Arqueólogos fizeram uma descoberta inusitada sob o Castelo de Pembroke, no País de Gales: os ossos de um hipopótamo de 120 mil anos, além de vestígios de mamutes-lanosos e evidências da presença de humanos primitivos, incluindo neandertais. A descoberta, realizada na Caverna Wogan, é considerada um marco na arqueologia britânica e promete lançar luz sobre as mudanças climáticas e a adaptação humana ao longo de milênios.

Um hipopótamo fóssil de 120 mil anos é descoberto sob um castelo no País de Gales.
Fonte: oglobo.globo.com | Reprodução

Como um hipopótamo foi parar no País de Gales?

A presença de fósseis de um hipopótamo em uma região como o País de Gales pode parecer improvável à primeira vista. No entanto, os pesquisadores explicam que os ossos datam do último período interglacial, cerca de 120 mil anos atrás, quando o clima da região era significativamente mais quente. Nessas condições, espécies como os hipopótamos podiam prosperar em áreas que hoje são consideradas frias e inadequadas para sua sobrevivência.

Além disso, a caverna revelou camadas de sedimentos que indicam múltiplos períodos de ocupação humana e presença de grandes mamíferos, como os mamutes-lanosos. Isso sugere que a região já foi um ecossistema vibrante e diverso, muito diferente do cenário atual.

Um hipopótamo fóssil de 120 mil anos é descoberto sob um castelo no País de Gales.
Fonte: oglobo.globo.com | Reprodução

A Caverna Wogan: um tesouro arqueológico

A Caverna Wogan, localizada sob o Castelo de Pembroke, já era conhecida há séculos, mas acreditava-se que não continha mais materiais arqueológicos relevantes. Escavações anteriores, realizadas entre 2021 e 2024, mudaram essa percepção ao revelar sedimentos amplamente preservados. Agora, com o apoio de um novo projeto de pesquisa de cinco anos, os cientistas esperam explorar ainda mais este local único.

Os achados incluem não apenas os ossos do hipopótamo, mas também evidências de ocupação humana por Homo sapiens primitivos e possíveis neandertais. Isso abre caminho para o estudo detalhado das transformações ambientais e da resposta de diferentes espécies humanas às mudanças climáticas ao longo de mais de 100 mil anos.

O impacto das mudanças climáticas na pré-história

A descoberta dos ossos de hipopótamo e outros vestígios na Caverna Wogan reforça a importância de se compreender como o clima influenciou a evolução da vida na Terra. Durante o último período interglacial, as temperaturas eram mais altas, permitindo que espécies como os hipopótamos migrassem para o norte. Com o início da última Era do Gelo, há cerca de 115 mil anos, essas espécies foram substituídas por outras adaptadas ao frio, como os mamutes-lanosos.

Para os humanos primitivos, essas mudanças climáticas significaram desafios de sobrevivência significativos. Eles precisaram desenvolver novas formas de se adaptar, como o uso do fogo, roupas e ferramentas. A análise das camadas de sedimentos da caverna pode ajudar a traçar uma linha do tempo detalhada dessas adaptações.

O papel da arqueologia no entendimento do passado

A descoberta na Caverna Wogan destaca a importância da arqueologia na compreensão das interações entre o meio ambiente e as espécies que habitam a Terra. Estudos como este não apenas ampliam nosso conhecimento sobre o passado, mas também nos ajudam a prever como as mudanças climáticas podem impactar as espécies no futuro.

De acordo com Rob Dinnis, arqueólogo da Universidade de Aberdeen e líder da pesquisa, "não existe outro sítio arqueológico como este na Grã-Bretanha. É uma descoberta que acontece uma vez na vida". A caverna oferece uma oportunidade única de estudar a evolução da vida ao longo de milênios, com implicações para a ciência, a arqueologia e a compreensão histórica.

Repercussão e próximos passos

A descoberta já gerou grande interesse na comunidade científica e no público em geral. Jon Williams, gerente do Castelo de Pembroke, destacou que a caverna apresenta uma narrativa histórica completamente distinta da tradicional associada ao castelo medieval. Ele também destacou o potencial turístico e educativo da preservação do local.

Novas escavações estão programadas para começar no final de maio de 2026, com o objetivo de mapear completamente a caverna e catalogar todos os vestígios encontrados. Financiamentos adicionais estão sendo direcionados para análises laboratoriais, que incluirão estudos de DNA e datação por carbono.

A importância global da descoberta

O achado na Caverna Wogan não é apenas significativo para a história do País de Gales, mas também para a compreensão global da pré-história. Ele reforça a hipótese de que as mudanças climáticas desempenharam um papel crucial na evolução das espécies e na migração humana. Além disso, a descoberta de ossos de hipopótamos em uma região tão improvável destaca a necessidade de estudos contínuos sobre os efeitos das mudanças climáticas no passado.

A Visão do Especialista

Do ponto de vista científico, a descoberta na Caverna Wogan é uma oportunidade única para reescrever capítulos inteiros da história climática e evolutiva da Grã-Bretanha. A combinação de fósseis animais e vestígios humanos oferece um retrato detalhado de como espécies diferentes coexistiram e enfrentaram as adversidades impostas por um ambiente em transformação.

Além disso, o estudo dos restos mortais de um hipopótamo em uma latitude tão ao norte nos força a refletir sobre o impacto que mudanças climáticas podem ter no futuro. Assim como no passado, as alterações no clima podem levar a mudanças drásticas nos ecossistemas e nos padrões de migração de espécies, incluindo a nossa. Entender o passado é, portanto, essencial para prever e mitigar os desafios que ainda estão por vir.

Um hipopótamo fóssil de 120 mil anos é descoberto sob um castelo no País de Gales.
Fonte: oglobo.globo.com | Reprodução

Compartilhe essa reportagem com seus amigos e ajude a disseminar o conhecimento sobre essa fascinante descoberta arqueológica que está reescrevendo a história da pré-história britânica.