O IBGE divulgou que o índice de Gini subiu para 0,511 em 2025, representando a segunda menor marca da série histórica. O dado indica uma leve elevação da desigualdade de renda após a mínima de 0,504 registrada em 2024.

Gráfico do IBGE mostrando tendência de desigualdade econômica em 2025.
Fonte: www1.folha.uol.com.br | Reprodução

Contexto Histórico da Medição do Gini no Brasil

Desde 2012, o IBGE acompanha anualmente o índice de Gini através da PNAD Contínua. A série começou com 0,535 e tem apresentado oscilações ligadas a crises econômicas, políticas sociais e variações no mercado de trabalho.

Dados da PNAD Contínua para 2025

Em 2025, a renda domiciliar per capita média foi de R$ 2.264, crescendo 6,9% em relação a 2024. Esse aumento foi registrado em todas as fontes de renda, porém com intensidade desigual entre os deciles.

AnoÍndice de GiniRenda per capita (R$)
20230,5182.115
20240,5042.111
20250,5112.264

Evolução do Índice de Gini de 2012 a 2025

O pico de 0,545 em 2018 ainda é o maior registrado na série. Desde então, o índice tem se mantido abaixo de 0,55, refletindo a influência de políticas de transferência de renda e a recuperação pós‑pandemia.

AnoÍndice de Gini
20120,527
20150,539
20180,545
20200,521
20220,515
20240,504
20250,511

Distribuição da Renda per Capita por Decil

Os 10% mais ricos tiveram renda de R$ 9.117, enquanto os 10% mais pobres chegaram a R$ 268. Ambos os valores são recordes da série, mas a diferença de crescimento (8,7% vs 3,1%) ampliou a disparidade.

Impacto dos Programas Sociais

O Bolsa Família e o BPC mantiveram o benefício médio em torno de R$ 870, sem reajuste em 2025. A estabilidade dos pagamentos explica a participação limitada dos mais pobres no aumento geral da renda.

Contribuição das Fontes de Renda ao Aumento da Desigualdade

Aluguéis subiram 11,8% (R$ 2.526) e aplicações financeiras 3,6% (R$ 2.302), impulsionando a renda dos detentores de patrimônio. O trabalho continuou sendo a principal fonte, com remuneração média de R$ 3.560, alta de 5,7%.

Comparação Internacional do Índice Gini

Países nórdicos registram Gini entre 0,25 e 0,30, enquanto os EUA ficam próximos a 0,40. O Brasil, com 0,511, ainda se posiciona em patamar de alta desigualdade, apesar da leve queda em 2024.

Repercussão no Mercado de Trabalho e nos Investimentos

O crescimento de salários formais acompanhou a alta geral, mas a concentração de renda em ativos financeiros ampliou a diferença de poder aquisitivo. Analistas apontam que juros elevados favorecem proprietários de imóveis e investidores.

Posicionamento de Especialistas e Instituições Acadêmicas

Gustavo Geaquinto Fontes (IBGE) classifica a variação como "pequena oscilação" dentro da zona de estabilidade. Daniel Duque (FGV Ibre) destaca que "todo mundo aumentou a renda, mas com velocidade distinta".

Perspectivas para 2026 e Políticas Públicas

O governo sinaliza revisão dos programas de transferência e ajustes fiscais que podem influenciar o próximo ciclo de medição. Espera‑se que a agenda de inclusão financeira e reforma tributária seja central na tentativa de reduzir o Gini.

A Visão do Especialista

Segundo André Salata (PUCRS Data Social), a subida de 1,4% em 2025 é "discreta", mas evidencia a necessidade de políticas que acelerem o crescimento da renda dos 10% mais pobres. Ele recomenda ampliação de benefícios vinculados à inflação e incentivos ao acesso ao crédito para reduzir a concentração de renda nos próximos anos.

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