O Festival Mundial de Circo chegou a Belo Horizonte e ocupa teatros, praças e ruas a partir de hoje. De 31 de julho a 16 de agosto, a capital mineira recebe 24ª edição do evento, que traz mais de 30 espetáculos gratuitos ou a preços acessíveis, distribuídos entre o centro, Santa Tereza, Buritis e outras áreas periféricas.

Um panorama histórico do Festival Mundial de Circo
Desde sua criação em 1993, o Festival tem sido referência internacional. Originalmente concentrado em um único espaço – a Funarte – a edição de 2026 rompe com esse modelo ao colocar 90% da programação em vias públicas, reforçando a tradição circense de diálogo direto com o povo.
A proposta de "circo na rua" para 2026
Fernanda Vidigal, curadora do festival, decidiu "colocar o circo literalmente na rua". A estratégia visa democratizar o acesso, levar a arte circense a bairros que historicamente recebem poucos eventos culturais e criar um ambiente de improvisação onde o público pode participar ativamente.
Espetáculo‑estrela: "VaiqueeuVoo" dos Irmãos Sabatino
Inspirado nos aviadores da década de 1930, o show reconstrói voos em três níveis de altura. A companhia paulistana utiliza a báscula como "asa" humana, combinando barras fixas, quadrantes e argolas para simular decolagens, enquanto trajes de couro e óculos vintage reforçam a narrativa visual.
Técnicas e cenografia
A cenografia de "VaiqueeuVoo" permite movimentos em solo, médio e alto. A estrutura modular, transportável em caminhões, já foi apresentada na Bélgica, Holanda e Argentina, demonstrando a versatilidade do circo contemporâneo que transita entre lona e espaço urbano.
Destaques internacionais que chegam a BH
"Pss Pss", da suíça Compagnia Baccalà, mistura comédia física e cinema mudo, acumulando 16 prêmios globais. Já "Embolic", de Pau Palaus (Espanha), aposta na palhaçaria gestual, enquanto "Yo soy Américo", da argentina Camila Basterra, traz a figura do vendedor ambulante como metáfora social.
Representação brasileira no festival
O Grupo Trampulim apresenta "Casamento", uma investigação cômica sobre a vida a dois. Além disso, o Festival Interno de Escolas de Circo reúne professores e alunos de sete escolas locais, oferecendo oficinas gratuitas de malabarismo, equilibrismo e técnicas aéreas.
Programação e ingressos
| Espetáculo | Data | Local | Ingresso |
|---|---|---|---|
| VaiqueeuVoo – Irmãos Sabatino | 1/8 (sábado) | Praça Floriano Peixoto (Santa Efigênia) | Gratuito |
| Pss Pss – Compagnia Baccalà | 31/7 – 1/8 | Galpão Cine Horto | R$ 40 (inteira) / R$ 20 (meia) |
| Casamento – Grupo Trampulim | 31/7 – 1/8 | Teatro João Ceschiatti – Palácio das Artes | R$ 40 (inteira) / R$ 20 (meia) |
| MotoClown – Eu fui! | 1/8 (sábado) | Praça Duque de Caxias (Santa Tereza) | Gratuito |
| Cine Circo – Mostra de Filmes | 1/8 a 2/8 | Cine Santa Tereza | Gratuito |
Impacto econômico e cultural em Belo Horizonte
Segundo levantamento da Prefeitura, o festival deve gerar R$ 12 milhões em circulação direta. Hotéis, bares e comércio local recebem um aumento de 18% no fluxo de visitantes, enquanto a exposição de artistas internacionais eleva a visibilidade da cidade no mapa cultural global.
Desafios de financiamento e políticas públicas
O circo ainda é o segmento cultural que menos recebe recursos de editais e leis de incentivo. Fernanda Vidigal aponta a necessidade de capacitação dos artistas para acessar mecanismos de fomento, além de pleitear linhas de crédito específicas para projetos itinerantes.
Reação do público e tendências para o futuro
O público tem valorizado a imprevisibilidade das intervenções nas ruas, como cães correndo ou espectadores espontâneos. Essa dinâmica reforça a ideia de que o circo contemporâneo se alimenta da energia do ambiente urbano, criando experiências híbridas entre performance e vida cotidiana.
A Visão do Especialista
Para o analista cultural Rafael Nunes, a 24ª edição representa um marco de descentralização. "Ao abandonar a lona fixa, o festival democratiza o acesso, cria novas oportunidades de renda para artistas e pressiona gestores a repensar políticas de apoio ao circo", conclui, destacando que o modelo de 2026 pode servir de referência para outras capitais brasileiras nos próximos anos.
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