e o compartilhamento de know‑how.

Perspectiva de produção para a Ucrânia

Embora ainda sem contrato firmado, a Saab considera Gavião Peixoto como um dos possíveis hubs para a entrega de 20 Gripen E à Ucrânia. A decisão dependerá da aprovação de empréstimos da UE e das condições de exportação de armamentos.

Impacto econômico e geração de empregos

Estima‑se que a expansão criará cerca de 2 mil empregos diretos e 5 mil indiretos até 2032. O investimento total em infraestrutura e capacitação ultrapassa 500 milhões de reais, com retorno esperado em exportações de componentes.

Aspectos regulatórios e legislação de defesa

O projeto está sujeito à Lei de Defesa Nacional (Lei 13.370/2016) e às normas da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Autorizações de exportação de tecnologia sensível foram concedidas pelo Ministério da Defesa e pelo Ministério das Relações Exteriores.

Cronologia dos principais marcos

  • 2013 – Assinatura do acordo de cooperação tecnológica Saab × Embraer.
  • 2024 – Contrato de 17 Gripen com a Colômbia (valor de € 3,1 bi).
  • Março 2026 – Primeiro Gripen E produzido integralmente no Brasil.
  • Junho 2026 – Anúncio da intenção de usar o hub brasileiro para possíveis entregas à Ucrânia.
  • 2032 – Conclusão das entregas previstas ao Brasil e à Colômbia.

Comparativo de produção: Linköping vs. Gavião Peixoto

FábricaCapacidade anual (unidades)Percentual da produção total
Linköping (Suécia)12≈ 40 %
Gavião Peixoto (Brasil)9≈ 30 %
Outros parceiros (ex.: Hungria)8≈ 30 %

Riscos e desafios operacionais

Problemas na cadeia de suprimentos, variações cambiais e pressões políticas podem impactar o cronograma de entregas. A dependência de componentes críticos importados exige estratégias de mitigação de risco.

A Visão do Especialista

O estabelecimento de um hub de produção de caças no Brasil representa um marco de soberania tecnológica para a América Latina. Se a Saab consolidar a capacidade local, o país poderá se tornar fornecedor regional, diversificando sua base industrial e reforçando a segurança regional. Contudo, a sustentabilidade do projeto dependerá da estabilidade econômica, da continuidade de políticas de apoio e da capacidade de atender requisitos de exportação de armamentos.

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