O escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato à Presidência pelo Partido Liberal (PL), emitiu três notas fiscais no valor total de R$ 1,5 milhão para empresas ligadas ao empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Duas dessas notas, de R$ 500 mil cada, foram canceladas, enquanto a terceira ainda não apresenta registro de cancelamento. Flávio nega qualquer irregularidade, afirmando que os serviços jurídicos não foram prestados, e que a emissão das notas canceladas foi um procedimento padrão.
O Contexto das Notas Fiscais
De acordo com informações divulgadas pelo site Metrópoles em 22 de julho de 2026, as notas fiscais foram emitidas pelo escritório de advocacia do qual o senador é único sócio. As duas primeiras notas, datadas de 7 de abril de 2025, referiam-se à prestação de serviços de consultoria jurídica à Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A. Já a terceira, emitida em 9 de abril de 2025, estava vinculada à Contábil Correa Contabilidade e Auditoria Ltda.
Ambas as empresas têm ligações com Rogério Lourenço Novo, que, segundo registros da Receita Federal, é o único diretor da Copenhagen e sócio da Contábil Correa. Essas empresas, por sua vez, são associadas ao esquema de Daniel Vorcaro no Banco Master. No entanto, Flávio Bolsonaro declarou que recusou o trabalho com a Copenhagen, o que justificaria o cancelamento das notas fiscais relacionadas a essa empresa.
Declarações de Flávio Bolsonaro
Em um vídeo publicado na rede social X (antigo Twitter) no dia 22 de julho de 2026, Flávio negou a existência de qualquer irregularidade e afirmou que a emissão e o posterior cancelamento das notas fiscais ocorreram de maneira legal. Ele destacou que os serviços à Copenhagen não foram prestados e que, por isso, as notas foram anuladas. O senador também disse que as informações divulgadas são parte de uma tentativa de "marginalizar a advocacia".
Flávio também enfatizou que não é alvo de investigação e sugeriu que os dados sobre as notas fiscais possam ter sido vazados ilegalmente por órgãos governamentais. Ele relacionou a divulgação da reportagem a uma suposta tentativa de prejudicar sua imagem política em um momento em que pesquisas indicariam sua vantagem sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Vínculos com Daniel Vorcaro
Embora Flávio Bolsonaro afirme não ter negócios com Daniel Vorcaro, o nome do empresário já apareceu em outra ocasião envolvendo o senador. Segundo o Intercept Brasil, Vorcaro teria financiado com R$ 61 milhões o projeto cinematográfico "Dark Horse", inspirado na vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio negou qualquer irregularidade nesse caso e afirmou que não houve uso de recursos públicos.
Essa conexão entre Flávio e Vorcaro, somada às novas informações sobre as notas fiscais, alimenta questionamentos sobre a relação entre o senador e o fundador do Banco Master. Contudo, não foram apresentadas provas concretas que indiquem práticas ilegais por parte do parlamentar.
Aspectos Jurídicos e a Cronologia dos Fatos
O caso das notas fiscais gira em torno da emissão e do cancelamento de documentos fiscais relacionados à prestação de serviços jurídicos. Em situações normais, o cancelamento de notas fiscais ocorre dentro de um prazo pré-determinado, e a justificativa para o cancelamento deve ser devidamente registrada. A seguir, uma breve cronologia dos eventos:
- 7 de abril de 2025: Emissão de duas notas fiscais no valor de R$ 500 mil cada, destinadas à Copenhagen Consultoria.
- 9 de abril de 2025: Emissão de uma terceira nota, no mesmo valor, para a Contábil Correa.
- Data não especificada: Cancelamento das duas primeiras notas relacionadas à Copenhagen.
- 22 de julho de 2026: Publicação da reportagem pelo Metrópoles, gerando repercussão política e midiática.
Repercussão no Cenário Político
A divulgação das notas fiscais gerou ampla repercussão, especialmente considerando o contexto político em que o senador se encontra como pré-candidato à Presidência. Críticos apontam que as informações podem impactar negativamente sua campanha, enquanto aliados defendem que os fatos apresentados não configuram irregularidades.
Adicionalmente, a denúncia levanta questões sobre a transparência e o uso de informações protegidas por sigilo fiscal, o que poderá abrir espaço para debates jurídicos e políticos sobre o uso de dados sensíveis em disputas eleitorais.
A Visão do Especialista
Especialistas em direito tributário e eleitoral se dividem sobre os possíveis desdobramentos do caso. Alguns argumentam que o cancelamento das notas fiscais, se devidamente registrado, não configura irregularidade. No entanto, a ligação entre as empresas envolvidas e Daniel Vorcaro pode levantar dúvidas éticas sobre a relação de Flávio Bolsonaro com o empresário.
No campo político, o caso ilustra como questões fiscais e empresariais podem ser usadas como munição em campanhas eleitorais. Para Flávio Bolsonaro, o desafio será demonstrar que as transações seguiram os trâmites legais e que não há vínculos que comprometam sua integridade.
Os próximos meses serão decisivos, tanto para esclarecer os fatos quanto para medir o impacto dessas denúncias em sua campanha presidencial. Resta acompanhar os desdobramentos dessa história e como ela será explorada no cenário político brasileiro.
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