Ex‑presidente do Fed, Janet Yellen, alertou que a inteligência artificial está elevando a inflação e bloqueia cortes nos juros. Em entrevista ao Expert XP, a economista explicou que o boom da IA está gerando pressão sobre semicondutores, energia e, consequentemente, sobre a política monetária americana.
Contexto Histórico do Fed e da IA
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Entre 2014 e 2018, Yellen conduziu o Fed em um cenário pós‑crise ainda frágil. Agora, o mesmo órgão enfrenta um novo motor de inflação: a corrida global por tecnologias de IA, que exige investimentos massivos em hardware e energia.

IA e a Demanda por Insumos Críticos
O treinamento de modelos de linguagem consome gigawatts de eletricidade e milhares de chips avançados. Essa demanda está encarecendo tanto a energia elétrica quanto os preços dos semicondutores, refletindo diretamente nos custos de produção de bens de consumo.
Dados Comparativos
| Indicador | Jan‑2024 | Jul‑2026 |
|---|---|---|
| Preço médio do wafer de 300 mm (USD) | 2.800 | 4.200 |
| Tarifa média de energia industrial (USD/MWh) | 78 | 112 |
| Inflação ao consumidor (US CPI) | 2,9 % | 4,1 % |
Os números mostram um salto de mais de 40 % nos custos de chips e energia em apenas dois anos. Essa alta alimenta a pressão inflacionária que o Fed ainda não conseguiu conter.
Repercussão nos Mercados Financeiros
Os investidores reagiram vendendo títulos de renda fixa e buscando ativos de refúgio. A curva de juros dos Treasuries de 10 anos subiu 25 bps após a declaração de Yellen, sinalizando ceticismo quanto a um próximo corte.
Risco de Política Monetária
Yellen enfatizou que o Fed prefere "esperar o fim dos choques de oferta" antes de apertar ainda mais. Contudo, ela alertou que, se a tensão geopolítica persistir, o banco central está "muito, muito preparado" para elevar os juros novamente.
Forças‑tarefa do Fed e Revisões Estruturais
Kevin Warsh criou cinco grupos de trabalho para revisar a condução da política monetária. Um desses grupos será liderado pelo ex‑presidente do Banco Central brasileiro, Arminio Fraga, trazendo uma perspectiva internacional à análise de risco.
Opinião de Especialistas Internacionais
Paul Krugman aponta que a IA pode gerar "ganhos de produtividade de longo prazo", mas ainda não há evidência concreta. Mohamed El‑Erian, por sua vez, destaca que a inflação alimentada por custos de energia e chips pode se tornar "uma nova normalidade" nos próximos ciclos.
Comparação com a Revolução da Internet nos Anos 1990
Yellen comparou o potencial da IA ao impacto da internet na segunda metade da década de 1990. Enquanto a internet trouxe aumentos de produtividade mensuráveis, a IA ainda está em fase de "escalada de custos" antes de gerar benefícios amplos.
Conflito Oriente Médio e Choques de Oferta
O aumento de mais de 7 % no preço do petróleo, ultrapassando US$ 100 por barril, adiciona outro vetor inflacionário. A escalada entre EUA e Irã, com a participação dos houthis, eleva o risco de interrupções no suprimento de energia.
Implicações para Empresas de Tecnologia e Energia
Companhias como Nvidia, AMD e fabricantes de data centers veem suas margens comprimidas. Simultaneamente, utilities e produtores de energia renovável podem se beneficiar de investimentos acelerados para atender à demanda de IA.
Perspectivas de Curto e Médio Prazo
Analistas preveem que a inflação nos EUA permanecerá acima da meta de 2 % até ao menos 2027. Essa projeção sugere que o Fed manterá a taxa de juros estável, com possibilidade de novos aumentos caso os choques de oferta se intensifiquem.
A Visão do Especialista
Do ponto de vista macroeconômico, a IA representa um "dobro‑fogo" para a política monetária: eleva custos imediatos enquanto promete ganhos de produtividade de longo prazo. Investidores devem monitorar indicadores de energia, preços de semicondutores e a evolução do conflito no Oriente Médio para calibrar suas estratégias de risco. A recomendação é manter posições defensivas em renda fixa de curto prazo e diversificar em ações de setores beneficiados pela transição energética.
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