A Casa Gallo, uma das maiores marcas de azeites do Brasil, anunciou recentemente a realização de um estudo em parceria com a Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). O objetivo é esclarecer um dos mitos mais persistentes relacionados ao uso do azeite de oliva: a ideia de que o aquecimento do produto altera sua composição química, tornando-o prejudicial à saúde. A pesquisa promete reverter crenças antigas e ampliar o uso do azeite na culinária cotidiana.

O mito do aquecimento do azeite

O azeite de oliva é amplamente reconhecido por seus benefícios para a saúde, como a presença de ácidos graxos monoinsaturados e antioxidantes. No entanto, um mito recorrente sugere que, ao ser aquecido, o azeite perde suas propriedades benéficas e pode até mesmo liberar compostos tóxicos. Essa crença tem levado muitos consumidores a restringirem o uso do azeite apenas para finalização de pratos, evitando utilizá-lo em frituras ou refogados.

Esse mito ganhou força devido à ideia de que o ponto de fumaça — a temperatura na qual um óleo começa a queimar e liberar fumaça visível — seria baixo no caso do azeite. Contudo, pesquisadores vêm demonstrando que essa percepção não se sustenta em condições práticas de uso doméstico.

O que diz o estudo da Unicamp?

No estudo encomendado pela Casa Gallo, os pesquisadores da Unicamp analisaram o comportamento do azeite de oliva em cenários reais de cozimento, como refogar alimentos em frigideiras e até em air fryers. Os resultados indicam que o azeite mantém sua composição lipídica e não libera substâncias prejudiciais à saúde quando utilizado em temperaturas típicas de cozinha doméstica.

De acordo com Cristiane Souza, CEO da Casa Gallo no Brasil, "não há qualquer alteração na composição lipídica do azeite em condições normais de uso culinário." O estudo também reforça que o azeite continua sendo uma opção saudável para diversas formas de preparo, desmistificando preocupações infundadas.

Por que o ponto de fumaça não é o único fator relevante?

O ponto de fumaça é frequentemente citado como um parâmetro para determinar a segurança de um óleo ao ser aquecido. No entanto, especialistas apontam que ele não é o único critério relevante. Mais importante é a estabilidade oxidativa do óleo, que mede sua resistência à degradação química em altas temperaturas.

O azeite de oliva, especialmente o extra virgem, contém antioxidantes naturais, como os polifenóis, que ajudam a proteger sua composição mesmo em temperaturas elevadas. Além disso, sua alta concentração de ácidos graxos monoinsaturados o torna menos suscetível à oxidação, em comparação com óleos vegetais ricos em ácidos graxos poli-insaturados.

Impactos no mercado de azeites

A iniciativa da Casa Gallo tem potencial para transformar o mercado de azeites no Brasil. Atualmente, a marca detém cerca de um terço do mercado nacional, que é altamente competitivo, com aproximadamente 300 marcas atuantes. Ao promover o uso do azeite para finalidades além da finalização de pratos, a empresa busca ampliar o consumo do produto nas cozinhas brasileiras.

Como parte da estratégia, a Casa Gallo também lançará uma nova linha de embalagens que destacam as diferentes formas de uso do azeite, indicando sua aplicação em refogados e até no preparo de alimentos em air fryers. Além disso, a empresa planeja uma campanha de mídia para disseminar os resultados do estudo e reforçar a mensagem de que o azeite é versátil e seguro para cozinhar.

O que dizem os especialistas?

A comunidade científica e nutricionistas têm se manifestado favoravelmente à iniciativa. Estudos anteriores já indicavam que o azeite de oliva é estável em temperaturas de até 210°C, muito acima das práticas culinárias comuns, que geralmente não ultrapassam 180°C. Isso reforça a ideia de que o azeite é seguro e saudável, mesmo quando aquecido.

Segundo a nutricionista funcional Carla Mendes, "o azeite de oliva extra virgem é uma excelente escolha tanto para finalização quanto para cozimento, pois mantém grande parte dos seus compostos bioativos mesmo ao ser submetido a calor moderado."

Como essa informação pode mudar a rotina na cozinha?

A aceitação de que o azeite é seguro para cozinhar pode incentivar um aumento significativo em seu uso no dia a dia. Isso inclui desde refogados simples até métodos mais modernos de preparo, como o uso de air fryers. Além de agregar sabor, o azeite oferece benefícios à saúde, como a redução do colesterol LDL ("ruim") e a proteção contra doenças cardiovasculares.

A Casa Gallo aposta que a disseminação dessa informação pode ajudar os consumidores a fazer escolhas mais conscientes e saudáveis na cozinha, consolidando o azeite como um ingrediente essencial na dieta brasileira.

A Visão do Especialista

O estudo conduzido pela Unicamp e a iniciativa da Casa Gallo são passos importantes para desmistificar crenças infundadas sobre o aquecimento do azeite. Com base nas evidências apresentadas, é possível afirmar que o azeite de oliva não apenas mantém suas propriedades saudáveis em temperaturas comuns de cozimento, mas também oferece maior estabilidade em comparação com outros óleos.

No entanto, é crucial que os consumidores estejam atentos à qualidade do azeite que adquirem. Optar por azeites extra virgens de boa procedência é fundamental para garantir os benefícios prometidos. Além disso, práticas como o armazenamento correto (em local fresco e escuro) ajudam a preservar suas propriedades.

À medida que mais estudos como este forem realizados e divulgados, espera-se uma transformação positiva nos hábitos alimentares, com um maior uso do azeite não apenas como um tempero, mas como um óleo versátil e saudável para cozinhar. Compartilhe essa reportagem com seus amigos e ajude a desmistificar o uso do azeite de oliva na cozinha!