Investidores que buscaram nos FI‑Infra a isenção de IR agora encaram maior volatilidade e precisam reavaliar o custo‑benefício da classe. A euforia de 2024‑2025 deu lugar a resgates expressivos, impulsionados pela alta dos spreads de crédito e pelo cenário macroeconômico mais apertado.

Entenda o contexto histórico

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Entre 2022 e 2025, a classe acumulou mais de R$ 300 bilhões em patrimônio. Mudanças regulatórias que reduziram a atratividade de outros ativos isentos, somadas à expectativa de tributação dos fundos exclusivos, canalizaram recursos para as debêntures incentivadas.

Por que a volatilidade aumentou?

O aumento dos juros reais e a abertura dos spreads de crédito geraram queda nos preços das debêntures. Casos de estresse em emissores como Raízen e GPA acentuaram a aversão ao risco, forçando investidores a exigir remuneração maior.

Dados de resgates recentes

MêsResgates (R$ bilhões)
Abril10
Maio13
Junho10
Julho (estimado)5

Os números mostram que a saída de capital ultrapassou R$ 30 bilhões nos últimos três meses. Ainda, o volume total de ativos permanece administrável para os gestores.

O que dizem os gestores

Aymar Almeida (Kinea) afirma que os R$ 5 bilhões de resgates recentes não configuram fuga de capital. O fluxo ainda permite manter a carteira sem vendas forçadas, preservando a qualidade dos ativos.

Risco de crédito versus hedge

Marcelo Soares (One) alerta que o hedge reduz a volatilidade, mas não elimina o risco de crédito. Muitos investidores confundiram FI‑Infra com LCIs/LCAs, subestimando a sensibilidade a juros reais.

Natureza dos ativos e comparação de rentabilidade

As debêntures são majoritariamente indexadas ao IPCA, o que gera marcação a mercado quando os juros reais sobem. Comparar o desempenho com o CDI no curto prazo pode gerar percepções equivocadas de perda.

Debate tributário em pauta

A MP 1.330 perdeu validade, mas o Tesouro continua avaliando a revisão dos benefícios fiscais. Uma mudança poderia reduzir o fluxo de recursos para projetos de longo prazo, impactando o custo de financiamento da infraestrutura.

Setores com oportunidades

Saneamento, transmissão de energia e geração renovável concentram a maior parte da exposição dos fundos. A transição energética abre projetos com retornos atrativos, embora exija análise cuidadosa de riscos regulatórios e ambientais.

Qual o custo‑benefício para o investidor?

O benefício da isenção de IR ainda supera a volatilidade, desde que o investidor tenha horizonte de médio a longo prazo. A seleção de ativos com crédito sólido e alinhamento à inflação reduz a probabilidade de retornos negativos.

A Visão do Especialista

O mercado está passando de um ciclo de captação massiva para uma fase de seleção qualitativa. Gestores acreditam que a tese de infraestrutura permanece válida, mas o sucesso dependerá da capacidade de escolher projetos com risco controlado e retorno real acima da inflação.

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