O caso Henry Borel, que abalou o Brasil em 2021, voltou a ganhar os holofotes com novas revelações feitas durante o julgamento no II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. No sexto dia de sessões, ocorrido no sábado (30 de maio de 2026), Bryan Medeiros da Costa e Silva, irmão da ré Monique Medeiros, afirmou que um advogado vinculado à defesa de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, teria treinado Monique para mentir sobre a morte do menino.

O Contexto do Caso Henry Borel

A tragédia envolvendo Henry Borel, de apenas quatro anos, ocorreu em março de 2021. O menino foi encontrado morto no apartamento onde vivia com a mãe, Monique Medeiros, e o então padrasto, o ex-vereador Jairinho. Laudos periciais apontaram 23 lesões no corpo da criança, indicando episódios de violência antes da morte.

Jairinho é acusado de ser o autor das agressões que levaram à morte de Henry, enquanto Monique responde por homicídio por omissão, com a tese de que ela teria conhecimento do comportamento violento de Jairinho, mas não tomou medidas para proteger o filho. O caso gerou comoção nacional e se tornou um símbolo do debate sobre violência doméstica e infantil no Brasil.

As Declarações de Bryan Medeiros

Durante seu depoimento, Bryan Medeiros trouxe à tona acusações graves. Segundo ele, o advogado André França, ligado à defesa de Jairinho, orientou Monique a mentir, afirmando que Jairinho estaria dormindo no momento do crime. Monique teria resistido à orientação, pois não queria criar uma narrativa falsa. Essa revelação reforça suspeitas de manipulação e controle exercidos ao longo do relacionamento entre Monique e Jairinho.

Além disso, Bryan relatou episódios de comportamento controlador e abusivo por parte do ex-vereador. Ele descreveu que Jairinho monitorava Monique constantemente, demonstrava ciúmes excessivos e chegou até mesmo a sugerir que o celular dela estaria grampeado. Em outro episódio, Monique teria sido acordada por Jairinho, que a enforcou durante um ataque de ciúmes.

O Papel das Testemunhas e a Estrutura do Julgamento

O julgamento, que já se aproxima de uma semana de duração, conta com depoimentos de testemunhas-chaves indicadas tanto pela acusação quanto pelas defesas dos réus. Entre os depoentes, estão familiares, amigos e profissionais que conviviam com Henry e seus responsáveis.

No quinto dia de julgamento, Leniel Borel, pai de Henry, descreveu o último fim de semana que passou com o filho. Ele relatou que, ao devolver o menino para Monique, Henry demonstrou resistência e se agarrou ao colo do pai, dizendo que "a mamãe não era uma mamãe boa". Esses momentos emocionantes trouxeram ainda mais peso ao caso, destacando a vulnerabilidade da criança diante do ambiente em que vivia.

Impacto Social e Legal

A morte de Henry não é apenas um caso de violência doméstica isolado, mas um marco no debate sobre falhas estruturais em proteger crianças em situações de risco. O caso catalisou discussões sobre como o sistema judiciário e os órgãos de proteção podem ser mais eficientes em prevenir tragédias semelhantes.

O julgamento também levanta questionamentos sobre a conduta ética de advogados em casos criminais de alta repercussão. A acusação de que Monique foi treinada para mentir expõe uma prática que, se comprovada, pode configurar obstrução à justiça.

Repercussão na Mídia e na Sociedade

A cobertura massiva do caso Henry Borel manteve o tema em evidência por anos. Movimentos de defesa das crianças e adolescentes têm utilizado o caso como exemplo para pressionar por políticas públicas mais eficazes. A repercussão internacional também colocou o Brasil em destaque no debate sobre violência contra a infância.

Além disso, o julgamento reacendeu discussões sobre a relação entre poder político e impunidade. Jairinho, ex-vereador de prestígio, é acusado de usar sua influência para tentar manipular o caso e intimidar testemunhas.

Próximos Passos no Processo

Com o término das oitivas de testemunhas, o julgamento entrará na fase de interrogatório dos réus. Este será o momento em que Jairinho e Monique poderão apresentar suas versões dos fatos. Após essa etapa, seguirão os debates finais entre acusação e defesa, culminando na decisão do Conselho de Sentença, composto por sete jurados.

Se condenados com penas superiores a 15 anos, os réus poderão ter suas prisões decretadas imediatamente no plenário, marcando um desfecho significativo para um caso que chocou o país.

A Visão do Especialista

Caso as alegações de Bryan Medeiros sejam comprovadas, o impacto na defesa de Jairinho pode ser devastador. Treinar uma testemunha para mentir é uma violação ética grave e pode ser interpretado como tentativa de obstrução da justiça. Para o sistema jurídico, isso reforça a necessidade de maior fiscalização sobre a conduta de advogados em casos de alta repercussão.

A conclusão do julgamento será um marco não apenas para a família de Henry, mas também para a sociedade brasileira. Independentemente do veredicto, o caso já deixou uma lição: é crucial reforçar mecanismos de proteção às crianças e combater práticas abusivas em todos os níveis, desde o ambiente doméstico até o sistema judiciário.

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