O Fantaspoa 2026, Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre, está prestes a encerrar sua 22ª edição no próximo domingo, 26 de abril. Reconhecido como um dos maiores eventos dedicados ao cinema de gênero fantástico na América Latina, o festival trouxe uma programação diversificada que inclui desde estreias mundiais até clássicos restaurados. Na última semana, destacam-se cinco filmes imperdíveis que exploram o terror, a fantasia e o suspense de forma inovadora e provocadora.

Público em frente a uma tela de cinema durante a Fantaspoa 2026 em Porto Alegre.
Fonte: gauchazh.clicrbs.com.br | Reprodução

O legado do Fantaspoa: um festival em constante evolução

Desde sua criação em 2005, o Fantaspoa tem se consolidado como um ponto de encontro para cinéfilos e profissionais do cinema fantástico. O evento não apenas exibe obras de diretores renomados, mas também abre espaço para novos talentos, promovendo o diálogo entre diferentes culturas e linguagens cinematográficas. Este ano, o festival reuniu filmes de 30 países, demonstrando sua relevância no circuito internacional.

A edição de 2026 também reforçou o compromisso do festival em abordar temas contemporâneos, como tecnologia, colonialismo e identidade cultural, por meio da lente criativa do cinema de gênero. Essa abordagem tem atraído não apenas fãs tradicionais, mas também um público diversificado em busca de narrativas originais e impactantes.

Público em frente a uma tela de cinema durante a Fantaspoa 2026 em Porto Alegre.
Fonte: gauchazh.clicrbs.com.br | Reprodução

1. "Covil" (Brasil): o terror psicológico nacional em alta

Dirigido por Rodrigo Lages, "Covil" é uma das 10 estreias mundiais do Fantaspoa deste ano. O filme narra a história de uma jovem que, ao se mudar para uma casa abandonada com o namorado, descobre um segredo aterrador escondido em um quarto. Além de contar com a presença da atriz gaúcha Vitória Strada, o longa se destaca por sua narrativa não linear e reviravoltas instigantes.

O cinema brasileiro tem ganhado destaque no gênero de terror e suspense, e "Covil" reforça essa tendência, explorando temas como o desconhecido e os limites da curiosidade humana. As sessões acontecem na Cinemateca Paulo Amorim nos dias 23 e 25 de abril, ambas às 19h30min.

2. "A Maldição" (Japão/Taiwan): horror tecnológico e cultural

Com direção de Kenichi Ugana, "A Maldição" mistura o terror clássico japonês com críticas à hiperconectividade das redes sociais. A trama acompanha Riko, uma recepcionista que investiga postagens perturbadoras de uma amiga e acaba envolvida em uma série de eventos sobrenaturais. O filme cria uma atmosfera de tensão constante, utilizando longos planos que deixam o público à beira do susto.

Fãs de horror asiático encontrarão em "A Maldição" um exemplar que combina tradição e modernidade. As sessões estão programadas para o CineBancários nos dias 22 e 25 de abril.

3. "Mãrama" (Nova Zelândia/Inglaterra): o terror como crítica social

Dirigido por Taratoa Stappard, "Mãrama" se passa no século XIX e aborda questões de colonialismo e racismo por meio da história de Mary Stevens, uma jovem maori que descobre segredos sombrios na Inglaterra vitoriana. O filme é uma aula de como o terror pode ser utilizado como veículo para explorar as feridas históricas de uma sociedade.

A atuação de Ariana Osborne e a recriação detalhada da época são grandes destaques. "Mãrama" será exibido na Cinemateca Capitólio nos dias 23 e 24 de abril.

4. "Matapanki" (Chile): um herói punk nos subúrbios de Santiago

Diego "Mapache" Fuentes Badilla apresenta "Matapanki", um filme que mistura punk rock, superpoderes e crítica social. O protagonista, Ricardo, ganha habilidades extraordinárias após beber uma substância misteriosa, mas precisa decidir como usá-las. Com apenas 70 minutos de duração, o longa é uma explosão de energia e estilo visual.

Repleto de referências culturais e visuais, "Matapanki" é um retrato vibrante da juventude marginalizada. O filme será exibido nos dias 23 e 24 de abril, também na Cinemateca Capitólio.

5. "O Som do Abismo" (Reino Unido): surrealismo e humor britânico

Esta produção de baixo orçamento dirigida por Jake Kuhn e Noah Stratton-Twine é um exemplo perfeito da mostra "Low Budget, Great Films". A trama acompanha Jim Baitte, um técnico de som que precisa gravar ruídos únicos em uma ilha misteriosa. Com fotografia em preto e branco e um elenco carismático, o filme mistura surrealismo e comédia de forma única.

"O Som do Abismo" destaca-se pela criatividade com orçamento limitado e promete ser uma das surpresas do festival. As exibições ocorrem na Cinemateca Capitólio, em horários variados.

A importância do Fantaspoa no cenário internacional

O Fantaspoa reafirma, a cada edição, sua relevância como um dos principais festivais de cinema fantástico do mundo. Ele não apenas promove a diversidade cultural e a inovação artística, mas também serve como uma plataforma para que cineastas independentes alcancem um público global.

A programação variada e a curadoria cuidadosa são reflexo do trabalho incansável de seus organizadores, que continuam a atrair atenção de produtores, críticos e fãs de todos os cantos do planeta.

A Visão do Especialista

Com o encerramento do Fantaspoa 2026, fica claro que o festival não apenas celebra o cinema fantástico, mas também o utiliza como ferramenta para explorar questões sociais, culturais e políticas. Os cinco filmes destacados nesta última semana exemplificam o poder do gênero em desafiar limites narrativos e provocar reflexões profundas.

Para o futuro, espera-se que o Fantaspoa continue a crescer, consolidando-se como um dos pontos altos do calendário cultural brasileiro e internacional. Sua capacidade de inovar e se reinventar é um testemunho do vigor do cinema fantástico e de sua relevância contemporânea.

Público em frente a uma tela de cinema durante a Fantaspoa 2026 em Porto Alegre.
Fonte: gauchazh.clicrbs.com.br | Reprodução

Gostou da seleção? Compartilhe essa reportagem com seus amigos e ajude a divulgar o Fantaspoa, uma joia do cinema fantástico no Brasil!