Lindbergh Farias (PT‑RJ) denunciou nesta segunda‑feira (8) a suposta censura à pesquisa AtlasIntel que indicaria queda nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) após vazamento de áudio sobre financiamento de filme.

Lindbergh reage à censura e acusa Flávio Bolsonaro de exigir dinheiro para o filme Dark Horse.
Fonte: www.brasil247.com | Reprodução

Contexto da pesquisa AtlasIntel

AtlasIntel é um instituto de pesquisa de opinião reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde 2019. O levantamento, realizado entre 1º e 5 de junho de 2026, utilizou amostra probabilística de 1.200 eleitores em todo o país, seguindo normas da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP).

Decisão do TSE de suspender a divulgação

O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, determinou a suspensão da divulgação em 7 de junho, citando indícios de comprometimento metodológico. A medida baseou‑se no art. 31, § 2º, da Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997), que permite a restrição de divulgação de pesquisas que possam afetar a igualdade de oportunidades entre candidatos.

Resultados preliminares da AtlasIntel

A pesquisa apontou redução de 4,3 pontos percentuais nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro, de 12,5 % para 8,2 %. O mesmo levantamento mostrou estabilidade ou leve aumento para outros pré‑candidatos, conforme relatório interno encaminhado ao TSE.

Áudio vazado e pedido de recursos

Áudio obtido por reportagem do jornal O Globo revelou Flávio Bolsonaro solicitando R$ 61 milhões ao empresário Daniel Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse". O pedido faz parte de um total de R$ 134 milhões solicitados ao mesmo empresário.

Fundo Havengate e sua estrutura

O Havengate Development Fund, sediado no Texas, recebeu parte dos recursos via conta de Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro nos EUA. Documentos judiciais mostram que o fundo foi criado em 2023 para investimentos em projetos culturais e imobiliários.

Financiamento do filme "Dark Horse"

"Dark Horse" é um longa‑metraje biográfico de Jair Bolsonaro, atualmente cumprindo prisão domiciliar após condenação do STF. O orçamento declarado do filme é de US$ 25 milhões, equivalentes a aproximadamente R$ 134 milhões, com parte dos recursos supostamente vinculados ao fundo Havengate.

Operação Compliance Zero

A Polícia Federal, por meio da Operação Compliance Zero, investiga supostas fraudes financeiras envolvendo Daniel Vorcaro. A investigação aponta movimentação de pelo menos R$ 12 bilhões em operações suspeitas entre 2022 e 2025.

Reação de Flávio Bolsonaro e do PL

Flávio Bolsonaro, em entrevista à TV Globo, classificou a suspensão da pesquisa como "ação arbitrária" e acusou o TSE de parcialidade. O Partido Liberal (PL) emitiu nota oficial defendendo a legalidade da decisão judicial e solicitando revisão da medida.

Postagem de Lindbergh Farias nas redes sociais

Na rede X, Lindbergh escreveu: "ABSURDO! Flávio Bolsonaro e o PL impõem censura à pesquisa Atlas/Intel que registrou queda de intenções de voto dele após vazamento daquele áudio". O deputado também citou a frase "defendem liberdade de expressão só até a página 2".

Impacto no mercado político

Analistas de opinião apontam que a suspensão pode gerar desconfiança nos eleitores sobre a transparência das pesquisas. O Instituto Ibope/Opinião estima que a credibilidade das pesquisas eleitorais caiu 2,1 % nos últimos três meses, conforme levantamento interno.

Cronologia dos principais fatos

  • 01/05/2026 – Início da coleta de dados da AtlasIntel.
  • 15/05/2026 – Vazamento do áudio de Flávio Bolsonaro solicitando R$ 61 milhões.
  • 30/05/2026 – Primeira divulgação parcial dos resultados (queda de 4,3 pontos).
  • 07/06/2026 – Decisão do TSE de suspender a divulgação.
  • 08/06/2026 – Postagem de Lindbergh Farias no X denunciando censura.

Resumo de valores e datas relevantes

DataEventoValor (R$)
15/05/2026Áudio vazado – pedido ao Vorcaro61 milhões
30/05/2026Primeira divulgação da AtlasIntel
07/06/2026Suspensão pelo TSE
2025Transferência ao Havengate Fund61 milhões

A Visão do Especialista

Do ponto de vista jurídico, a suspensão está amparada na legislação eleitoral, mas a falta de transparência pode gerar questionamentos sobre a imparcialidade do TSE. O acompanhamento das próximas decisões judiciais será crucial para definir se a pesquisa será republicada e como isso influenciará a corrida presidencial de 2026.

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