Geely está negociando a aquisição de uma fábrica da Ford na Espanha para lançar, possivelmente, um novo modelo que poderia reviver o icônico Fiesta. A informação vem de fontes do setor citadas pela revista La Tribuna de Automoción e foi confirmada como discussão em andamento em 09/05/2026.

Executivos da Geely em reunião com representantes da Ford em uma fábrica de automóveis.
Fonte: motor1.uol.com.br | Reprodução

Contexto histórico da presença chinesa na Europa

Nas últimas duas décadas, montadoras chinesas intensificaram investimentos fora da Ásia. A Geely, que já possui unidades na Bélgica e na Polônia, busca ampliar sua capacidade produtiva para atender às exigências da União Europeia.

Detalhes da fábrica da Ford em Espanha

Executivos da Geely em reunião com representantes da Ford em uma fábrica de automóveis.
Fonte: motor1.uol.com.br | Reprodução

A planta de Almussafes, perto de Valência, é uma das mais antigas da Ford fora dos EUA. Projetada para 300 mil unidades anuais, atualmente opera abaixo de 150 mil, concentrando-se apenas no SUV Kuga após o encerramento do Mondeo.

Motivações estratégicas da Geely

Reduzir tarifas de importação e custos logísticos são prioridades para a chinesa. Ao produzir localmente, a Geely elimina a taxa anti-dumping de 10 % aplicada a veículos elétricos importados da Ásia.

Benefícios para a Ford

Transformar ativos subutilizados em receita é essencial para a montadora norte‑americana. A cessão parcial ou total da planta pode preservar os 4 000 empregos atuais e gerar incentivos fiscais regionais.

Plataforma GEA e o modelo 135

A Global Intelligent Electric Architecture (GEA) permite variantes híbridas, plug‑in e 100 % elétricas. O código interno 135, possivelmente o Geely EX2, foi apresentado na Semana de Design de Milão como um hatch compacto.

Possível retorno do Ford Fiesta

Conversas incluem a produção de uma versão do hatch Geely sob a marca Ford. Se concretizado, seria uma estratégia para que a Ford compartilhe custos de desenvolvimento e compita com o VW ID.Polo e Renault Twingo.

Impacto no mercado europeu

Um novo modelo elétrico de preço acessível poderia alterar a dinâmica de vendas de B‑segmentos. Analistas preveem que a concorrência pode reduzir a margem média dos concorrentes em até 3 % nos próximos dois anos.

Emprego e volume de produção

AnoCapacidade anual (unidades)Produção real (unidades)Empregos diretos
2019 (pré‑pandemia)300 000295 0004 200
2023300 000140 0004 000
2026 (projeção)300 000≈250 0004 500

Cronologia das negociações

  • 2024: Ford anuncia plano de veículo multienergia para a mesma planta.
  • 2025: Geely inicia estudos de viabilidade na Espanha.
  • Junho 2025: Primeiras reuniões bilaterais entre executivos.
  • Março 2026: La Tribuna de Automoción publica fontes sobre acordo preliminar.
  • Setembro 2026 (previsto): Decisão final sobre a transferência de ativos.

Aspectos legais e regulatórios

Qualquer transferência de controle deve ser aprovada pela Comissão Europeia. O órgão avaliará impactos concorrenciais, especialmente diante da concentração de produção de EVs na região mediterrânea.

Perspectivas de cenário futuro

Se o acordo for concluído, a Geely terá uma base industrial completa na UE até 2027. Isso pode acelerar a introdução de veículos elétricos de preço competitivo e pressionar fabricantes tradicionais a revisarem suas estratégias de produção.

A Visão do Especialista

Especialistas apontam que a aliança Geely‑Ford representa um marco na reconfiguração da cadeia de suprimentos automotiva europeia. A integração de plataformas modulares e a redução de tarifas podem transformar a competitividade do continente, ao passo que a sobrevivência de fábricas históricas depende da capacidade de adaptação a novas tecnologias e parcerias globais.

Executivos da Geely em reunião com representantes da Ford em uma fábrica de automóveis.
Fonte: motor1.uol.com.br | Reprodução

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