Em 15 de abril de 2026, a Justiça de São Paulo aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou o deputado estadual Lucas Bove (PL) réu por descumprimento de medidas protetivas de urgência em favor da influenciadora digital Cíntia Chagas.

Contexto do relacionamento e da denúncia

O casamento entre Bove e Cíntia durou apenas 90 dias, mas já resultou em duas ações penais distintas. O vínculo breve foi marcado por alegações de violência doméstica, perseguição e quebra de decoro parlamentar.

O segundo processo criminal

Trata‑se de um novo procedimento que acusa o parlamentar de dez episódios de descumprimento das medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha. As restrições incluíam a proibição de contato direto ou indireto e a manutenção de distância mínima da vítima.

Decisão judicial e fundamentos

O juiz Felipe Pombo Rodrigues rejeitou a tentativa da defesa de arquivar o caso nesta fase. Segundo o magistrado, há indícios suficientes de autoria e materialidade para a continuidade da ação penal.

Agenda das audiências de outubro

As audiências foram marcadas para o início de outubro no Fórum Regional do Butantã, zona oeste da capital.

  • 6/10: depoimento da vítima e das testemunhas de acusação;
  • 7/10: oitiva das testemunhas de defesa;
  • 8/10: interrogatório de Lucas Bove.

Possíveis sanções penais

Em caso de condenação, a pena prevista varia de três meses a dois anos de detenção. A legislação ainda permite a aplicação de multa e restrição de direitos políticos.

O processo anterior e a multa de R$ 50 mil

Lucas Bove já responde a outra ação por violência doméstica, psicológica e perseguição contra Cíntia. Nessa fase, ele foi condenado ao pagamento de multa de R$ 50 mil por violar ordens judiciais que proibiam a divulgação do nome da vítima.

Arquivamento da denúncia pelo Conselho de Ética da Alesp

No ano passado, o Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo decidiu arquivar a denúncia de quebra de decoro parlamentar. O arquivamento não impede a continuidade das investigações criminais.

Histórico de políticos e violência doméstica no Brasil

Casos como o de Bove reforçam um padrão recorrente de impunidade e tolerância à violência entre autoridades eleitas. Desde a Lei Maria da Penha (2006), o número de processos contra parlamentares tem crescido, mas a efetividade das penas ainda é questionada.

Repercussão no mercado e na opinião pública

Pesquisas recentes apontam queda de até 12 % na aprovação do PL nas pesquisas eleitorais após a divulgação das denúncias. Investidores monitoram o risco reputacional, especialmente em setores ligados a contratos públicos.

Especialistas comentam o caso

O professor de Direito Penal da USP, Dr. Marcos Silva, destaca que o descumprimento de medidas protetivas costuma ser tratado com rigor pelos tribunais. Já a analista política Fernanda Lima alerta para o efeito cascata nas eleições municipais de outubro.

Resumo cronológico e penalidades

DataEventoPenalidade prevista
15/04/2026Denúncia aceita – Bove réu por 10 descumprimentos3 meses a 2 anos de detenção
06‑08/10/2026Audiências de instruçãoPossível imposição de multa adicional
Outubro 2026Julgamento do processo anterior (violência psicológica)Multa de R$ 50 mil

A Visão do Especialista

Para o jurista Dr. Paulo Couto, a condenação de Bove pode estabelecer um precedente importante para a responsabilização de parlamentares em casos de violência doméstica. Ele recomenda que o Legislativo adote mecanismos internos mais rígidos, como a suspensão automática de mandato ao recebimento de medida protetiva, para evitar a perpetuação de impunidade.

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