Na quinta‑feira (9/04), a Casa Rosada Gasmig Minas recebeu a contadora de histórias Bárbara Amaral, que trouxe ao público fantasmas da Estrada Real durante a Noite Mineira de Museus e Bibliotecas.

O programa, que já completa 16 edições, transforma museus, bibliotecas e centros culturais em palcos de narrativas assustadoras, incentivando a visitação noturna e a valorização do patrimônio histórico.
A Estrada Real, rota de ouro que liga o interior de Minas a Rio de Janeiro, é berço de lendas que atravessam séculos, alimentando o imaginário de viajantes e moradores.
Quem é Bárbara Amaral e por que sua voz ecoa nas noites mineiras?
Com quase duas décadas de experiência, Bárbara Amaral coleciona prêmios internacionais, como o 20º International Storytelling Festival, em Teerã. Ela atua como coordenadora da Elena, produtora da Candeia e apresentadora do podcast "Histórias com café".
Na apresentação, a narradora trouxe relatos de assombrações que perambulam o trecho de Sabará, além de uma lenda urbana de Belo Horizonte que circula entre jovens corajosos.
Entre os casos citados, destacam‑se três histórias que se tornaram símbolos da região:
- O "Capeta da Vilarinho", o bailarino de chifres que assombra bailes dos anos 80.
- A "Moura da Rua da Bahia", aparição de uma mulher vestida de branco que protege a casa onde se realiza o evento.
- O "Cavaleiro de Ouro", espírito de um tropeiro que protege tesouros perdidos na trilha da Estrada Real.
Como a contadora pesquisa e compila esses mitos?
Amaral combina escuta ativa, entrevistas com idosos e análise de cartuns de Celton, renomado ilustrador de lendas bh‑minas. Seu método mistura tradição oral e fontes impressas, garantindo veracidade e riqueza de detalhes.
Durante a sessão, o público colaborou, acrescentando versões próprias e revelando novas variantes das histórias, demonstrando a natureza viva do folclore.
Essa troca instantânea reforça o papel da narrativa como ferramenta de preservação cultural e de construção coletiva de memória.
Qual o impacto desse evento na cena cultural mineira?
Ao transformar museus em ambientes de suspense, a Noite Mineira atrai turistas de horror e reforça a identidade regional. Negócios locais, como hotéis e restaurantes, relatam aumento de ocupação nas datas do programa.
Especialistas em turismo cultural apontam que o "dark tourism" impulsiona a economia ao mesmo tempo que educa visitantes sobre a história da Estrada Real.
Além do aspecto econômico, a iniciativa desperta interesse nas novas gerações por patrimônio histórico, despertando curiosidade por fatos reais por trás das lendas.
O que os especialistas dizem sobre o valor das lendas urbanas?
Historiadores afirmam que essas narrativas funcionam como arquivos informais, preservando detalhes que documentos oficiais ignoram. Antropólogos destacam seu papel na coesão social, ao criar um senso de pertencimento.
Psicólogos apontam que o medo controlado estimula a liberação de adrenalina, proporcionando experiências emocionais seguras e fortalecendo vínculos grupais.
Com a Noite Mineira em andamento, novos eventos estão programados para as próximas semanas, incluindo sessões em Ouro Preto e Tiradentes, ampliando a rede de contação de histórias.
O público pode garantir ingresso gratuito retirando o bilhete na plataforma Sympla e participar da próxima rodada de narrativas que promete revelar ainda mais segredos da Estrada Real.
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