Governadora do Distrito Federal acusa falta de boa‑vontade do governo Lula em apoiar o BRB. Na manhã de 15 de abril de 2026, Celina Leão (PP) afirmou que o Executivo federal não respondeu ao pedido de auxílio financeiro ao Banco de Brasília (BRB), instituição controlada pelo DF.

Contexto histórico da crise do BRB

O Banco de Brasília enfrenta dificuldades desde a tentativa frustrada de compra do Banco Master. Em 2023, o BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em créditos fraudulentos vinculados ao empresário Daniel Vorcaro, o que desencadeou um rombo contábil ainda não quantificado oficialmente.

Pedido de apoio ao governo federal

Celina Leão declarou que solicitou ajuda ao presidente Lula e ao Ministério da Fazenda sem receber retorno. Em entrevista, a governadora citou conversa telefônica com o ministro Dário Durigan, em 30 de março, que não resultou em medidas concretas.

Posição oficial do governo Lula

O governo federal sustenta que a solução deve ser buscada pelo Distrito Federal, acionista controlador do banco. Documentos internos do Palácio do Planalto indicam que a política de recapitalização do BRB foi delegada ao DF, conforme a Lei nº 14.678/2024.

Comparativo de assistência a outras instituições

Celina Leão comparou a situação ao apoio concedido ao Digimais, controlado por Edir Macedo. O Digimais recebeu viabilização de compra pelo BTG Pactual, ainda sujeita à aprovação do Banco Central e do Cade, mas sem vínculo direto com o FGC.

Marco legal para recursos do DF

A Lei de 2024 autoriza o Distrito Federal a contratar até R$ 6,6 bilhões em operações de crédito com o FGC ou bancos privados. Essa autorização visa proporcionar recursos de recapitalização ao BRB sem depender de repasses federais.

Dados financeiros críticos

O atraso na divulgação do balanço de 2025 aumentou a incerteza sobre o tamanho do rombo. O BRB ainda não apresentou demonstrações exigidas pela CVM, dificultando a avaliação de sua solvência.

BancoAssistência federalValor do apoio (R$ bi)
BRBNegada/pendente
DigimaisFacilitada (via BTG Pactual)≈ 2,0

Reestruturação interna do BRB

Em abril de 2026, o BRB demitiu dois diretores ligados à gestão anterior. As mudanças fazem parte de um plano de governança corporativa recomendado pela consultoria Kroll e pelo escritório Machado Meyer.

Posicionamento do Banco Central e ex‑ministros

Henrique Meirelles e o presidente do BC, Gabriel Galípolo, defenderam a necessidade de recursos privados para a recapitalização. Ambos afirmaram que não há evidência de culpa do ex‑presidente Roberto Campos Neto nas operações do Master.

Impacto no mercado financeiro

Investidores estrangeiros reduziram exposição ao BRB após o adiamento do balanço. Agências de rating observaram aumento do risco soberano do DF e solicitaram maior transparência nas operações de crédito.

Visões de especialistas

Economistas da Fundação Getúlio Vargas recomendam a combinação de recursos do FGC com emissão de títulos verdes. A estratégia poderia melhorar a liquidez do BRB e atender às exigências de sustentabilidade do mercado de capitais.

Cronologia dos principais fatos

  • 30/03/2026 – Telefone entre Celina Leão e ministro Dário Durigan.
  • 15/04/2026 – Declarações públicas da governadora sobre a falta de apoio federal.
  • Abril 2026 – Demissão de diretores do BRB.
  • Maio 2026 – Análise de Machado Meyer/Kroll publicada.

A Visão do Especialista

O próximo passo crítico será a aprovação da lei de crédito e a captação de recursos privados. Sem um acordo claro entre DF e governo federal, o BRB corre risco de deterioração de sua posição de mercado, o que pode pressionar ainda mais as finanças públicas do Distrito Federal.

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