O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, rejeitou o pedido de isenção de encargos sobre horas extras durante a transição da escala 6x1. Em entrevista exclusiva à CNN Brasil, ele afirmou que "aquilo que for hora extra, será hora extra". O posicionamento foi divulgado em 28/05/2026.

Entenda a proposta da escala 6x1
A PEC que altera a jornada de trabalho visa reduzir a carga horária para 42 horas semanais, com dois dias de repouso remunerado. Após 60 dias da promulgação, a jornada cairá para 42 horas; ao término de 12 meses, será fixada em 40 horas.
Contexto histórico da jornada de trabalho no Brasil

A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece que a hora extra deve ser paga, no mínimo, com 50% de acréscimo. Desde a Constituição de 1988, a jornada padrão é de 44 horas semanais, mas reformas anteriores já buscavam flexibilizações.
O pleito do setor produtivo
Empresários solicitaram que, durante a fase de transição, os excessos de jornada não fossem contabilizados como hora extra. O argumento era evitar custos adicionais para a indústria enquanto se ajustava ao novo regime.
Reação de Hugo Motta
Hugo Motta classificou a proposta como "brincar com a inteligência da classe trabalhadora". Ele ressaltou que a Câmara não fará exceções para atender interesses econômicos específicos.
Aspectos legais da decisão
A Constituição Federal exige igualdade de tratamento entre trabalhadores. Qualquer diferenciação que beneficie apenas setores pode ser questionada judicialmente, conforme precedentes do STF sobre normas trabalhistas.
Impacto no mercado de trabalho
Analistas preveem que a manutenção da cobrança de horas extras pode elevar os custos operacionais de empresas intensivas em mão‑de‑obra. Contudo, a previsibilidade jurídica pode favorecer investimentos de longo prazo.
Especialistas em direito trabalhista comentam
Profissionais apontam que a medida preserva o princípio da proteção ao trabalhador. O jurista Carlos Alberto da Silva, da Universidade de São Paulo, destaca que "a exceção poderia criar precedente perigoso de flexibilização abusiva".
Repercussão nas negociações sindicais
Sindicatos nacionais celebraram a decisão como vitória da classe trabalhadora. A Confederação Nacional dos Trabalhadores (CNT) afirmou que continuará vigilante para garantir a correta aplicação da nova jornada.
Cronologia dos principais acontecimentos
- 28/05/2026 – Hugo Motta declara recusa ao pedido de isenção de horas extras.
- 30/05/2026 – Publicação da entrevista completa na CNN Brasil.
- 15/06/2026 – Relatório do relator Leo Prates é encaminhado ao plenário.
- 01/09/2026 – Votação da PEC no Congresso Nacional.
- 60 dias após promulgação – Início da jornada de 42 horas semanais.
- 12 meses após – Jornada fixa em 40 horas semanais.
Comparativo da jornada antes e depois da PEC
| Período | Jornada Semanal | Dias de Folga | Valor da Hora Extra |
|---|---|---|---|
| Antes da PEC | 44h | 1 dia | +50% da hora normal |
| Transição (60 dias) | 42h | 2 dias | +50% da hora normal |
| 12 meses depois | 40h | 2 dias | +50% da hora normal |
Perspectivas econômicas
O Banco Central projetou que a redução da jornada pode gerar aumento de produtividade de até 3%. Estudos do IPEA indicam que a melhoria no bem‑estar dos trabalhadores costuma refletir em maior eficiência.
A Visão do Especialista
Para o economista trabalhista Ana Lúcia Pereira, a decisão reforça a estabilidade jurídica necessária ao ambiente de negócios. Ela alerta que, embora os custos imediatos de horas extras permaneçam, a previsibilidade da nova escala pode estimular a modernização dos processos produtivos e reduzir a rotatividade.
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