O Espírito Santo registra aumento precoce de casos graves de SRAG, exigindo atenção imediata à vacinação. Dados do boletim InfoGripe da Fiocruz, referentes ao período de 19 a 25 de abril de 2026, apontam que a incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) está em ascensão, especialmente entre idosos e crianças.
Contexto Epidemiológico no Espírito Santo
O estado figura entre os 24 entes federativos em alerta nacional. Segundo o relatório da Fiocruz, 23 estados e o Distrito Federal apresentam risco ou alto risco para SRAG, e o Espírito Santo destaca-se por um crescimento acelerado de hospitalizações.
Até 25 de abril, 621 pacientes foram internados por SRAG, com taxa de mortalidade de 8,85 % (55 óbitos). Esse cenário supera a média nacional dos últimos três anos, que mantinha a taxa de óbito em torno de 5 %.
O que é a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)
SRAG não é uma doença, mas uma complicação de infecções virais graves. Ela engloba quadros de influenza, COVID‑19 e Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que podem provocar insuficiência respiratória e necessidade de suporte ventilatório.
Vírus em circulação e sua importância
Influenza A e VSR são responsáveis pela maior parte dos casos recentes. A Fiocruz identificou ainda a presença de outras patologias virais que contribuem para a carga epidemiológica.
| Vírus | Percentual |
|---|---|
| Influenza A | 31,6 % |
| Influenza B | 2,9 % |
| Vírus Sincicial Respiratório (VSR) | 36,2 % |
| Rinovírus | 26,0 % |
| SARS‑CoV‑2 (COVID‑19) | 3,0 % |
O predomínio do VSR eleva o risco para lactentes menores de seis meses. Por isso, a estratégia de imunização inclui a vacinação de gestantes para proteção indireta.
Grupos de risco e vulnerabilidade
- Idosos acima de 60 anos – maior taxa de hospitalização.
- Crianças menores de 2 anos – suscetíveis ao VSR.
- Gestantes a partir da 28ª semana – fonte de anticorpos para o bebê.
- Puérperas e imunossuprimidos – risco elevado de complicações.
Vacinação: cobertura, tipos e desafios
As vacinas disponíveis no SUS abrangem influenza, COVID‑19 e VSR. A vacina contra a gripe é recomendada para idosos, crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes, puérperas e grupos especiais; a de VSR é direcionada à gestante para proteger o recém‑nascido.
Desempenho da campanha vacinal no ES
A cobertura vacinal está abaixo da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde. Dados do subsecretário de Vigilância em Saúde, Orlei Cardoso, indicam que apenas 62 % dos grupos prioritários receberam a vacina contra influenza, enquanto a taxa de imunização contra VSR nas gestantes ronda 48 %.
Novas variantes da influenza e seu impacto
Uma cepa de influenza A chegou ao estado com antecedência de quatro semanas em relação ao padrão histórico. Estudos do InfoGripe apontam mutações que podem reduzir a eficácia da vacina padrão, reforçando a necessidade de monitoramento genômico contínuo.
Medidas de prevenção além da vacina
Higiene das mãos, uso de máscara em ambientes fechados e ventilação adequada permanecem essenciais. O infectologista Lorenzo Nico Gavazza enfatiza que a proteção externa – hábitos saudáveis – complementa a imunização interna.
Impacto econômico e no sistema de saúde
O aumento de internações eleva os custos hospitalares e pressiona leitos de terapia intensiva. Estimativas da Secretaria de Saúde do ES sugerem que a sobrecarga pode gerar despesas adicionais de cerca de R$ 12 milhões nos próximos três meses, caso a tendência de crescimento persista.
A Visão do Especialista
Os especialistas recomendam intensificar a campanha de vacinação e ampliar estratégias de comunicação. Lauro Pinto alerta que a antecipação da temporada de gripe requer ação rápida, enquanto Leo Bastos sugere a atualização das formulações vacinais frente às novas variantes. A combinação de cobertura vacinal ampliada, vigilância genômica e medidas de prevenção comportamental é a estratégia mais eficaz para conter a onda de SRAG no Espírito Santo.
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