Tendo como principal foco os assaltos a farmácias que visam roubar canetas emagrecedoras, como Wegovy e Ozempic, o estado de São Paulo tem registrado episódios alarmantes de violência, com vítimas fatais. De acordo com dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP), apenas nos primeiros cinco meses de 2026, ocorreram 162 roubos e furtos em farmácias na capital, uma média superior a um caso por dia, demonstrando que o problema persiste em níveis críticos.

Contexto: O aumento da violência em farmácias

Os crimes em farmácias têm como alvo, principalmente, as canetas emagrecedoras, produtos de alto valor comercial e grande procura no mercado negro. Em fevereiro de 2026, a farmacêutica Karina Aparecida Ribeiro de Souza foi morta durante um assalto em Santana, zona norte de São Paulo. O crime aconteceu quando um policial civil de folga reagiu ao roubo, resultando em um tiroteio fatal. Apesar de ocorrer em meio a um assalto, o caso foi registrado como decorrente de intervenção policial.

Outro caso emblemático foi o do guarda-civil Rodrigo dos Santos, de 42 anos, morto enquanto tentava impedir um roubo a uma farmácia na Vila Suzana, zona oeste da capital. Esses episódios têm gerado comoção e levantado debates sobre a segurança nos estabelecimentos.

Resposta das farmácias: Reforço na segurança

Diante do aumento da violência, redes de farmácias têm adotado medidas de segurança mais rígidas, incluindo a contratação de vigilantes. Em muitos casos, esses profissionais estão posicionados na entrada das lojas, em um esforço para inibir ações criminosas. Contudo, a Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) afirma que a decisão sobre segurança é individual de cada rede.

É importante destacar que, apesar dessas iniciativas, a maioria dos vigilantes contratados não está armada, como informou a RD Saúde, controladora das redes Raia e Drogasil. Essa abordagem visa minimizar os riscos de confrontos armados dentro dos estabelecimentos.

Impacto no mercado e no comportamento do consumidor

A violência tem afetado não apenas o funcionamento das farmácias, mas também o comportamento dos consumidores. Muitos clientes relatam medo ao frequentar esses estabelecimentos, especialmente em horário noturno. Além disso, o mercado paralelo de medicamentos roubados, muitas vezes comercializados por meio de redes sociais ou farmácias clandestinas, continua a alimentar a criminalidade.

Dados sobre roubos e ações policiais

Embora os números ainda sejam altos, a SSP afirma que houve uma melhora significativa no combate a esses crimes. Segundo o órgão, o estado registrou uma redução de 19% nos roubos a farmácias nos primeiros cinco meses de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. Na capital paulista, a queda foi de 2,4%.

Período Casos de Roubo Redução (%)
Jan-Mai 2025 200 -
Jan-Mai 2026 162 19%

Operações contra receptadores e organizações criminosas

As investigações das forças de segurança têm focado não apenas nos autores dos assaltos, mas também nos receptadores dos produtos roubados. Um comerciante acusado de adquirir e revender medicamentos roubados foi preso recentemente. Segundo um delegado envolvido no caso, os produtos roubados frequentemente acabam sendo vendidos em plataformas digitais ou pequenas farmácias clandestinas.

Além disso, a SSP informou que, nas últimas quatro semanas, nove suspeitos foram presos e três adolescentes apreendidos por envolvimento em roubos a farmácias na região metropolitana de São Paulo. A repressão às organizações criminosas tem sido uma prioridade do governo estadual.

O papel das canetas emagrecedoras no aumento dos crimes

As canetas emagrecedoras, utilizadas para tratar obesidade e diabetes, têm se tornado alvo preferencial de criminosos devido ao seu alto valor de mercado e fácil revenda. Com o aumento da oferta de versões brasileiras desses medicamentos e a concorrência com produtos contrabandeados do Paraguai, espera-se que os preços diminuam, o que pode reduzir a atratividade para os criminosos.

A visão do especialista

Para especialistas em segurança pública, os recentes episódios de violência em farmácias são reflexo de uma combinação de fatores: a alta demanda por medicamentos caros, a fragilidade na fiscalização de pequenos estabelecimentos e a ausência de políticas de segurança mais abrangentes. "É essencial que as farmácias invistam em protocolos de segurança mais robustos, incluindo sistemas de monitoramento e treinamento para os funcionários," afirma o consultor de segurança Ricardo Almeida.

Enquanto as ações policiais têm mostrado resultados positivos na repressão ao crime organizado, especialistas destacam que soluções de longo prazo devem incluir políticas públicas que desestimulem o mercado paralelo e promovam maior controle na distribuição de medicamentos de alto valor.

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