Em 16 de abril de 2026, a Prefeitura de Vitória publicou novas regras para o uso de bicicletas elétricas, ciclomotores e outros equipamentos de micromobilidade na cidade. As medidas visam reduzir o número de acidentes, organizar o trânsito e promover uma convivência mais segura entre pedestres, ciclistas e motoristas. A regulamentação, que inclui um decreto municipal e uma nova lei com vetos, estabelece diretrizes claras sobre as áreas de circulação, uso de equipamentos de segurança e limites de velocidade.

O que dizem as novas regras?

O Código Municipal de Micromobilidade Urbana, sancionado pela prefeita Cris Samorini, traz mudanças significativas. Entre as principais medidas, destacam-se:

  • Obrigatoriedade do uso de capacete para todos os condutores de veículos elétricos.
  • Proibição de circulação de bicicletas elétricas e ciclomotores em vias com velocidade superior a 60 km/h.
  • Limitação de velocidade a 6 km/h em calçadas compartilhadas.
  • Regulamentação do uso de ciclovias e ciclofaixas, onde a velocidade máxima permitida será de 32 km/h.
  • Criação de Áreas de Circulação com Atenção e Mobilidade Amigável (A-CALMA), com limite de 30 km/h e sinalização específica.

Essas mudanças buscam atender ao crescente uso de dispositivos de micromobilidade, como bicicletas e patinetes elétricos, em um contexto de urbanização acelerada e aumento da demanda por meios de transporte alternativos.

Contexto histórico: A evolução da micromobilidade em Vitória

Nos últimos anos, a capital capixaba tem registrado um aumento expressivo no uso de bicicletas e outros modais elétricos, impulsionado por iniciativas de sustentabilidade, custos reduzidos e a praticidade desses veículos. Com isso, surgiram desafios relacionados à segurança e à convivência nos espaços urbanos, especialmente em áreas sem infraestrutura adequada.

O crescimento da micromobilidade em Vitória reflete uma tendência global. Em cidades como Amsterdã, Paris e Bogotá, a implementação de ciclovias e regulamentações específicas tem sido essencial para equilibrar o uso desses modais com a segurança de pedestres e motoristas. Vitória segue essa linha ao adotar medidas que priorizam a organização e a segurança.

Impacto no mercado e na mobilidade urbana

A regulamentação das bicicletas elétricas em Vitória afeta diretamente o mercado local. Comerciantes de bicicletas e ciclomotores, por exemplo, agora têm a obrigação de orientar seus clientes sobre as novas regras durante a venda. Isso pode gerar um impacto positivo, educando os condutores e reduzindo infrações.

Além disso, a definição de áreas específicas para circulação, como as A-CALMA, incentiva o uso de bicicletas e patinetes em trajetos curtos, diminuindo o trânsito de automóveis e ajudando a reduzir a emissão de gases poluentes. Setores como o de logística e transporte também podem se beneficiar da medida, adaptando suas operações para incluir veículos elétricos em rotas urbanas.

Detalhes das regras de circulação

O decreto especifica os locais permitidos e proibidos para a circulação dos modais elétricos. Confira os principais pontos:

Tipo de Via Regras de Circulação
Vias acima de 60 km/h Circulação proibida para todos os modais elétricos.
Vias até 60 km/h Ciclomotores podem circular no bordo direito; bicicletas e autopropelidos somente em ciclovias.
Vias até 40 km/h Ciclomotores no bordo direito; bicicletas e autopropelidos em ciclovias ou ciclofaixas; podem usar o bordo direito na ausência dessas estruturas.

Além disso, o transporte de passageiros em bicicletas elétricas será permitido apenas quando o veículo tiver assento adequado, enquanto equipamentos autopropelidos não poderão transportar passageiros, salvo exceções previstas pelo fabricante.

Segurança como prioridade

O uso obrigatório de capacetes e a proibição de circulação em áreas destinadas exclusivamente a pedestres representam um avanço importante para a segurança. Segundo a Prefeitura de Vitória, as calçadas serão reservadas para pedestres, com exceção de veículos de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Para esses casos, a circulação será permitida, desde que respeitado o limite de 6 km/h.

A criação de percursos A-CALMA, que priorizam a convivência entre diferentes modais, é outro marco relevante. Esses trechos de velocidade reduzida serão implementados em até 18 meses, especialmente em áreas escolares e locais de grande fluxo de pedestres.

Visão dos especialistas

Especialistas em mobilidade urbana elogiam a iniciativa da Prefeitura de Vitória. Segundo o urbanista e professor Ricardo Almeida, "essas regras são essenciais para criar um ambiente mais seguro e organizado em uma cidade que busca equilibrar o uso de diferentes modais". Ele destaca que a regulamentação pode servir como modelo para outras cidades brasileiras.

No entanto, há desafios a serem enfrentados. A criação de ciclovias e sinalizações adequadas exige investimentos significativos, além de campanhas educativas para conscientizar a população sobre as novas regras. Para a advogada especialista em trânsito, Juliana Soares, "é fundamental que as normas sejam amplamente divulgadas e que haja fiscalização efetiva para garantir seu cumprimento".

Em resumo, as novas regras para bicicletas elétricas em Vitória representam um avanço no planejamento urbano, promovendo segurança e incentivando o uso de modais sustentáveis. O sucesso dessa iniciativa, contudo, dependerá de uma implementação eficiente e do engajamento da sociedade.

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