O delegado Henrique Damasceno declarou que a versão apresentada pelos réus no caso Henry Borel é uma "farsa ensaiada", lançando nova luz sobre o julgamento que tem mobilizado todo o país. O depoimento ocorreu na abertura do segundo dia do Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, onde Jairinho, Monique Medeiros e o ex‑vereador Jairo Souza Santos Júnior são julgados pelo homicídio do menino de quatro anos.

Contexto histórico do crime

Henry Borel foi encontrado morto em 12 de março de 2022, em circunstâncias que inicialmente foram tratadas como acidente doméstico. A investigação ganhou destaque nacional após a revelação de que o menino vivia sob constante violência do padrasto, Jairinho, e que a mãe, Monique, teria participado de um encobrimento.

Depoimento do delegado Henrique Damasceno

Damasceno, responsável pela investigação inicial, classificou a narrativa dos réus como "farsa ensaiada". Segundo ele, as declarações prestadas logo após o crime foram coordenadas para confundir a polícia e desviar a responsabilidade.

Contradições nas declarações de Monique

Monique alegou ter voltado rapidamente ao apartamento após alerta da babá, mas as mensagens de celular apontam que ela permaneceu em um salão de beleza por horas. Essa discrepância foi destacada pelo delegado como prova de tentativa de manipulação da linha do tempo.

Detalhes das mensagens

  • 12/03/2022 – 14h30: alerta da babá sobre comportamento da criança.
  • 14h45: Monique envia mensagem ao marido informando que está "a caminho".
  • 15h20: registro de check‑in no salão de beleza "Estilo & Beleza".
  • 16h55: Monique chega ao apartamento, já com a cena do crime.

Testemunhas orientadas a mentir

O delegado afirmou que a babá e a avó de Henry foram instruídas por advogados a apresentar versões falsas na delegacia. Essa acusação reforça a tese de conluio entre a família e a defesa.

Rotina de agressões e torturas

Investigações revelaram que Henry era submetido a agressões sistemáticas, incluindo episódios em que Jairinho o trancava em um quarto. Em um desses momentos, a criança foi ouvida gritando "eu prometo" antes de supostamente "cair da cama".

Laudo do Instituto Médico‑Legal (IML)

O exame pericial identificou 23 lesões, com hemorragia interna e laceração hepática provocadas por ação contundente. O relatório descartou a hipótese de acidente doméstico, apontando para violência deliberada.

Tipo de LesãoQuantidadeProvável Causa
Contusões12Impacto contundente
Lacerações5Objetos cortantes
Fraturas3Queda ou compressão
Hemorragia interna3Violência física

Desdobramentos no julgamento

O júri, previsto para durar de sete a dez dias, já ouviu o delegado e seguirá com a delegada Ana Carolina Medeiros e o perito Luiz Carlos Prestes. As acusações incluem homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo e fraude processual.

Repercussão no mercado jurídico

Especialistas apontam que o caso pode redefinir parâmetros de responsabilização em crimes de violência doméstica. Advogados de defesa e acusação têm usado o processo como referência para estratégias de argumentação em casos semelhantes.

Impacto na opinião pública e na mídia

A cobertura intensa nas redes sociais e na imprensa tradicional elevou o debate sobre proteção infantil e impunidade. Pesquisas de opinião indicam que mais de 78 % dos entrevistados consideram o caso emblemático para a justiça brasileira.

A Visão do Especialista

Para o jurista Dr. Carlos Alberto Ribeiro, a "farsa ensaiada" denunciada pelo delegado pode ser decisiva para a condenação. Ele ressalta que a convergência entre provas técnicas, depoimentos contraditórios e o laudo do IML cria um cenário quase irreversível para a defesa, sinalizando que o veredicto provavelmente será de condenação.

Compartilhe essa reportagem com seus amigos.